
Após se tornar o primeiro governador reeleito do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite trabalha agora para quebrar mais um tabu político local: fazer do vice Gabriel Souza (MDB) seu sucessor. Desde a retomada do voto direto ao Palácio Piratini, em 1982, jamais um incumbente conseguiu manter no poder seu grupo político.
Para alcançar o objetivo, Leite delegou a Gabriel projetos estratégicos do governo, como a coordenação do plano de reconstrução pós-enchente, e tem estimulado as viagens do vice pelo interior do Estado. Somente em 2025, Gabriel já visitou 40 municípios diferentes, média de uma cidade a cada três dias.
Na maioria das ocasiões, a principal agenda é a inauguração de obras e o anúncio de investimentos. A meta fundamental, porém, é tornar Gabriel mais conhecido dos eleitores.
Divulgada no final de fevereiro, a mais recente pesquisa Quaest para governador mostra Gabriel na quarta colocação na preferência dos gaúchos, com 7%. À frente dele aparecem Edegar Pretto (PT), com 10%, Luciano Zucco (PL), com 15%, e Juliana Brizola (PDT), com 19%.
Para melhorar a performance, o vice viaja sempre acompanhado por uma equipe de comunicação, com farta divulgação das atividades na imprensa regional. Ao mesmo tempo em que garante exposição vinculando sua imagem a programas de apelo popular, como o Primeira Infância e o Todo Jovem na Escola, produz conteúdos para suas redes sociais.
Com MDB pacificado, Gabriel mira aliados
Em cada parada, Gabriel conduz reuniões políticas com líderes locais do MDB e potenciais aliados de outras siglas. Estabelecido hoje como principal liderança do partido, o vice, por ora, não enfrenta resistência como em 2022. À época, Gabriel sofreu forte oposição da ala bolsonarista do MDB e acabou rompendo com o deputado Alceu Moreira, com quem disputava a pré-candidatura.
Para evitar novas rusgas internas, Gabriel detém controle sobre o diretório e monitora eventuais dissidências. No ambiente externo, trabalha para tentar reproduzir na campanha a atual base de sustentação do governo na Assembleia Legislativa, hoje com 11 partidos.
Essa tarefa é compartilhada entre o governador e o vice, com atenção especial ao PP e ao Republicanos. Cientes de que o PP vai ser um dos últimos a definir seu rumo nas eleições de 2026, eles miram no Republicanos.
Agora no PSD, Leite se reuniu recentemente com o presidente nacional, deputado Marcos Pereira, e, em 3 de maio, fez um importante aceno ao partido e à comunidade evangélica gaúcha ao prestigiar o lançamento da pedra fundamental do templo de Salomão em Gramado.

Cautela no Republicanos
Em outro front, Gabriel aposta na formação de uma federação entre MDB e Republicanos. A direção nacional das duas siglas se reuniu no início do mês para discutir a aliança e deve retomar a conversa após sondar lideranças estaduais. Tanto Pereira como o presidente do MDB, Baleia Rossi, concordam que o surgimento da federação PP-União Brasil vai forçar outros partidos de porte médio a se unirem para não perder relevância no Congresso e espaço privilegiado em chapas presidenciais.
Secretário estadual de Habitação e presidente do Republicanos no RS, Carlos Gomes não se entusiasma com a ideia de uma federação, mas admite que a proposta dá mais protagonismo nacional ao partido. Com cinco deputados estaduais e prestes a incorporar ao menos mais dois parlamentares (Thiago Duarte e Aloísio Classmann, do União Brasil), Gomes prega cautela.
— Existe uma efervescência nos partidos e é preciso maturidade para essa discussão. Todos querem conversar conosco e temos um nome importantíssimo no cenário nacional, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas — afirma o dirigente.

Governistas tentam isolar Zucco
Para Leite e Gabriel, uma aliança com o Republicanos não só reforçaria o palanque ao Piratini (e ao Senado, numa eventual candidatura do governador), mas principalmente enfraqueceria a candidatura de Zucco. Egresso do Republicanos, o deputado busca montar uma aliança de direita ao governo do Estado, calcada na união de PL, PP, Republicanos e Novo.
Zucco intensificou os contatos com esses partidos na última semana, apostando na proximidade com o ex-presidente Jair Bolsonaro e na influência que ele detém sobre as legendas. Para tentar minimizar a influência de Bolsonaro nos rumos do Republicanos, Leite e Gabriel admitem publicamente apoiar uma eventual candidatura presidencial de Tarcísio em 2026.


