
A rotina de reuniões entre autoridades no Ministério da Economia foi quebrada, na tarde desta terça-feira (2), com o protesto solitário de uma diarista. Eliane Santos e Silva, 46 anos, abordou o relator da reforma da Previdência na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, deputado Marcelo Freitas (PSL-MG), quando ele saía de uma audiência com o ministro da Economia, Paulo Guedes. Na parte externa do prédio, Freitas foi abordado pela trabalhadora, que reclamou da proposta do governo.
— Por que vocês estão fazendo isso com a gente? Com esta (reforma da) Previdência, não tem jeito de um pobre se aposentar – afirmou.
Em diálogo de menos de um minuto, o relator ouviu a reclamação e rebateu.
— Nós estamos fazendo esta reforma para vocês, os mais pobres — disse, já ingressando no carro.
Apesar das divergências, não houve clima de animosidade. Inconformada, a diarista disse a jornalistas que saiu de Diadema, em São Paulo, para “resolver um problema do Minha Casa Minha Vida” em Brasília. Ao saber da reunião de integrantes do PSL com Guedes, decidiu ir ao ministério.
— Eu trabalho de dia para comer de noite, não vai ter jeito de me aposentar, esta reforma é para os ricos e os bancos — completou, já de saída.
Ao longo desta terça-feira (2), Guedes recebeu dezenas de parlamentares de partidos que afirmam estar dispostos a apoiar a reforma.
À tarde, houve dois encontros com a bancada do PSL, o partido do presidente Jair Bolsonaro. Antes, foram recebidos parlamentares do PSD, DEM, PRB e outros partidos que condicionam a aprovação a mudanças no texto.
Entre as críticas, estão a redução do valor pago no Benefício de Prestação Continuada (BPC), voltado a idosos de baixa renda e deficientes, e as alterações na aposentadoria rural.


