
O candidato à Presidência da República, Augusto Cury (Avante), afirmou nesta segunda-feira (7) que o Senado deve discutir pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e voltou a defender a redução do número de integrantes da Corte de 11 para nove.
Durante sabatina da Jovem Pan, Cury disse que nenhum agente público deve ser protegido e afirmou que, em caso de condenação, deve haver afastamento.
— Ninguém deve ser protegido. Ninguém está acima da lei — declarou.
Questionado diretamente se era favorável à discussão de impeachment, Cury respondeu:
— Tem que ter impeachment. O Senado Federal tem que discutir. Ele tem que discutir o impeachment. Como não? Ele tem que ter responsabilidade.
O candidato também criticou a atuação do Congresso e afirmou considerar que o Legislativo tem sido "muito frágil" diante do Supremo.
Segundo ele, em algumas situações, o STF "legisla, ou pelo menos flerta com legislar", em temas que caberiam ao Congresso.
Cury defendeu ainda reduzir de 11 para nove o número de ministros do Supremo. Segundo ele, a proposta tem como referência a composição da Suprema Corte dos Estados Unidos.
— Eu me inspiro muito no que ocorre em alguns países. Por exemplo, a Corte americana, que tem nove. Nós temos que enxugar quadros — afirmou.
No mesmo bloco, Cury disse esperar que o presidente do STF, Edson Fachin, atue "com o máximo de independência, com o máximo de celeridade e com o máximo de justiça" em questões envolvendo a Corte.
Solidariedade para André Mendonça
Em entrevista coletiva concedida após discurso em carro de som, na avenida Atlântica, em Copacabana, no Rio, o candidato mandou "um abraço" para Mendonça.
— Ninguém deve ser poupado até as últimas consequências. Se não for provada culpa nenhuma, estão livres. Mas, se tiver (culpa) tem de haver condenação — continuou o candidato.
Na entrevista, o médico e escritor disse também que quer que o STF tenha independência e que haja "transparência em tudo".
Ele afirmou não estar defendendo "um ministro ou outro ministro" e reafirmou que deseja que Mendonça e o presidente da corte, Edson Fachin "e todos eles possam ter plena independência para poder investigar todos os indícios de corrupção".
Indagado sobre o abraço enviado a Mendonça, Cury afirmou que mandou a sua "solidariedade ao André Mendonça e também para o Dr. Fachin, que é leitor dos meus livros".
Mudanças no Pix
Cury também disse que, se manterá o Pix, mas com "algumas adaptações", sem dar detalhes. O mecanismo de pagamentos brasileiro é alvo de investigação pelo governo norte-americano.
De acordo com o candidato, o Brasil deverá ter, em seu eventual mandato, uma postura pacífica, mas não subserviente.
— Nós vamos manter o Pix no meu governo, mas temos que trazer algumas adaptações.
O candidato participou de uma curta caminhada na Av. Atlântica, em Copacabana, na zona sul do Rio.
— Países que tiveram condições de fazer negociação isolada com outros países terão essa liberdade —, acrescentou, sem detalhar.
— Eu quero conversar com o Javier Milei e com os presidentes dos países do Brics. Por detrás dessa taxação do Trump que está prejudicando as exportações, não apenas do Brasil, mas de quase todo o mundo, há um desespero por solucionar a equação financeira deles.
Segundo Cury, o Brasil é um país pacífico, que tem embaixadores notáveis. "Seremos pacíficos, mas não seremos subservientes em hipótese alguma."


