Oito candidatos ao Senado pelo Rio Grande do Sul participaram de debate realizado na manhã desta sexta-feira (11) pela Rádio Gaúcha, com transmissão ao vivo também pelo canal da emissora no YouTube.
No decorrer de aproximadamente duas horas, Frederico Antunes (PSD), Germano Rigotto (MDB), Manuela d'Ávila (PSOL), Marcel van Hattem (Novo), Milton Cardoso (PSDB), Paulo Pimenta (PT), Renato Jaguarão (Cidadania) e Ubiratan Sanderson (PL) apresentaram bandeiras que pretendem defender no Senado e promoveram confronto de ideias. O debate transitou entre temas como a crise do Supremo Tribunal Federal e o impeachment de ministros, uma atribuição do Senado, o combate aos feminicídios, o fim das apostas esportivas online, as chamadas bets, a renegociação da dívida do Estado com a União, a segurança pública e a economia. Houve apresentação de algumas propostas e prevaleceu o ambiente de respeito, mesmo em dois embates mais acirrados envolvendo Pimenta, Van Hattem e Cardoso. Apenas um pedido de direito de resposta foi feito em todo o debate, por parte de Pimenta, mas negado pela produção.
Logo no começo, Frederico debateu a violência contra a mulher com Manuela. O candidato do PSD, no decorrer das suas manifestações, defendeu sua atuação como líder do governo Eduardo Leite na Assembleia Legislativa, a aprovação de projetos relevantes e a redução dos índices de criminalidade no Rio Grande do Sul.
A opinião dos colunistas de GZH sobre o debate
— Precisamos acabar com o machismo estrutural a partir da prevenção e educação nos bancos escolares e nas famílias, conversando sobre a situação. Em segundo lugar, punições. Tem que colocar tornozeleira em quem comete crime contra a mulher — afirmou Frederico.
Manuela apresentou políticas que pretende pautar no Senado, como a criminalização do ódio contra o gênero feminino e a criação de um auxílio financeiro e do aluguel social para mulheres em situação de alto risco, para que elas possam "sair de lares violentos com os filhos e recomeçar". Outra defesa enfática da candidata foi pelo fim das bets.
— Desde o primeiro dia de campanha, tenho trabalhado a proibição das bets e o acolhimento de mulheres e homens que estão dependentes disso, com a aprovação do "Disque Recomeço", para que tenham acesso a ajuda — argumentou Manuela.
Rigotto também mencionou o tema das bets, afirmando que a regulamentação da lei foi "mal feita", com foco na arrecadação de impostos. O emedebista também versou sobre o STF e a crise ética que abate a Corte, com a apresentação de propostas.
— Eu não apenas vou cassar ministro. Alexandre de Moraes perdeu todas as condições de continuar no STF. Vou mudar a forma de escolher ministro do STF, não pode sair da cabeça do presidente (da República). Vou mudar a questão das decisões monocráticas e acabar com o foro privilegiado —prometeu Rigotto.
Sanderson falou sobre a necessidade do controle mais rigoroso de fronteiras para combater crimes de tráfico de armas e drogas, além de contrabandos. O candidato do PL, questionado sobre o fim da escala de trabalho 6 x 1, mencionou como alternativa uma proposta de flexibilização do regime de trabalho "para que empregador e trabalhador achem instrumento de equalização" da jornada. Suas manifestações mais enfáticas, contudo, foram sobre o STF.
— Precisamos botar freio em ministros do STF abusadores e corruptos. Hoje o Senado protege o STF, e o STF protege o Senado. Isso não dá mais para aceitar — afirmou Sanderson, com críticas ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
Van Hattem defendeu a liberdade de expressão e o fim de privilégios às castas do setor público, principalmente quando questionado por Cardoso sobre o fato de receber um salário de deputado federal. Van Hattem apresentou a ideia de limitar o tempo de espera na fila do SUS, sob pena de o poder público ter de custear o atendimento em clínica privada em caso de inobservância. Com Pimenta, Van Hattem entrou em debate acalorado sobre a origem dos descontos fraudulentos contra aposentados do INSS, investigados na Operação Sem Desconto.
— Sobre os aposentados, eles foram roubados pelo governo Lula. E houve blindagem do governo em cima de autoridades e sindicalistas que fizeram parte do esquema. Teve blindagem do Lulinha (referência ao filho do presidente Lula) — afirmou Van Hattem.
Na resposta, Pimenta afirmou que o esquema de fraude no INSS e o "roubo de aposentados" aconteceu em "todo o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro". Pimenta declarou que o governo Lula "desbaratou" os esquemas do INSS e também do Banco Master. O petista defendeu políticas públicas para os aposentados, como o fim dos descontos previdenciários, e também criticou a oposição no tema das bets.
— Quem liberou as bets no Brasil foi o Temer (Michel, ex-presidente). Nos governos Temer e Bolsonaro, elas funcionaram sem fiscalização, sem pagar impostos e instaladas fora do país. O governo Lula regulamentou. Temos que aperfeiçoar, com mais fiscalização e proibição do jogo do tigrinho — declarou Pimenta.
Cardoso fez um discurso enfático contra ministros do STF e se declarou independente, apesar de ter se colocado ao lado do ex-presidente Bolsonaro. Contudo, ele chamou atenção ao fazer diversas críticas ao PL e vincular parlamentares da sigla a supostos casos de corrupção. Ele também foi um crítico durante o debate dos candidatos da chapa encabeçada pelo PL no Rio Grande do Sul. Ao se dirigir a Van Hateem, questionou:
— O que mudou que você, lá atrás, esteve com Sergio Moro (ex-juiz da Operação Lava-Jato, atual senador) detonando o governo Bolsonaro. E, agora, está com Bolsonaro? Gostaria que você explicasse.
Vestindo alpargata e chapéu panamá, Jaguarão declarou ser a novidade da disputa para o Senado, disse ter histórico de atuação contra os privilégios de políticos e também defendeu punição com rigor a ministros do STF que cometerem delitos. O candidato fez destaques acerca das tradições gaúchas e se posicionou no debate sobre o fim da escala de trabalho 6 x 1.
— Não sou contra um novo sistema de 5 x 2 (dias trabalhados versus folgas). Tem que descansar. O problema não é só a escala, mas o baixo salário, o poder de compra. Pergunta para o cidadão se ele não quer trabalhar na escala 6 x 1 e ganhar o dobro. Também concordo com a possibilidade de conversa entre empregado e empregador. As pessoas perderam poder de compra — disse Jaguarão.
Foram convidados a participar do debate, realizado nos estúdios da RBS TV, em Porto Alegre, os integrantes de partidos, federações e coligações com pelo menos cinco representantes no Congresso Nacional.
Resumo do debate
O primeiro bloco teve debates a partir de temas propostos pela produção do debate, escolhidos no ato mediante sorteio. Os candidatos escolheram um concorrente para debater, com o total de quatro minutos para as considerações. A gestão do tempo, dois minutos para cada, coube aos próprios postulantes. No primeiro bloco, chamou a atenção o fato de que quatro candidatos escolheram o parceiro de chapa ao Senado para debater, em dobradinhas, situação em que a conversa fica mais confortável.
O segundo e último bloco teve tema livre. Os confrontos entre candidatos tiveram uma pergunta de 30 segundos, seguida de resposta de um minuto. Depois, os dois concorrentes entraram em debate de três minutos sobre o assunto, com metade para cada e gestão do tempo feita pelo candidato. Para encerrar, um minutos para as considerações finais de cada candidato.
Na eleição de 2026, o eleitorado gaúcho irá renovar duas das três cadeiras do Rio Grande do Sul no Senado. Por isso, cada eleitor terá de votar em dois candidatos distintos para o cargo.








