
Edmilson Silva Costa tem 76 anos, nasceu em Pedreiras, no Maranhão, e chegou à política pela resistência à ditadura militar. Hoje, como secretário-geral do Partido Comunista Brasileiro (PCB), é o nome escolhido pela legenda para disputar a presidência da República em 2026. O partido oficializou no dia 1º de agosto a candidatura, e apresentou Cleusa Santos como vice na chapa.
Costa é doutor em Economia pelo Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), com tese defendida em 1996, e realizou pós-doutorado no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da mesma universidade em 2002.
Atualmente, leciona economia no curso de Direito da Universidade Nove de Julho (Uninove), em São Paulo. Também é diretor de pesquisa e formação do Instituto Caio Prado Junior, centro de estudos ligado ao PCB.
Sua produção intelectual inclui:
- O que todo cidadão precisa saber sobre imperialismo (Global, 1986)
- A Política Salarial no Brasil (Boitempo, 1997)
- Um projeto para o Brasil (Tecno-Científica, 1998)
- A Globalização e o Capitalismo Contemporâneo (Expressão Popular, 2008)
- A crise econômica mundial, a globalização e o Brasil (Instituto Caio Prado Júnior, 2013)
- Reflexões sobre a crise brasileira (Instituto Caio Prado Júnior, 2020)
- Além de volumes de poesia e artigos publicados em revistas nacionais e internacionais
Seus temas de pesquisa abrangem economia brasileira, globalização, macroeconomia, capitalismo contemporâneo e crise econômica.
Trajetória política
No campo político, Costa foi dirigente estudantil durante a ditadura e, segundo o PCB, foi perseguido pelo regime. Sua aproximação com o partido remonta à juventude.
Em 2008, concorreu à prefeitura de São Paulo pelo PCB, sem sucesso.
Em 2010, integrou a chapa presidencial como candidato a vice-presidente ao lado de Ivan Pinheiro, então secretário-geral da legenda.
Em outubro de 2016, assumiu o posto de secretário-geral do PCB, cargo que ocupa até hoje.
Uma candidatura "fora do centro"
O PCB é uma das agremiações mais antigas do Brasil, fundado em 1922, mas ocupa espaço marginal no sistema partidário contemporâneo.
A legenda não elege representantes ao Congresso Nacional há décadas e não atingiu o desempenho mínimo exigido pela legislação eleitoral para ter acesso ao fundo partidário ou ao tempo de rádio e TV.
A candidatura de Costa, segundo o partido, não tem como objetivo imediato a vitória eleitoral, mas a disputa de narrativa, como o próprio partido reconhece ao defender a necessidade de "qualificar o debate".
O programa apresentado pelo PCB é extenso e parte de uma crítica explícita ao sistema político vigente. O texto afirma que "o sistema partidário brasileiro está podre" e que as eleições são "definidas pelo poder econômico".
A proposta não se enquadra em um espectro reformista moderado: o documento fala em "ruptura com a velha ordem oligárquica" e na construção do "Poder Popular e do Socialismo".
O que Edmilson Costa defende
Na área econômica, a plataforma propõe a estatização do sistema financeiro e a criação do chamado "Banco dos Trabalhadores", responsável pela gestão dos fundos previdenciários.
Defende também a criação de uma comissão para investigar a origem da dívida pública e a suspensão do pagamento de juro e amortizações.
O plano inclui a retomada para o patrimônio público de empresas estratégicas privatizadas, o controle do câmbio e do comércio exterior e uma reforma tributária com impostos progressivos.
No campo do trabalho, o programa prevê a revogação das reformas trabalhista e previdenciária aprovadas nos governos Michel Temer (MDB) e Jair Bolsonaro (PL).
Propõe jornada de 30 horas semanais sem redução salarial, fim da escala 6x1 e regulamentação dos trabalhadores de plataformas digitais, com registro em carteira e piso salarial.
O salário mínimo, segundo a proposta do PCB, deveria alcançar o patamar calculado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), que em 2025 estava em torno de R$ 7 mil, mais de quatro vezes o mínimo vigente.
Na estrutura política, a candidatura propõe a extinção do Senado e a criação de um parlamento unicameral.
Defende ainda conselhos populares eleitos nos locais de trabalho, moradia e estudo, além da democratização dos meios de comunicação, com o fim dos monopólios privados e a criação de uma empresa pública de comunicação.
O Judiciário seria reorganizado com mandatos por tempo determinado para tribunais superiores.
Nas áreas sociais, a plataforma prevê a estatização integral do sistema de saúde, incluindo a produção de medicamentos e vacinas, e educação 100% pública, com estatização do ensino privado.
No transporte, propõe tarifa zero nas cidades e expansão da malha ferroviária.
Inclui ainda reforma agrária, demarcação de terras indígenas e quilombolas e programas habitacionais para zerar o déficit do país.
Posição internacional
Na política externa, o programa do PCB reafirma o que chama de "internacionalismo" e declara solidariedade a Cuba, Venezuela e Palestina, com oposição explícita ao que denomina imperialismo.
O texto critica tanto o modelo neoliberal quanto o que chama de "neofascismo" e rejeita a "conciliação de classes", expressão usada na esquerda para criticar governos que negociam com o capital sem promover ruptura estrutural.
A candidatura de Costa pelo PCB se posiciona no campo mais à esquerda entre as disputas presidenciais previstas para 2026.



