
A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), que teve prisão preventiva pedida pela Procuradoria-Geral da República (PGR) nesta terça-feira (3), anunciou que vai solicitar licença parlamentar não remunerada por tempo indeterminado. Caso o período exceda o prazo de 120 dias, ela será substituída na Câmara dos Deputados pelo suplente Coronel Tadeu (PL-SP).
Em nota enviada à imprensa, a deputada não informou a data oficial do início de sua licença, mas que está preparando a documentação à Mesa Diretora da Câmara.
Natural de São Paulo, Márcio Tadeu Anhaia de Lemos é coronel da Polícia Militar de São Paulo. Foi deputado entre 2018 e 2022, mas não conseguiu os votos necessários para renovar o mandato e se tornou suplente.
Durante sua carreira parlamentar, foi membro de comissões como de Constituição e Justiça, Segurança Pública, Viação e Transporte e Mista de Orçamento.
Coronel Tadeu é bacharel em Direito pela Universidade de São Paulo (USP) e tem mestrado em Ciências da Segurança Publica, pela Polícia Militar. Foi comandante de helicóptero no Rio de Janeiro. Também atuou como diretor de Assuntos Institucionais da Associação dos Oficiais da Policia Militar, conforme a Câmara dos Deputados.
Coronel quebrou placa
Durante seu mandato na Câmara, Tadeu se destacou como defensor do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e se envolveu em diversas polêmicas. Em 2019, rasgou um cartaz de uma exposição sobre racismo na Câmara dos Deputados, na véspera do Dia da Consciência Negra.
A placa destruída exibia um texto que afirmava que negros são as principais vítimas de ações letais das polícias. Também trazia uma charge do cartunista Carlos Latuff, que retratava um jovem negro algemado e um policial armado. No cartaz, lia-se a frase "o genocídio da população negra".

Em entrevista ao Estadão naquele ano, Tadeu afirmou "não se arrepender" do ato.
— Quem foi atacada foi a Polícia Militar — declarou.
O deputado chegou a afirmar que as mortes de jovens negros por policiais podem ser explicadas pela maior presença de negros no tráfico de drogas.
O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Casa decidiu, por 12 votos a 5, aplicar uma advertência verbal ao parlamentar. O relator do caso, deputado João Marcelo Souza (MDB-MA), concluiu que não houve racismo, pois Tadeu teria agido em defesa dos policiais e não com o objetivo de ofender a população negra. Deputados da oposição consideraram a punição branda.
A placa foi recolocada em manifestação de deputados de oposição nos corredores da Câmara dos Deputados. Exatamente no Dia da Consciência Negra, os parlamentares colocaram de volta a obra vandalizada e várias outras cópias dela no mesmo lugar onde aconteceu o incidente.
Livro de 1997
Coronel Tadeu já havia se envolvido em polêmica antes mesmo de entrar na política. Ele foi um dos autores do livro "Reaja! Prepare-se para o Confronto – Técnicas Israelenses de Combate", publicado em 1997. Na época, a Folha de S.Paulo publicou uma reportagem informando que a Polícia Militar afastou de seus cargos quatro dos cinco capitães que escreveram o livro.
"O livro diz que os cidadãos devem reagir diante de uma ação violenta, que o uso de arma de fogo é recomendável, desde que a pessoa seja treinada, e que o bandido é uma pessoa 'menos humana' e deve ser posto 'fora de combate'", diz trecho da reportagem.
Segundo a notícia, o capitão pertencia ao Comando de Choque da PM e foi transferido para outra função dentro da corporação.
Ainda conforme a reportagem, o chefe do setor de relações públicas da PM na época, Antônio Carlos Biagioni, declarou que o livro pregava uma postura contrária à defendida pela corporação — que valoriza o desarmamento da população.




