Os candidatos às duas vagas no Senado pelo Rio Grande do Sul participaram, na manhã desta sexta-feira (11), de debate promovido pela Rádio Gaúcha. O encontro reuniu Frederico Antunes (PSD), Germano Rigotto (MDB), Manuela d'Ávila (PSOL), Marcel van Hattem (Novo), Milton Cardoso (PSDB), Paulo Pimenta (PT), Renato Jaguarão (Cidadania) e Ubiratan Sanderson (PL).
O encontro foi realizado nos estúdios da RBS TV, em Porto Alegre. A mediação foi da comunicadora Andressa Xavier. O evento contou com transmissão ao vivo pela Rádio Gaúcha e, em imagens, pelo YouTube da Gaúcha.
Como foi o debate na Rádio Gaúcha
Resumo
O debate ocupou o espaço do programa Gaúcha Atualidade e teve duração de pouco mais de duas horas. Durante dois blocos, os pré-candidatos discutiram temas como bets, endividamento das famílias, segurança, soberania nacional, pacto federativo, mudanças no STF e no Senado, entre outros.
A opinião dos colunistas de GZH sobre o debate
O confronto foi dividido em dois blocos, com a ordem de participação dos candidatos definida previamente, por sorteio, em reunião realizada no dia 19 de agosto. Cada candidato pôde ser escolhido apenas uma vez a cada bloco.
Primeiro bloco
No primeiro bloco, após um minuto de considerações iniciais de cada candidato, a produção sorteou um tema. O nome indicado pela ordem previamente definida pôde escolher um concorrente para discutir o assunto. A rodada teve quatro minutos, com dois minutos para cada participante. A gestão do tempo ficou a cargo dos próprios candidatos.
Marcel van Hattem perguntou para Ubiratan Sanderson
Tema: direitos individuais, liberdades e costumes
Ubiratan Sanderson abriu o tema afirmando que o país vive uma degradação institucional com o aparelhamento de órgãos como o Supremo Tribunal Federal e a Polícia Federal por interesses partidários e ideológicos.
Em resposta, Marcel van Hattem denunciou decisões judiciais que resultaram na quebra de sigilo de jornalistas e em condenações severas a manifestantes, além de relatar os processos judiciais que ele próprio enfrenta no STF.
Frederico Antunes perguntou para Manuela d’Ávila
Tema: reformas estruturantes (administrativa, previdenciária e política)
Frederico Antunes direcionou o foco para a prevenção e punição de crimes de feminicídio, defendendo o uso de tornozeleiras eletrônicas, celeridade na justiça e criação de casas de acolhimento.
Em resposta, Manuela d’Ávila pontuou que a prioridade deve ser a reforma do sistema político para pacificar o Congresso Nacional e viabilizar as demais transformações exigidas pelo país.
Germano Rigotto debateu com Paulo Pimenta
Tema: crédito, apostas e superendividamento
O ex-governador Germano Rigotto abriu o tema classificando a regulamentação das apostas esportivas (bets) como um erro grave da articulação entre o governo federal e o Congresso, focada apenas na arrecadação sem frear a publicidade predatória e os custos sociais e de saúde mental gerados pelo vício.
Em resposta, Paulo Pimenta rebateu afirmando que a liberação inicial ocorreu no governo Michel Temer e que as bets funcionaram sem regulação ou impostos sob Temer e Jair Bolsonaro, destacando que coube ao governo Lula regulamentar o setor.
Milton Cardoso perguntou para Marcel van Hattem
Tema: soberania nacional e relação com os Estados Unidos
Marcel van Hattem cobrou que o governo federal classifique facções criminosas como o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas, citando a atuação internacional desses grupos e a recente designação feita nos Estados Unidos.
Em resposta, Milton Cardoso questionou a coerência política de van Hattem por alianças passadas e criticou o uso de recursos públicos em campanhas eleitorais por parlamentares.
Manuela d’Ávila perguntou para Paulo Pimenta
Tema: pacto federativo e dívida do Rio Grande do Sul
Manuela d’Ávila cobrou transparência do governo estadual e criticou a ausência de aplicação de recursos federais destinados a obras de prevenção contra cheias.
Em resposta, Paulo Pimenta defendeu a prorrogação do Funrigs para obras como a duplicação da RS-118 e destacou os investimentos e a parceria federativa entre o governo federal, prefeituras e Estado.
Renato Jaguarão perguntou para Milton Cardoso
Tema: Supremo Tribunal Federal (regras e mandatos)
Renato Jaguarão afirmou que o Senado tem sido omisso e defendeu a cassação de ministros do STF que cometerem crimes.
Em resposta, Milton Cardoso concordou com a punição aos magistrados citados, mas criticou a falta de competência técnica de parlamentares bolsonaristas e defendeu a alteração do regimento interno do Senado para limitar os poderes da presidência da Casa.
Germano Rigotto perguntou para Frederico Antunes
Tema: segurança pública, crime organizado e maioridade penal
Germano Rigotto apontou a interferência política e as trocas no comando e na inteligência da Polícia Federal como fatores que enfraquecem o combate ao crime organizado.
Em resposta, Frederico Antunes destacou o modelo de segurança pública implantado no Rio Grande do Sul, baseado em integração, inteligência, reposição de efetivo, valorização salarial e modernização de equipamentos.
Ubiratan Sanderson perguntou para Renato Jaguarão
Tema: escala de trabalho (6x1)
Ubiratan Sanderson apresentou a proposta do senador Rogério Marinho no Senado que busca a flexibilização do regime de trabalho por meio de negociação entre empregador e empregado.
Em resposta, Renato Jaguarão concordou com o diálogo entre as partes, mas argumentou que o principal problema do trabalhador é o baixo poder de compra e o encarecimento do custo de vida.
O debate em fotos
Segundo bloco
No segundo bloco, houve uma rodada de perguntas e debates com tema livre. Cada participante pôde escolher um concorrente e teve 30 segundos para fazer a pergunta. O candidato escolhido teve um minuto para responder. Depois, os dois tiveram três minutos para debate. A gestão do tempo também ficou a cargo dos participantes.
Renato Jaguarão perguntou para Manuela d’Ávila
Tema: significado histórico do 11 de Setembro
Renato Jaguarão direcionou sua pergunta ao significado histórico da data do 11 de Setembro, fazendo referência à Proclamação da República Riograndense (Revolução Farroupilha) nas margens do Jaguarão para criticar a alta carga tributária do governo central. Em resposta, Manuela d'Ávila redirecionou o foco para propostas concretas de sua campanha, como a criação do "Disque Recomeço" para acolher pessoas dependentes de apostas (bets).
Na tréplica, Jaguarão detalhou que a data marcou um momento importante na história do RS. Manuela rebateu afirmando que sua prioridade não é o teatro de datas históricas, mas sim a criação de políticas públicas como o aluguel social para combater o feminicídio e manter as mulheres vivas.
Germano Rigotto perguntou para Ubiratan Sanderson
Tema: superpoderes da presidência do Senado, STF e crise na saúde
Germano Rigotto questionou Ubiratan Sanderson sobre a lacuna no regimento do Senado que permite ao presidente da Casa barrar a instalação de CPIs, cobrando também posicionamentos sobre a situação da saúde pública. Em resposta, Sanderson concordou que há uma omissão institucional do Senado, além de denunciar que o governo federal descumpre a lei de reajuste da tabela do SUS sob a alegação de falta de verbas.
Na tréplica, Rigotto concordou com a necessidade de votar o impeachment de ministros como Alexandre de Moraes e de alterar o método de escolha dos magistrados. No campo da saúde, o ex-governador apontou o endividamento bilionário das Santas Casas e hospitais filantrópicos, afirmando que apresentará uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) caso a atual legislação de correção do SUS não seja cumprida.
Milton Cardoso perguntou para Germano Rigotto
Tema: avaliação sobre o parlamento brasileiro e o protagonismo do Rio Grande do Sul
Milton Cardoso abriu o tema questionando Germano Rigotto sobre como avalia o atual momento do parlamento brasileiro. Em sua resposta, Rigotto desviou do foco para criticar a perda de protagonismo político do Rio Grande do Sul em todas as esferas.
Na tréplica, Milton Cardoso elevou o tom contra a bancada do PL e os partidos tradicionais. Cardoso também alfinetou o histórico de votações de adversários e reforçou sua postura de independência financeira ao afirmar que não utiliza dinheiro público em campanhas.
Ubiratan Sanderson perguntou para Frederico Antunes
Tema: segurança nas fronteiras, tráfico de armas e drogas
Ubiratan Sanderson questionou Frederico Antunes sobre as falhas históricas e o planejamento premeditado que transformaram as fronteiras brasileiras em um "queijo suíço", permitindo a expansão de dezenas de facções criminosas e o livre tráfego de armas e drogas.
Em resposta, Frederico Antunes concordou com a urgência de investimentos estruturais, ampliação de efetivos e cooperação internacional integrada com os países vizinhos para combater o crime organizado nas regiões de fronteira.
Na tréplica, Sanderson reforçou que a fragilidade fronteiriça é fruto de décadas de desestruturação e defendeu a necessidade de um presidente da República corajoso, com foco no fortalecimento integrado da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal e das Forças Armadas.
Paulo Pimenta perguntou para Marcel van Hattem
Tema: igualdade salarial entre homens e mulheres e descontos previdenciários
Paulo Pimenta abriu o debate questionando Marcel van Hattem sobre igualdade salarial e descontos previdenciários. Em resposta, van Hattem argumentou que a igualdade salarial já é garantida pela Constituição e criticou a eficácia da lei federal aprovada no governo Lula, afirmando que a medida acabou prejudicando a inserção das mulheres no mercado de trabalho; além disso, o parlamentar atacou o governo federal sobre denúncias e desvios bilionários envolvendo aposentados e o INSS.
Na tréplica, Paulo Pimenta rebateu culpando a gestão de Jair Bolsonaro por esquemas que teriam prejudicado os aposentados e associou aliados da oposição a financiamentos de campanha ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro. Pimenta defendeu o fim dos descontos e do confisco de aposentadorias, a retomada da paridade e da integralidade para inativos, e anunciou que seu primeiro projeto de lei será para regular e frear os reajustes abusivos aplicados pelos planos de saúde em idosos acima de 60 anos.
Marcel van Hattem perguntou para Renato Jaguarão
Tema: fim de privilégios para parlamentares e governantes
Marcel van Hattem questionou Renato Jaguarão sobre quais medidas práticas adotaria para acabar com os privilégios de parlamentares e governantes. Em resposta, Jaguarão destacou sua própria conduta de austeridade, e relembrou a aprovação do projeto que extinguiu a aposentadoria especial para ex-governadores no Estado.
Em sua tréplica, van Hattem lembrou que também votou favoravelmente ao fim da pensão vitalícia de governadores na Assembleia Legislativa e criticou os supersalários no país. O candidato argumentou que o PT e o atual bloco governista bloqueiam pautas para acabar com essas mordomias em Brasília, reforçando a necessidade de eleger uma maioria sólida no Congresso para extirpá-las.
Manuela d’Ávila perguntou para Paulo Pimenta
Tema: discurso de ódio na internet, telas e golpes digitais
Manuela d’Ávila questionou Paulo Pimenta sobre a circulação de conteúdo de ódio nas redes sociais. Em resposta, Pimenta afirmou que os autores de ataques virtuais costumam recuar diante de debates presenciais e defendeu a necessidade urgente de uma regulamentação federal para responsabilizar as plataformas digitais pela disseminação de fake news e discurso de ódio contra mulheres e minorias.
Na tréplica, Manuela destacou a preocupação das famílias com o uso abusivo de telas por crianças e adolescentes, alertando que o consumo de conteúdos misóginos estimula o feminicídio. Ela defendeu a criminalização do ódio contra as mulheres e a criação de políticas públicas para proteger o cidadão contra golpes digitais e apoiar as vítimas.
Frederico Antunes perguntou para Milton Cardoso
Tema: Agricultura, endividamento no setor e logística
Frederico Antunes iniciou o debate pautando os impactos climáticos adversos no agronegócio e a necessidade de resolver rapidamente o endividamento dos produtores rurais. Em resposta, Milton Cardoso lamentou a falta de espaço para aprofundar o tema, apontando que o Rio Grande do Sul possui a segunda pior logística do país (comprometendo 26,7% do PIB, contra a média nacional de 6%) e criticando o abandono histórico dos produtores e da infraestrutura estadual.
Na tréplica, Antunes concordou que as intempéries e a falta de crescimento frearam entregas essenciais, reforçando a cobrança por soluções rápidas ao endividamento agrícola através de articulações em Brasília. Ele também defendeu a criação de fundos constitucionais para a Região Sul, permitindo atração de investimentos e geração de empregos nos moldes do que já ocorre no Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
No encerramento, cada candidato teve um minuto para as considerações finais.








