
O deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) afirmou que pode se candidatar à Presidência da República, caso essa seja uma “missão” atribuída por seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A declaração de Eduardo foi dada em entrevista à revista Veja, publicada nesta sexta-feira (30). Com o ex-presidente inelegível, cresce a especulação sobre Eduardo como eventual sucessor político. Questionado sobre uma candidatura, o deputado disse:
— Obviamente, se for uma missão dada pelo meu pai, vou cumprir. Inclusive, meu nome já figurou em algumas pesquisas, né? Fiquei feliz. Mas eu acho que, numa democracia normal, quem deveria ser um candidato mesmo deveria ser o Jair Bolsonaro, que inclusive lidera nas pesquisas — disse.
Eduardo também comentou as especulações sobre o nome da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro como possível candidata no lugar do marido.
— Michelle tem uma rejeição muito baixa, um discurso muito próximo das pessoas evangélicas e da pauta das mulheres. Mas é o Jair Bolsonaro, na verdade, quem vai decidir — afirmou.
Mesmo ventilando segundas opções, o deputado ainda sugere que há uma chance de seu pai voltar a disputar as eleições. O ex-presidente foi declarado inelegível por oito anos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que entendeu que Bolsonaro abusou do poder político e fez uso indevido dos meios de comunicação em reunião com embaixadores estrangeiros no Palácio da Alvorada, no dia 18 de julho de 2022.
— Acredito que há uma luz no fim do túnel para a gente corrigir a democracia brasileira e conseguir colocá-lo como candidato — afirmou.
Ataques a Moraes e pressão nos EUA
Eduardo também é alvo da abertura de um inquérito sobre a sua atuação nos Estados Unidos. A apuração, autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, envolve suposta campanha realizada pelo parlamentar por sanções a autoridades brasileiras ligadas a processos contra Jair Bolsonaro e aliados.
Ao longo da entrevista, Eduardo voltou a direcionar críticas ao ministro, a quem acusou de agir como um "tirano".
— O Brasil deveria ter tido a decência de conseguir parar o Alexandre de Moraes. Não aconteceu. Por isso, tivemos que recorrer aqui às autoridades americanas. Vamos dar assim o primeiro passo para resgatar a democracia brasileira. O STF hoje derruba aquilo que foi aprovado pelo Congresso. Não é uma democracia saudável — declarou.
O deputado está atualmente nos Estados Unidos, onde vive desde março deste ano, após se licenciar do mandato. Segundo ele, o objetivo é “buscar sanções aos violadores dos direitos humanos” e articular pressões contra Moraes.
— A gente aqui nos Estados Unidos vai fazer de tudo possível para acionar as alavancas do governo para que as autoridades americanas, se assim entenderem, sancionem ao máximo o Moraes e as pessoas financeiramente ligadas a ele — disse.
Na semana passada, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que há “grande possibilidade” de o ministro do STF ser alvo de sanções.
Já nesta quarta-feira (28), Rubio anunciou que os EUA vão restringir vistos para “autoridades estrangeiras e pessoas cúmplices na censura de americanos”, citando a América Latina como exemplo, mas sem mencionar diretamente o Brasil ou Moraes.



