
Um comentário da primeira-dama, Rosângela da Silva, a Janja, gerou polêmica nesta quarta-feira. Em um vídeo, jornalistas questionam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre a tarifa dos Estados Unidos contra o Brasil, que Donald Trump estava prestes a anunciar, e ao fundo, batendo palmas, Janja fala:
— Ai, cadê meus vira-latas?
O episódio aconteceu quando Lula — que não respondeu à pergunta — estava se despedindo do presidente da Indonésia, Prabowo Subianto, no salão do Palácio do Itamaraty.
Após o episódio, a assessoria de Janja se pronunciou ao g1 sobre o caso:
"A frase dita pela primeira-dama, Janja Lula da Silva, não se refere aos jornalistas que perguntaram ao presidente Lula sobre as declarações do presidente americano. E, sim, aos bolsonaristas que estão traindo os interesses e a soberania do Brasil."
Trump defende Bolsonaro, e Lula responde
Na segunda-feira (7), Trump chamou os processos judiciais contra o ex-presidente Jair Bolsonaro de "perseguição" e "caça às bruxas", pedindo para que "deixem Bolsonaro em paz".
No mesmo dia, Lula reagiu e afirmou que a "defesa da democracia no Brasil compete aos brasileiros".
"Somos um País soberano. Não aceitamos interferência ou tutela de quem quer que seja", disse o presidente em nota divulgada pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência.
O texto indica ainda que "ninguém está acima da lei. Sobretudo, os que atentam contra a liberdade e o estado de direito".
Um dia depois, na noite de terça (8) Trump voltou a sua rede social, Truth Social, repetindo os mesmos argumentos em defesa do ex-presidente, que é réu por tentativa de golpe de Estado no Supremo Tribunal Federal (STF).
Embaixada dos EUA reforça fala de Trump
Nesta quarta-feira (9), a embaixada dos EUA no Brasil disse que Bolsonaro e sua família têm sido "fortes parceiros" dos norte-americanos, e afirmou que a "perseguição política contra ele, sua família e seus apoiadores é vergonhosa e desrespeita as tradições democráticas do Brasil".
Mais tarde, o Itamaraty convocou o encarregado de negócios da Embaixada dos Estados Unidos no Brasil, Gabriel Escobar, para prestar esclarecimentos sobre a declaração.
Escobar foi recebido pela embaixadora Maria Luisa Escorel, secretária de América do Norte e Europa do Ministério das Relações Exteriores brasileiro.
Ela advertiu que o episódio trará consequências negativas para a relação bilateral e que o governo brasileiro foi surpreendido com a nota dos EUA.
Taxa de 50% para o Brasil
Com a escalada da tensão, Donald Trump anunciou nesta quarta-feira (9) a aplicação de 50% para produtos brasileiros importados ao país. A taxa entrará em vigor a partir de 1º de agosto.
Trump comunicou a medida por meio da rede social Truth Social, publicando uma carta endereçada também ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que convocou uma reunião de emergência após o anúncio.
No texto, ele volta a citar uma "caça às bruxas" contra Jair Bolsonaro, que a maneira como o Brasil tratou o ex-presidente é "uma desgraça internacional".
O presidente americano afirma que as tarifas se devem "em parte devido aos ataques insidiosos do Brasil contra eleições livres e à violação fundamental da liberdade de expressão dos americanos".
A carta também afirma que, caso o presidente brasileiro decida abrir os mercados para os Estados Unidos e eliminar tarifas e barreiras comerciais, “talvez consideremos um ajuste”.
Tarifas anunciadas pelos EUA a países
- Filipinas: 20%
- Cazaquistão: 25%
- Coreia do Sul: 25%
- Japão: 25%
- Malásia: 25%
- Moldávia: 25%
- Brunei: 25%
- Tunísia: 25%
- Argélia: 30%
- Líbia: 30%
- Iraque: 30%
- África do Sul: 30%
- Sri Lanka: 30%
- Bósnia e Herzegovina: 30%
- Indonésia: 32%
- Bangladesh: 35%
- Sérvia: 35%
- Camboja: 36%
- Tailândia: 36%
- Laos: 40%
- Myanmar: 40%
- Brasil: 50%


