
Ronaldo Ramos Caiado tem 76 anos, nasceu em Anápolis, em Goiás, e consolidou a trajetória pública como um dos nomes da direita em defesa da agricultura e da pecuária. É também um crítico do Partido dos Trabalhadores (PT).
No seu segundo mandato como governador de Goiás, ele foi oficializado pelo Partido Social Democrático (PSD) como o nome da legenda para a disputa presidencial de 2026. Deixou o cargo e transferiu a Daniel Vilela após ser anunciado como pré-candidato, em março.
A escolha de Caiado tirou a possibilidade do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, que também era cotado pela sigla para representar o grupo político no pleito.
No dia 26 de julho, a candidatura de Caiado foi oficializada pelo partido, com Gilberto Kassab compondo a chapa como vice.
Caiado é médico, com graduação e mestrado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), tendo se especializado em cirurgia de coluna vertebral em Paris, na França. Também atuou como produtor rural e auxiliar de ensino no Departamento de Ortopedia e Traumatologia da UFRJ.
Trajetória política
A vida política dele foi feita no Estado goiano, onde é governador desde 2019. No Executivo, foi o primeiro governador de Goiás eleito e reeleito em primeiro turno (2018 e 2022).
Em 1989, candidatou-se à presidência da República pelo PSD, recebendo menos de 1% dos votos. O resultado fez Caiado ficar no 10º lugar no pleito.
No segundo turno, apoiou Fernando Collor, do Partido da Reconstrução Nacional (PRN), vencedor da eleição na disputa com Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
No ano seguinte, Caiado se candidatou à Câmara dos Deputados e foi eleito como o parlamentar mais votado de Goiás, com 98.256 votos.
Caiado retornou à Câmara, em 1998, e foi novamente um dos mais votados no Estado. Desde então, foi reeleito outras três vezes para o legislativo federal: 2002, 2006 e 2010.
Em 2014, concorreu ao Senado pelo Democratas e se elegeu com 47,57% dos votos válidos.
Candidatura
Caiado buscou o PSD após não ser candidato pelo União Brasil, partido que sucedera o DEM e o PFL, legendas às quais esteve atrelado por mais de 30 anos. Embora tenha anunciado a nova filiação em janeiro, só oficializou a mudança em 14 de março.
A oficialização de seu nome pelo PSD ocorreu após um processo interno que envolveu outros governadores, como Ratinho Júnior (PR) e o gaúcho Eduardo Leite.
A escolha do presidente da sigla, Gilberto Kassab, por Caiado, acabou por retirar a possibilidade de Leite concorrer a Presidente da República pela legenda em 2026. Apesar do desgaste com o gaúcho, Caiado fez um convite público para que o governador do Rio Grande do Sul ocupe um ministério em sua eventual vitória no pleito.
Ao longo do primeiro semestre, a pré-campanha focou na ampliação da agenda em Estados como São Paulo e Minas Gerais. Além disso, buscou consolidar a imagem de Caiado como uma alternativa da direita para romper a polarização entre Lula e o grupo bolsonarista.
— Esse viés, ele está cegando, certamente, às vezes, o debate político. Ele está cada vez mais empobrecendo o debate político. E o debate político, ele deve ser feito numa análise, não de uma torcida de jogo de futebol. Não deve ser um jogo de revanche de 2022, de 2018, deve ser uma eleição que venha olhar para o cidadão — afirmou durante entrevista ao programa Gaúcha Atualidade, da Rádio Gaúcha.
Apesar disso, é um crítico dos governos petistas e chegou a afirmar que o "PT roubou o futuro do Brasil".
Propostas e programa
Representante de uma oligarquia rural que historicamente manteve forte influência na política de Goiás, Caiado sempre se manteve à direita do espectro político. Embora tenha rompido com o então presidente Jair Bolsonaro durante a pandemia, logo buscou reconciliação.
Nos últimos meses, faz da anistia aos condenados pelo 8 de Janeiro e pela trama golpista uma de suas principais promessas de campanha. A segurança pública, com maior rigor penal, também se assemelha à plataforma eleitoral do PL.
Além dessas pautas, ele tem defendido, em entrevistas, que "não se aprende a governar sentado na cadeira de presidente" e que o eleitor busca alguém com experiência comprovada de gestão.
A premissa vem embasando parte da plataforma política para esse ano. Ele acredita que a experiência acumulada em 40 anos de vida pública seja um diferencial para gerir a liturgia do cargo de presidente da República e conviver com o Congresso Nacional.
— Você não aprende a governar sentado na cadeira da presidência da República. Você precisa saber como conviver dentro do Congresso Nacional, dentro dos poderes constituídos e como fazer com que você não seja uma centro-direita apenas para gritar — disse à Rádio Gaúcha.
Caiado também já se manifestou publicamente na defesa de temas como:
- Reforma do Judiciário: propõe mudanças no Supremo Tribunal Federal (STF), sugerindo a exigência de uma idade mínima de 60 anos para a indicação de ministros, para que o cargo seja o ápice da carreira jurídica
- Segurança Pública: defende a classificação de facções criminosas e do narcotráfico como terrorismo, com a possibilidade de parcerias e intercâmbio de informações com forças estrangeiras
- Economia e gestão: propõe o corte de gastos públicos, redução da taxa de juros para combater o endividamento das famílias
- Agronegócio: se mostrou favorável a investimentos em irrigação e manejo de solo como política de Estado para enfrentar desafios climáticos, como a seca
- Minerais: defende a exploração e separação de terras raras no Brasil para o desenvolvimento de ligas, ímãs e baterias
- Política social: defende políticas de emancipação social, como a profissionalização, para que as famílias não "dependam" de benefícios governamentais
- Mulheres: propõe a nacionalização de programas como a Sala Rosa para atendimento especializado a vítimas de violência e prioridade habitacional para mulheres agredidas
Articulação internacional
Na esfera externa, Caiado defende parcerias estratégicas para o desenvolvimento tecnológico e segurança. Já firmou memorandos de entendimento com os Estados Unidos e o Japão para cooperação na área de minerais críticos e terras raras.
No combate ao crime organizado, propõe parcerias com países limítrofes e intercâmbio de inteligência com nações de todo o mundo para combater o narcotráfico.




