
Entre frases de efeito, ataques verbais e piadas, o deputado federal e pré-candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSC-RJ) falou por cerca de uma hora a jornalistas no final da manhã desta quinta-feira (29) na Fiergs, em Porto Alegre, onde é palestrante na 19ª Feira e Congresso de Transporte e Logística (TranspoSul).
Logo no princípio, ao comentar o uso medicinal da fosfoetanolamina, que contou com o apoio dele, Bolsonaro tascou:
– Se cura ou não cura, eu não sei. Sou capitão do Exército, minha especialidade é matar.
Leia mais
Lula lidera disputa presidencial e Marina e Bolsonaro empatam em 2º, aponta Datafolha
Tulio Milman: só Bolsonaro vence
"O menos traumático para a nação seria o Temer renunciar", diz Bolsonaro em Florianópolis
Ao ser questionado sobre a recuperação da economia, afirmou que sua prioridade na passagem pelo Rio Grande do Sul era abordar a pauta da segurança. O deputado comentou que o atual clima de violência no país acaba atrapalhando a tentativa de retomada nos indicadores econômicos. Mais tarde, defendeu mudanças no Código Penal para assegurar legítima defesa e aumentar penas. Embora tenha eleito segurança como seu tema prioritário, disse "eu não sei qual o presídio aqui de Porto Alegre".
No sétimo mandato consecutivo na Câmara dos Deputados – serão 28 anos de Casa em 2018 –, o parlamentar aprovou quatro projetos de lei ao longo da trajetória em Brasília. Ele justificou que a Câmara “está sempre a reboque do Executivo” e argumentou que apresentou propostas como aumentar penas para roubo de carga e receptação, um aceno aos empresários que o convidaram para palestrar em evento do setor de transportes. Alegou, em sua defesa, que é tarefa árdua aprovar propostas.
– Somos 513 (deputados). É difícil.
Cercado por admiradores, ele concedeu a entrevista coletiva tendo ao seu lado uma apoiadora que vestia uma camisa rosa com a expressão "Bolsonete". Com popularidade crescente, o deputado oscilou entre o segundo e o terceiro lugar na última pesquisa presidencial do Datafolha. Ao seu estilo, distribuiu frases que agradam o seu público cativo, principalmente quando abordava a segurança e a posse de armas de fogo.
Sobre liberdades individuais, disse ser contra o "kit gay", mas assegurou que cada um poderá “ser feliz do jeito que quiser” caso ele seja eleito presidente em 2018.
Vestindo casaco de terno e camisa branca, dispensando a gravata, o parlamentar defendeu a reforma trabalhista, que contou com seu voto favorável, e carregou o discurso de pinceladas nacionalistas. Sem entrar em detalhes, defendeu a restrição ao ingresso de imigrantes no Brasil e cogitou a hipótese de uma invasão de chineses no país, ao falar sobre compra de terras pelo país asiático. Confirmou que deixará o PSC, a quem criticou pela hipótese de aliança com o PC do B no Maranhão, mas não revelou a nova sigla pela qual deverá concorrer à Presidência. Nos bastidores, Bolsonaro cogita sua ida a um partido que tem entre os seus articuladores Valdemar Costa Neto, condenado no mensalão.
Na reta final, comentou a sua prisão na segunda metade dos anos 80, quando ficou detido por 15 dias por transgressão disciplinar – ele enfrentou acusações por ter agido com deslealdade ao publicar um artigo e por ter supostamente planejado explodir bombas em unidades militares do Rio, tendo sido absolvido em última instância por 8 votos a 4.
– Existia punição exemplar. Fui absolvido. A Folha de S.Paulo (que revelou os fatos em reportagem) buscou isso do fundo do baú. Não tem do que me acusar.
Sem receio de atirar, disse que “perdeu-se a noção do direito de roubar” no Brasil. Para gargalhadas dos admiradores, disse que é “mais rico” ao comentar semelhanças com Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, e recordou os tempos em que frequentou garimpos, em 1984.
– Fui no garimpo, sim. E com que sonho? De ficar rico, ou foi pra ficar na merda?
A coletiva terminou em risos. E selfies com os fãs que por ali aguardavam para tietar.
Evento
Depois de almoçar com empresários, Bolsonaro foi atração de palestra na 19ª Transposul, ante um auditório lotado na Fiergs. Ele recebeu elogios e promessa de voto principalmente de dirigentes da Federação das Empresas de Logística e Transporte de Cargas no RS (Fetransul) e do Sindicato do Transporte de Cargas do Mato Grosso do Sul (Setlog-MS). Também encontrou simpatia junto à entidade organizadora do evento, o Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas e Logística no RS (Setcergs).
– Acredito no Jair Bolsonaro e digo aqui, em nome da maioria do TRC (transporte rodoviário de cargas), principalmente aquele transportador pequeno e médio: o TCR estará apoiando você se candidato for à Presidência da República. Estaremos adesivando todos os nossos caminhões e fazendo campanha abertamente. Por favor, ganhe a presidência – suplicou Cláudio Antonio Cavol, presidente do Setlog-MS.
Em clima de corrida eleitoral, Bolsonaro, ao longo do dia em Porto Alegre, por mais de uma vez declarou ainda não ser presidenciável. Ele, que está viajando o país para palestrar, reclamou de penalizações por campanha antecipada.
Acompanhado do filho Eduardo, também deputado federal, o parlamentar foi sucinto nos assuntos inerentes ao transporte de mercadorias, citando itens como "estradas ruins, pedágios, preço do óleo diesel, falta de lugar para estacionar e roubo de cargas".
Embora diante de plateia formada majoritariamente por empresários, não se dedicou a esboçar um projeto econômico.
Perpassando assuntos diversos, como nacionalismo, planejamento familiar e um suposto risco representado pela China, deu prioridade à defesa do nióbio – mineral abundante no Brasil, um dos principais itens de importação do país nesta cadeia.





