
Hertz Dias, 55 anos, é o candidato do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) à Presidência da República nas eleições de 2026. O anúncio da pré-candidatura foi feito no final de fevereiro, como uma proposta de oposição à extrema direita e ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva.
Já a oficialização de Dias como candidato ocorreu em convenção no dia 31 de julho. Vanessa Portugal foi anunciada como vice na chapa.
O partido divulgou um manifesto denominado Por uma alternativa para romper as engrenagens do sistema capitalista. No documento, o tom da campanha: a busca por uma alternativa socialista e um futuro comunista. Segundo o candidato, o PSTU quer mostrar que a classe trabalhadora precisa tomar a frente para haver mudança no país.
Rapper, professor e ativista
Hertz da Conceição Dias é ativista do movimento negro, rapper do grupo maranhense Gíria Vermelha e professor de História da rede pública municipal e estadual no Maranhão. Ele nasceu em 20 de outubro de 1970, em São José de Ribamar (MA), e é casado.
Dias é formado em História e mestre em Educação pela Universidade Federal do Maranhão.
Desde jovem, está no mundo do hip-hop. Ele foi um dos fundadores do Movimento Quilombo Urbano no Maranhão, que une hip-hop à luta contra racismo e em prol de direitos. Em entrevista ao portal Opera Mundi, contou que foi um dos primeiros dançarinos da modalidade breaking no Maranhão.
A trajetória política de Dias não é de hoje. Ele entrou no PSTU por volta de 2010. Naquele ano, tentou conquistar o cargo de vice-governador do Maranhão. Em 2018, foi candidato a vice-presidente de Vera Lúcia (PSTU). Conforme histórico no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em 2020, o maranhense concorreu à prefeitura de São Luís (MA) e, em 2022, ao governo do Maranhão. Em nenhum dos casos obteve sucesso.
Desde 2023, mantém o Canal do Hertz - Raça, Classe & Revolução, no YouTube, no qual se propõe a denunciar e analisar casos de racismo em uma perspectiva marxista.
O que Hertz Dias defende
O manifesto divulgado junto ao anúncio da pré-candidatura começa com críticas à desigualdade da distribuição de riquezas no Brasil, à extrema direita adepta ao bolsonarismo e ao governo Lula.
O documento propõe, então, o que descreve como uma alternativa anti-imperialista, socialista e revolucionária, em prol da "luta pela consciência da classe trabalhadora, dos setores oprimidos e da juventude".
Trabalho e campo
Uma das bandeiras do partido é o fim da escala 6x1, sem redução de salário e sem demissões. O PSTU defende também o aumento geral dos salários, a isenção do Imposto de Renda para assalariados e a revogação das reformas trabalhista e previdenciária, além da valorização de direitos trabalhistas e proteção social aos trabalhadores de aplicativos.
O manifesto lança críticas ao agronegócio em larga escala. Entre as propostas, estão: reforma agrária, demarcação e titulação de terras indígenas e quilombolas e apoio à pequena e média agricultura familiar.
Segurança e racismo
No âmbito da segurança pública, o PSTU reivindica a descriminalização das drogas e a desmilitarização da Polícia Militar, com a criação de uma força de segurança única e civil, controlada pela população.
O manifesto apela, ainda, pelo fim do racismo, do machismo e da LGBTfobia.
"Lutar por soberania"
O PSTU entende que os lucros, em vez de permanecerem no país, são levados para o Exterior: "O capital estrangeiro não vem para construir, mas para sugar o que existe. Compra estatais, adquire empresas estratégicas, desmonta cadeias produtivas, bloqueia a transferência de tecnologia e intensifica a exploração do trabalho", afirma o documento.
O partido também critica a posição de Lula na busca por acordos com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. "Lutar por soberania significa enfrentar o imperialismo e toda a burguesia brasileira com medidas concretas. Passa por revogar o arcabouço fiscal, suspender o pagamento da dívida aos banqueiros, proibir a remessa de lucros, taxar grandes fortunas e impor o controle de capitais. Medidas que obriguem que as riquezas produzidas no Brasil permaneçam aqui", acrescenta.
O manifesto defende, ainda, que não haja anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro e aos presos dos atos de 8 de Janeiro. Reforça também a defesa dos povos palestino, ucraniano, venezuelano e cubano.



