Ministro da Economia, Paulo Guedes está na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, onde responderá perguntas de deputados sobre a reforma da Previdência. Pelo menos 50 parlamentares já se inscreveram para fazer questionamentos. Com isso, a expectativa é de que a sessão se estenda até o início da noite.
Em sua defesa da reforma, o ministro disse que a necessidade de ajustes no sistema para controlar os gastos previdenciários "está se impondo" e é um problema que terá que ser resolvido independente do partido que estiver no governo.
— Tenha a coloração (política) que tiver, o país que for, o sistema de repartição está condenado — afirmou.
O ministro chegou à Comissão acompanhado pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que chegou a compor a mesa, mas saiu ainda no início do encontro. O chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, acompanha da sessão, que iniciou às 14h10min.
No entanto, Guedes começou a explicar a reforma da Previdência apenas às 14h22. Pois antes, houve uma discussão entre o ministro e parlamentares da oposição.
— O Chile tem 26 mil dólares de renda per capita, o dobro do Brasil. A Venezuela deve estar melhor, né? — afirmou o ministro quando deputados da oposição gritaram no plenário da comissão que a reforma da Previdência tornaria o Brasil o vizinho latinoamericano, com um modelo privatizado de seguridade social.
O ministro falaria direto por 20 minutos, sem perguntas de parlamentares. No entanto, o entrevero disparou uma confusão na comissão. Deputados do PSOL levantaram cartazes com dizeres como "PEC da Morte" e "Reforma para banco lucrar", e o deputado Henrique Fontana (PT-RS) e Guedes bateram boca.
— Se você falar eu vou falar também — afirmou Guedes a Fontana.
O presidente da comissão, Felipe Francischini (PSL-PR), tentava retomar a sessão e pedia decoro, sem sucesso, aos seus pares.
— Isso aqui não é briga de rua — afirmou Francischini.
Depois de cerca de cinco minutos, o ministro pediu desculpas e disse que é "muito respeitoso", mas emendou em uma provocação.
— Eu cometi o erro de falar sobre a Venezuela, e vocês cometeram o acerto de falar sobre o Chile. Eu acho que a Previdência deve ser maior em um deles — disse.
Após confirmar presença no colegiado na última semana, Guedes acabou cancelando sua presença. A justificativa oficial é de que a decisão foi tomada devido à falta de relator do texto que irá alterar as aposentadorias. No entanto, a desistência ocorreu por temor da equipe econômica do governo de um bombardeio da oposição, sem a defesa de aliados.



