
Samara Martins tem 38 anos, nasceu em Belo Horizonte, em Minas Gerais, e consolidou sua trajetória pública como uma das lideranças da luta pelo socialismo e da defesa dos direitos dos trabalhadores, das mulheres e da população negra. É radicada em Natal, no Rio Grande do Norte, e atua como vice-presidente nacional da Unidade Popular (UP).
Seu nome foi aprovado de forma unânime pelo diretório nacional do partido em fevereiro. A candidatura foi oficializada em 27 de julho. Raquel Bricio foi anunciada como vice na chapa.
Samara é cirurgiã-dentista, graduada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), e trabalha como servidora pública no Sistema Único de Saúde (SUS).
Trajetória política
Iniciou na militância em 2005, no movimento estudantil em Belo Horizonte, onde participou da fundação do grêmio de sua escola e atuou como diretora da Associação Metropolitana dos Estudantes Secundaristas da Grande Belo Horizonte (Ames-BH). Lá, ajudou a organizar reinvenções pelo meio-passe estudantil.
Ao mudar-se para o Rio Grande do Norte em 2010, reorganizou a União dos Estudantes Secundaristas Potiguares (Uesp), sendo eleita presidente da entidade.
No Ensino Superior, presidiu o Centro Acadêmico de Odontologia da UFRN e foi diretora de mulheres da União Nacional dos Estudantes (UNE) na gestão 2015-2017.
Em 2019, durante o primeiro congresso da Unidade Popular, foi indicada para a vice-presidência nacional do partido. Sua experiência eleitoral inclui ainda candidaturas a vereadora em Natal, em 2020, e a vice-presidente da República em 2022, compondo uma chapa antirracista ao lado de Leonardo Péricles.
No âmbito dos movimentos sociais, milita no Movimento de Lutas nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) e atua no movimento sindical na defesa de pautas dos servidores municipais.
Também coordena o Movimento de Mulheres Olga Benário, conhecido no Rio Grande do Sul pelas ocupações Mulheres Mirabal e antiga Casa Violeta, em Porto Alegre, voltadas ao acolhimento e abrigo de mulheres em situações de violência e vulnerabilidade.
Já residiu no conjunto habitacional Emanuel Bezerra, fruto de ocupação urbana, em Natal, no Rio Grande do Norte.
Candidatura
Samara teve o nome aprovado de forma unânime pelo Diretório Nacional do partido para concorrer à presidência da República neste ano.
Segundo o partido, a oficialização do nome de Samara visa representar um "programa de luta pelo socialismo" como resposta "à terceirização, à pejotização, à uberização, à escala 6×1, às longas e extenuantes jornadas de trabalho, aos baixos salários e à violência contra as mulheres e a população negra.
Samara, que é mãe de dois filhos, tem focado sua campanha no diálogo com a militância em diversos Estados para consolidar as ideias da legenda.
Propostas e programa
Samara Martins posiciona-se à esquerda e defende um programa de ruptura com o sistema capitalista e de construção do poder popular. Entre os eixos centrais de sua plataforma, fundamentada no programa nacional da UP, destacam-se:
- Direitos trabalhistas: defende o fim da escala 6x1 e propõe a redução da jornada de trabalho para seis horas diárias para todos, com aumento geral de salários. Também afirma que combate a precarização do trabalho, a uberização e a pejotização
- Economia: defende a nacionalização do sistema bancário e a reestatização de empresas privatizadas
- Tributação: propõe a anulação de impostos "extorsivos" cobrados do povo e a criação de um imposto sobre grandes fortunas
- Justiça e Direitos Humanos: defende a eleição popular de juízes e tribunais. No campo da memória e justiça, propõe a revisão imediata da Lei da Anistia e a punição para torturadores e assassinos da ditadura militar.
- Políticas sociais: advoga pela descriminalização e legalização do aborto, o combate à LGBTfobia e ao racismo, e a demarcação das terras indígenas. Na educação, defende o fim do vestibular
- Habitação: com base em sua experiência no MLB, defende o direito à moradia digna, a reforma urbana e apoia à luta dos sem-teto.
Articulação internacional
Na esfera internacional, Samara Martins e a Unidade Popular defendem a total independência econômica do Brasil, especialmente em relação aos Estados Unidos.
O programa partidário propõe o fim da "espoliação imperialista" sobre a economia nacional, o que inclui a anulação de acordos e dívidas com estrangeiros que firam a soberania nacional ou os interesses dos trabalhadores.




