
Rui Costa Pimenta, 68 anos, é o candidato do Partido da Causa Operária (PCO) à Presidência da República nas eleições de 2026. Para compor a chapa como vice, foi escolhido Antônio Carlos Silva.
Desde 1995, o paulistano é presidente nacional do partido pelo qual está concorrendo. Em entrevista em abril deste ano, ele afirmou que a candidatura é "um esforço de propaganda política" a fim de aproveitar as eleições para "abrir um debate mais estratégico sobre o Brasil".
Pimenta é editor do diário e do jornal Causa Operária, vinculados ao PCO. O candidato se define como militante trotskista.
Atuante nos movimentos estudantil e sindical
Pimenta nasceu em 25 de junho de 1957, em São Paulo. Ele é formado em Jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero. É casado com Anaí Caproni Pimenta, também militante do PCO.
Conforme biografia divulgada pelo partido, iniciou a trajetória política durante a ditadura militar, em 1976, quando era estudante de Letras na Universidade de São Paulo (USP). Ele passou a integrar o movimento estudantil, foi diretor do Centro Acadêmico de Estudos Linguísticos e Literários da faculdade e participou do Congresso de Refundação da União Nacional dos Estudantes (UNE) em 1980. No mesmo ano, participou da fundação do Partidos dos Trabalhadores (PT).
Também fez parte do Congresso de Fundação da Organização IV Internacional, que daria origem à corrente causa operária do PT. Nos anos 1980, Pimenta integrou movimentos sindicais contra o governo de José Sarney. Em 1985, foi eleito diretor da Central Única dos Trabalhadores (CUT) na região da Grande São Paulo. Entre as funções, atuou como assessor de imprensa da entidade.
Em 1992, os militantes da causa operária declararam ruptura com o PT. Três anos depois, foi fundado o Partido da Causa Operária, inicialmente com registro provisório como partido legal e, após, com registro definitivo.
De acordo com o Diário Causa Operária, vinculado ao partido, Pimenta já concorreu às funções de deputado federal e prefeito de São Paulo. Para Presidência da República, entrou na disputa em 2002, em 2010 e em 2014. Em 2006, durante nova tentativa, teve o registro negado. Em nenhum caso, foi eleito.
Ao longo da vida militante, Pimenta tem publicado livros e artigos sobre marxismo, trotskismo, Revolução Russa, política brasileira e cultura, como O que é o trotskismo: os métodos do PCO e os métodos do PSTU; Aonde vai a esquerda?: crítica às posições da chamada Frente Revolucionária; e Autópsia de uma campanha de calúnias.
Quais são as bandeiras do PCO
Em entrevista ao portal Opera Mundi em abril desde ano, Pimenta defendeu a liberdade de expressão de forma irrestrita, rejeitando propostas de regulação, o que, segundo ele, ampliaria o poder de censura do Estado.
Ele disse ser contra "processos judiciais totalmente ilegais" e, ao abordar o tema, mostrou-se favorável à anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro e aos envolvidos nos atos de 8 de Janeiro.
Um programa oficial de governo para 2026 ainda não foi divulgado, mas, em site próprio, o PCO afirma reivindicar o fim do Supremo Tribunal Federal (STF) e, para o restante do Judiciário, acredita que todos os juízes deveriam ser eleitos, prestar contas e ser retirados dos cargos se houvesse necessidade. Também levanta a bandeira do fim do Senado, argumentando que deveria existir apenas a Câmara dos Deputados, e do fim do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), propondo a construção de uma comissão eleitoral formada pelos partidos.
Armamento, drogas e polícia
Para o PCO, é necessário o armamento dos trabalhadores, assim como a legalização de todas as drogas — embora o partido também critique o uso de entorpecentes.
Uma das principais reivindicações do partido é a extinção das polícias, propondo que cada local, por meio de voto popular, escolha as pessoas responsáveis por fazer a segurança da área.
Economia, educação e saúde
No campo econômico, Pimenta já descreveu o controle do petróleo como essencial para qualquer país independente. Durante a entrevista ao Opera Mundi, também cobrou uma política mais firme voltada a direitos trabalhistas.
Entre as bandeiras do PCO, estão o cancelamento da dívida pública e a redução da jornada de trabalho para o máximo de sete horas por dia em cinco dias na semana.
O partido argumenta, ainda, que todo latifúndio deve ser confiscado para distribuição de terras a pequenos produtores e que um assentamento imediato de todas as famílias sem-terra deve ser realizado.
Para a educação, pontua que deveria existir um sistema público de ensino único, com participação de estudantes, professores e comunidade escolar na escolha do currículo, além de investimento estatal de grande porte na infraestrutura e nas condições de trabalho. Para a saúde, reivindica a estatização de todo o sistema, assim como da produção e distribuição de medicamentos essenciais.



