
Correção: Carla Zambelli está nos Estados Unidos e pretende se mudar para a Itália, diferentemente do publicado entre 21h17min de terça-feira (3) e 8h18min desta quarta (4). O texto foi ajustado.
A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) anunciou, nesta terça-feira (3), que deixou o Brasil há alguns dias para tratar a síndrome de Ehlers-Danlos.
Logo após ela confirmar que está nos Estados Unidos e quer se mudar para a Itália, a Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a prisão preventiva de Zambelli. A parlamentar foi condenada a 10 anos de prisão por invadir os sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Um dia após a condenação, realizada em 14 de maio, ela disse que "não sobreviveria na prisão" devido a problemas de saúde.
Zambelli disse ser portadora de uma síndrome chamada Ehlers-Danlos, que afeta os tecidos conjuntivos do corpo. Ela afirmou ainda que tem um problema no coração chamado síndrome hipercinética postural ortostática, que não permite que ela permaneça muito tempo de pé, e que toma medicamentos para tratar depressão.
— Eu estou pegando vários relatórios dos meus médicos e eles são unânimes em dizer que eu não sobreviveria na cadeia. Então, a gente deve apresentar isso em momento oportuno — disse na ocasião.
O que é a síndrome de Ehlers-Danlos
A síndrome de Ehlers-Danlos (SED) é uma condição hereditária rara que afeta o tecido conjuntivo — responsável por dar sustentação, firmeza e elasticidade ao corpo.
A SED pode se manifestar de diversas formas e comprometer vários sistemas — como o musculoesquelético, cardiovascular, gastrointestinal, neurológico, entre outros. Os sintomas são dores crônicas, fadiga, articulações hipermóveis, fragilidade da pele e problemas vasculares.
Diagnóstico
O diagnóstico da síndrome, particularmente do subtipo hipermóvel (SEDh), ainda é um grande desafio na prática clínica, mesmo sendo o mais prevalente, como explica a fisiatra Angélle Jácomo, do Centro Especializado em Hipermobilidade e Dor (CEHD), em Brasília:
— Um dos principais entraves é justamente o fato de que a SED não possui um marcador genético identificável até o momento, diferentemente de alguns outros subtipos da doença. Isso significa que não existe um exame laboratorial ou teste genético específico que possa confirmar o diagnóstico com precisão.
Pacientes com SED geralmente percorrem um longo caminho até obter um diagnóstico, visitando diferentes especialistas, como ortopedistas, reumatologistas, neurologistas, gastroenterologistas e psiquiatras, sem que seja estabelecida uma visão unificada do quadro clínico.
— Muitos sintomas, como dores crônicas difusas, fadiga intensa, luxações recorrentes, distúrbios autonômicos, distúrbios gastrointestinais e alterações de humor, acabam sendo tratados de forma isolada, como se fossem condições independentes, quando, na verdade, fazem parte de um mesmo espectro sindrômico — esclarece Welber Sousa, neurologista da clínica CEHD.
Para controlar a doença, considerada incurável pela medicina, os portadores da síndrome geralmente fazem tratamento multidisciplinar, contemplando ainda medicamentos orais combinados com modulação da dor por via venosa.



