
As dezenas de jornalistas que seguiram aos Estúdios Globo, na zona oeste do Rio de Janeiro, na quinta-feira (1º), viram de perto uma série de decisões judiciais e políticas desfazer, em poucas horas, um dos mais tradicionais debates eleitorais brasileiros.
Enquanto os profissionais da imprensa começavam a chegar para a cobertura do encontro, ainda no fim da tarde, surgiu a notícia de que Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), obrigaria a TV Globo a convidar Renan Santos (Missão) para o programa — o que acabaria se confirmando pouco depois. O debate ganhava um participante a mais, de última hora.
Havia também uma mudança no cenário, já que outra decisão judicial, emitida pouco antes, proibiu a Globo de deixar um púlpito vazio para sinalizar a ausência de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) — que anunciara na véspera a desistência em participar do evento.
Enquanto repórteres, cinegrafistas e fotógrafos passavam pela última triagem antes do acesso ao prédio do debate, mais uma reviravolta: Flávio Bolsonaro (PL) também desistiu. Duas horas antes do horário marcado, o programa tinha um debatedor a menos.
Quando os mais de 50 profissionais da imprensa enfim passaram por toda a triagem e entraram na sala destinada a eles, por volta das 20h, o cenário era de um possível debate entre: Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos e Romeu Zema (Novo) — este último não estava entre os convidados da Globo, mas ganhou, dias antes, por decisão do ministro Kassio Nunes Marques, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o direito de ser chamado.
Essa configuração do debate durou cerca de meia hora. Nesse meio tempo, já corria nos bastidores a informação de que a direção da Globo estava reunida para avaliar o cancelamento. Enquanto isso, outras equipes da emissora realizavam ajustes no cenário, caso o programa fosse realizado.
Por volta das 20h45min, após se ver envolta em decisões que mudaram a dinâmica e as regras, além da ausência dos dois candidatos líderes nas pesquisas, a TV Globo considerou inviável realizar o evento. Equipes da área de comunicação da empresa passaram pela sala de imprensa anunciando aos profissionais sobre a decisão.
A nota emitida pela emissora afirmou que o dever da Globo "é o de promover a democracia, mas as sucessivas decisões judiciais tomadas momentos antes da realização do debate causam insegurança jurídica e representam uma interferência indevida na liberdade que os veículos de imprensa têm de organizar os debates eleitorais".

