Em meio à articulação das bancadas na corrida pela presidência da Câmara dos Deputados, a presidente nacional do PT, deputada federal Gleisi Hoffmann (PR), fez críticas ao candidato ao cargo Baleia Rossi (MDB-SP) por "fechar a possibilidade" de impeachment do presidente Jair Bolsonaro.
Ao jornal Folha de S.Paulo, o candidato de Rodrigo Maia (DEM-RJ) ao comando da Casa afirmou que um pedido de afastamento do presidente traria instabilidade e que independência não é sinônimo de oposição. A possibilidade de um processo foi levantada diante das declarações de Bolsonaro que colocam em suspeição o sistema eleitoral, e também dos pedidos pela volta do voto impresso.
"Perderá votos no PT", publicou Gleisi no Twitter, neste domingo (10). "Dar resposta a crimes do Executivo é o item 3.6 do compromisso de Baleia Rossi com a oposição. Inclui analisar denúncias de crimes do presidente da República, mesmo que não haja acordo para aprovar impeachment. Ao negar o que tratamos e fechar essa possibilidade, Baleia perderá votos no PT", publicou a deputada na rede social.
Após a declaração da parlamentar, na tentativa de amenizar tensões, Baleia Rossi prometeu honrar compromissos firmados com a oposição.
"Falei com a presidente Gleisi agora há pouco. Ressaltei que vou honrar cada compromisso firmado com os partidos de oposição, o que inclui usar todos instrumentos constitucionais em defesa da democracia. Antecipar juízos agora não ajuda. Isso é o que disse à Folha", publicou Baleia Rossi no Twitter.
Com 52 deputados, o PT tem a maior bancada da Câmara e o apoio do partido é peça importante nos planos de Baleia Rossi de conquistar o comando da Casa. O endosso à sua candidatura, contudo, não é consenso entre petistas, que se incomodam em apoiar um nome do MDB. A preferência pelo deputado federal ante o rival Arthur Lira (PP-AL), candidato do Palácio do Planalto, foi aprovada em convenção do PT por margem apertada, de 27 a 23 votos.
Baleia Rossi já vem lidando nos últimos dias com desembarques de seu bloco, o que pode dificultar seus planos de conquistar o comando da Casa. Nesta semana, o PSL rachou e a maioria da bancada decidiu apoiar Arthur Lira. O presidente da legenda, Luciano Bivar, estuda expulsar os infiéis.





