
Os principais pré-candidatos ao governo do Rio Grande do Sul voltaram a discutir suas propostas para o Estado na noite deste domingo (9), em debate promovido pela Rede Bandeirantes. Durante duas horas, Gabriel Souza (MDB), Juliana Brizola (PDT), Luciano Zucco (PL) e Marcelo Maranata (PSDB) apresentaram ideias e fizeram cobranças mútuas.
Com a atual gestão criticada pelos adversários, o vice-governador, Gabriel Souza, teve de responder sobre supostas falhas nas políticas estaduais de educação, saúde, segurança e infraestrutura, entre outros temas. Em terceiro lugar nas pesquisas, o emedebista reagiu, instando os demais pré-candidatos a apresentar propostas alternativas aos programas em vigor.
Mediado pelo jornalista Oziris Marins, o debate foi realizado no centro de eventos da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), em Porto Alegre, e contou com 20 convidados e seis assessores por candidatura na plateia. Nas últimas semanas, a entidade havia entregue aos quatro principais pré-candidatos um caderno com 118 propostas para o futuro do Estado.
Gestão, educação e saúde
O debate começou quente logo no primeiro bloco. Maranata cobrou Juliana por uma fala da trabalhista na Rádio Gaúcha, na qual ela classificou como "cidade pequena" o município de Guaíba, administrado pelo tucano até abril, quando ele renunciou para concorrer a governador.
Na resposta, ela disse que respeitava Guaíba e disse que o adversário havia abandonado os moradores ao deixar o cargo antes do término do mandato.
— Você não fez gestão nem de uma empresa, nem de um negócio, nem foi prefeita de nenhum município — pontuou Maranata.
— A verdade é essa, teu município gastou mais do que arrecadou. E tu está, sim, traindo teus eleitores — rebateu Juliana.
Discutindo sobre educação, Zucco prometeu revogar a portaria que permite a aprovação de ano dos alunos da rede estadual que são aprovados mesmo rodando em até quatro disciplinas. Isolado no começo do debate, Gabriel aproveitou a deixa e perguntou a Zucco qual o percentual de alunos da rede estadual que haviam sido aprovados no sistema de progressão parcial.
— Vá lá em Tramandaí e pergunta se funcionou essa aprovação — provocou Zucco.
— Não respondeu a pergunta. Sabe quantos por cento estão nesse sistema? 1% — devolveu Gabriel.
A saúde pública monopolizou o debate no final do primeiro bloco. Zucco prometeu aumentar o número de especialistas nos postos de saúde, Juliana citou um projeto de lei de sua autoria que permite destinação de parte do ICMS para hospitais, Gabriel destacou programa da atual gestão que atende pessoas com espectro autista e Maranata defendeu maiores investimentos do Estado nos municípios.
Ainda no primeiro bloco, o emedebista cobrou de Juliana a correção da tabela SUS pelo governo federal, destacando que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva apoia a candidatura do PDT no Estado. Juliana prometeu ampliar os investimentos em saúde e criticou a fila de espera para consultas com especialistas.
Na sequência, Maranata criticou a iniciativa do atual governo de enviar à Assembleia Legislativa o envio de um projeto que cria loterias no Estado.
— O governo é contra instalar bets estaduais. O que tu está querendo dizer é a loteria federal. Nós tínhamos aqui a Lotergs. Poderíamos ter adotado o sistema de bets e decidimos não adotar — respondeu Gabriel.
— Para mim, a Lotergs é mais uma casa para tirar dinheiro do povo gaúcho. As nossas filas hoje na saúde psiquiátrica são com pessoas doentes e sendo cobradas por agiotas — comentou o tucano.
Enchente, apoios e dívida
Instada pela produção do programa a falar sobre suas propostas para prevenção a enchentes e eventos climáticos extremos, Juliana defendeu um sistema mais eficaz de alerta. Escolhido para complementar a questão, Zucco priorizou investimentos em moradia.
— Precisamos de um projeto claro, de Estado, e não de um governo só, de resiliência e reconstrução. Precisamos de protocolos claros. A população não sabe o que fazer quando começa a chover — disse a pedetista.
— O Estado está reativo ou preparado? Os governos estadual e federal entregaram apenas 10% das casas. A primeira estratégia deve ser retirar as pessoas das áreas de risco — observou Zucco.
No último bloco, com os candidatos se questionando entre si sobre tema livre, Gabriel perguntou a Juliana quais políticas dos governos Olívio Dutra e Tarso Genro, ambos do PT, iria reprisar numa eventual gestão à frente do Palácio Piratini. Juliana disse ser uma política de diálogo e capaz de formar alianças políticas com diferentes setores da sociedade. Gabriel salientou sua experiência em articulação política como deputado e presidente da Assembleia.
— Eu tenho o apoio do presidente Lula, que honra. Assim como tive o apoio do governador Eduardo Leite. Eu transito em todos os espectros políticos. Tu perdeu toda a base que o Eduardo Leite construiu — disse Juliana.
— Eu represento o governo atual com muito orgulho. Avançamos muito, não podemos permitir retrocessos. Temos muito que avançar ainda, mas o governo Olívio afugentou a Ford do Rio Grande do Sul — rebateu Gabriel.
Na rodada seguinte, Zucco perguntou a Maranata qual seria sua estratégia para renegociação da dívida com a União. Ambos defenderam cortes de gastos na administração pública e uma forte atuação em Brasília junto ao governo federal.
— O Rio Grande do Sul precisa apresentar um plano de desenvolvimento. Primeiro, nós vamos enxugar a máquina. Quem não pode perder é o povo. A gente foi abandonado em Guaíba — afirmou o ex-prefeito.
— Nós vamos renegociar a dívida. Como líder da oposição, eu entendo que a articulação com os Estados devedores é fundamental. Nós não somos uma ilha — disse Zucco.
Também são pré-candidatos ao governo do RS Cesar Pontes (PCO), Priscila Voigt (UP) e Rejane de Oliveira (PSTU). Todavia, eles não foram convidados porque seus partidos não têm representação no Congresso Nacional.

