
A convenção nacional do PSDB aprovou a incorporação do Podemos à estrutura partidária, com 201 votos a favor e 2 contra, segundo o g1. A medida visa fortalecer o partido e restaurar suas bases históricas. Segundo o presidente nacional do PSDB, Marconi Perillo, a união será enviada ao TSE na próxima semana. Aécio Neves, tucano presidente do Instituto Teotônio Vilela, projeta que a nova sigla, "PSDB+Podemos", será aprovada até outubro e poderá disputar a presidência em 2026.
A união permitirá que o partido tenha a sétima maior bancada da Câmara, com 28 deputados, e a quarta maior no Senado, com 7 senadores. Neves acredita que a decisão trará mais "musculatura" ao PSDB e impulsionará a filiação de novos quadros. Além disso, a nova sigla terá direito à sexta maior fatia de recursos públicos para financiamento de campanhas em 2026.
A incorporação foi a solução encontrada pelo PSDB para evitar qualquer contestação e disputas jurídicas com o Cidadania, partido com o qual está federado. Com isso, os tucanos evitam punições pelo rompimento antecipado da federação — uma união que, por lei, deve durar no mínimo quatro anos.
Embora o Cidadania já tenha anunciado que pretende encerrar a parceria, a separação só seria permitida em 2026. Romper antes disso pode gerar penalidades legais para ambos os partidos.
Com a incorporação, no entanto, dirigentes do PSDB acreditam que a legenda continuará existindo sob nova configuração e que a união permitirá contornar a regra, segundo apuração do g1.
Manter a sigla viva
Além do rompimento com o Cidadania, a fusão resolve uma questão que o PSDB vinha enfrentando há tempos: a sobrevivência à cláusula de desempenho. Essa norma determina que apenas os partidos que cumprirem ao menos um dos critérios estabelecidos por lei terão acesso aos recursos do Fundo Partidário e à propaganda gratuita no rádio e na televisão. Os critérios são:
- Eleger no mínimo 11 deputados federais, distribuídos em pelo menos nove unidades da Federação;
- Obter, no mínimo, 2% dos votos válidos nas eleições para a Câmara dos Deputados, distribuídos em pelo menos nove unidades da Federação, com pelo menos 1% dos votos válidos em cada uma delas.
O Podemos conta com seis senadores e 19 deputados federais, que somados aos 16 deputados federais e um governador do PSDB, ganham força.
O PSDB, que foi por muito tempo um dos maiores partidos da Câmara dos Deputados, tem visto seus números caírem, refletindo os resultados negativos colhidos desde 2022, ano da pior eleição do partido desde 1990.
No auge, o partido chegou a governar 799 prefeituras em todo o país, com uma bancada de 16 senadores, 19 governadores e, em 1998, elegeu 99 deputados federais.
Nas últimas eleições nacionais, o PSDB elegeu os 13 deputados federais, três governadores e nenhum senador, sem lançar candidato próprio à Presidência. Em 2024, o partido registrou sua pior performance nas eleições municipais da história.
Neste ano, o PSDB perdeu dois dos três governadores eleitos pela sigla em 2022: Eduardo Leite (Rio Grande do Sul) e Raquel Lyra (Pernambuco), que migraram para o PSD. A sigla segue governando apenas o Estado do Mato Grosso do Sul, com Eduardo Riedel.

