
O presidente e candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou, na noite desta sexta-feira (11), do primeiro ato no Rio Grande do Sul voltado à campanha pela reeleição à Presidência da República. Durante discurso, ele citou o caso Master e defendeu a transparência das investigações.
— Eles criaram um banqueiro chamado Vorcaro em 2019. Na época deles, o bandido virou banqueiro. No meu mandato, ele virou prisioneiro, porque foi o maior golpe da história desse país — afirmou Lula.
O comício começou por volta das 17h, no Largo Glênio Peres, no Centro Histórico de Porto Alegre, mas Lula chegou às 19h30min, ao lado da primeira-dama Janja. Treze minutos antes da chegada do presidente uma contagem regressiva teve início no telão, e o público começou cantar a música Anunciação, de Alceu Valença.
— Quando peguei esse microfone, eu fiquei pensando o que falar para o povo do Rio Grande do Sul. Eu vinha pensando o que falar para esse povo extraordinário que eu tive o prazer de ter contato pela primeira vez em 1975, e quando eu vim participar da posse do Olívio Dutra me disseram lá em São Paulo: "Lula, você vai conhecer o Estado mais politizado do Brasil". E eu fiquei com essa imagem do povo gaúcho — disse Lula logo no início do discurso, após jogar rosas vermelhas ao público.
O petista também mencionou conquistas do seu terceiro mandato e de governos anteriores do PT. Segundo Lula, se reeleito, tem como compromisso continuar o trabalho de combate à violência contra a mulher:
— Nós fizemos um pacto contra o feminicídio, chamei o presidente da Suprema Corte, chamei o presidente do Senado e chamei o presidente da Câmara. Depois que nós fizemos o pacto, já aprovamos 11 leis, 11 leis novas, quatro decretos, 34 mil prisões de agressores, 167 mil medidas protetivas e atendimento. Antes do pacto uma mulher levava 16 dias para receber ajuda protetiva, hoje ela leva só três dias.
Já ao final do discurso, Lula citou a relação com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e destacou a importância da manutenção da soberania do Brasil:
— Eu nunca tive ingerência na eleição de outro país. E eu tenho avisado, já falei por telefone para o Trump: "Não se meta nas eleições brasileiras, porque se se meter, vai perder". Eu quero ter uma relação civilizada com os Estados Unidos. São 203 anos de relação diplomata.
Discursos de candidatos
No palanque, ao lado de Lula, estavam a postulante ao governo do RS, Juliana Brizola (PDT) e o candidato a vice-governador, Edegar Pretto (PT). Paulo Pimenta (PT) e Manuela d’Ávila (PSOL), que disputam vagas no Senado, também marcaram presença. Olívio Dutra (PT), Paulo Paim (PT) e Tarso Genro (PT) também subiram ao palco.
— Tenho muito orgulho de estar aqui para apoiar a neta do doutor Leonel de Moura Brizola, um homem que me chamava de sapo barbudo. Poucas vezes esse país produziu um líder político da qualidade de caráter como o nosso companheiro Brizola. Nesses dias difíceis é que a gente sabe como faz falta na política um homem como o Brizola — acrescentou o presidente.
Os candidatos presentes no palanque também realizaram discursos diante dos apoiadores, que se concentraram nas imediações do Mercado Público desde o final da tarde, com cartazes, bandeiras e camisetas em referência ao PT.
A primeira a falar foi a candidata ao Senado Manuela d’Ávila, que defendeu o fim da escala 6x1 e o falou da necessidade do combate à violência contra as mulheres. Após, falou Paulo Pimenta, também candidato ao Senado pelo RS. Ele citou o caso Master, pediu investigações e abertura de todos os sigilos.
Na sequência, a primeira-dama Janja Lula da Silva exaltou as candidaturas femininas:
— O Rio Grande do Sul é um Estado de mulheres fortes, aguerridas, determinadas, de mulheres que enfrentam o ódio e a misoginia, mulheres que não baixam a cabeça e que abrem caminho para tantas outras. Sabemos que quando uma mulher chega a um espaço de poder, ela abre uma porta. Mas quando muitas mulheres chegam, nós começamos a mudar a política.
Depois da fala de Janja e de uma homenagem à mãe de Lula, Dona Lindu, o candidato a vice-governador do RS Edegar Pretto conversou com os eleitores. Postulante ao governo do RS, Juliana Brizola também exaltou a candidatura de Lula. Ela falou aos presentes após o telão exibir um vídeo com imagens do avô Leonel Brizola.
Chuva não assustou apoiadores
A chuva que atingiu a Capital nesta sexta-feira não impediu a mobilização de apoiadores de Lula. A multidão acompanhou o ato com apoio de guarda-chuvas e capas — teve aqueles que buscaram abrigo sob as marquises no entorno do Largo Glênio Peres. Moradores de prédios próximos foram às janelas para acompanhar o comício.
Uma das participantes do ato é a moradora do bairro Menino Deus, Felícia Hickel, 48 anos. Ela, que foi afetada pela enchente de 2024, destaca que o apoio a Lula está ligado principalmente aos eventos climáticos:
— A gente não pode eleger negacionistas climáticos, quem passou, sentiu na pele, teve que sair de casa. É complicado, a gente não pode deixar os negacionistas tomarem conta.
Vindo com uma caravana de Passo Fundo, norte do RS, Carlos de Matos, 63 anos, natural de Ibirapuitã, destacou que quer reeleger Lula para dar continuidade a políticas públicas:
— Para continuar as políticas públicas que vêm acontecendo, principalmente na educação, em auxílios dos mais humildes, o presidente Lula resume a história dele em humildade e simplicidade.
A artista visual Suzane Wonghon, 74 anos, foi ao ato acompanhada do esposo.
— É importante estar aqui agora dar apoio depois de tudo, da enchente. Também pela história de favorecimento da educação, saúde e moradia das pessoas que precisam — disse a professora estadual aposentada, de São Leopoldo.
Agenda em Canoas

No início da tarde, Lula desembarcou na Base Aérea de Canoas e se reuniu com o governador Eduardo Leite e os prefeitos Sebastião Melo (Porto Alegre), Airton Souza (Canoas) e Juliana Carvalho (Eldorado do Sul) para tratar da construção do dique que promete proteger Eldorado do Sul das cheias do Jacuí.
Praticamente todo o território do município ficou submerso em 2024 na enchente. A obra é orçada em R$ 1,1 bilhão. A reunião também serviu para alinhar o andamento de obras de proteção contra cheias na Região Metropolitana entre as três esferas.
Lula confirmou a destinação de recursos do Fundo de Apoio à Infraestrutura para Recuperação e Adaptação a Eventos Climáticos Extremos (Firece) que, com mais um acréscimo do Funrigs, vai permitir a publicação do edital para contratação do projeto executivo e da obra. Serão R$ 700 milhões do governo federal, somados a cerca de R$ 300 milhões do Estado, via Fundo da Reconstrução.
Após a reunião em Canoas, Lula iria a Viamão, onde visitaria a sede do campus do Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS), no entanto, o presidente não foi ao local devido ao mau tempo, que o impediu de ir em helicóptero. O evento ocorreu com os ministros da Educação, Leonardo Barchini, e da Gestão e Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck.
O comício desta sexta-feira (11) é o primeiro grande ato de campanha de Lula no Rio Grande do Sul. A visita ao Estado marca ainda o início de uma incursão do presidente pelo Sul do país. Neste sábado (12), Lula deve cumprir agenda em Curitiba (PR). Já a visita a Florianópolis (SC), prevista inicialmente para o dia 19, foi adiada e ainda não tem nova data.


