O primeiro debate ao governo do Estado após a realização das convenções partidárias mostrou quatro visões distintas sobre o futuro do Rio Grande do Sul. Promovido pela rádio Gaúcha, o encontro reuniu Gabriel Souza (MDB), Juliana Brizola (PDT), Luciano Zucco (PL) e Marcelo Maranata (PSDB). Por duas horas, eles confrontaram propostas, com críticas mútuas, porém concentrando maiores cobranças à atual gestão, representada por Gabriel.
Com formato dinâmico, em que os postulantes respondiam a perguntas e depois discutiam o tema durante quatro minutos enquanto caminhavam pelo palco, o quarteto debateu sobre educação, saúde, prevenção a enchentes e desenvolvimento econômico, entre outros temas.
Atual vice-governador, Gabriel manteve embates sucessivos, sobretudo com Zucco. As primeiras críticas surgiram logo no primeiro bloco, quando Juliana respondeu sobre educação. Citando as dificuldades dos estudantes em interpretar textos e os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), ela convidou Zucco para discutir a questão.
O que disseram os colunistas sobre o debate
— Esse Estado está tendo o resultado maquiado. É inadmissível — disse Zucco, citando a medida do governo que permitiu aprovação de estudantes reprovados em até quatro disciplinas.
— Vou impulsionar o modelo cívico-militar, sou o autor da lei — completou.
— Sou autora da lei de escola de tempo integral. Já temos quase 20 mil crianças atingidas. Sou contra escola cívico-militar, porque o papel do militar é defender a soberania nacional, o que eles não estão fazendo — respondeu Juliana.
Na sequência, debatendo sobre emergência climática, Maranata cobrou Gabriel sobre a aplicação dos R$ 6,6 bilhões do fundo criado para reconstrução do Estado. Salientando sua experiência como ex-prefeito de Guaíba e sua atuação na enchente, o tucano reclamou da demora na entrega das obras.
— As pessoas vivem angustiadas. O maior desafio do próximo governador é levantar a autoestima do povo gaúcho, a gente voltar a ter segurança e esperança para morar e investir em qualquer lugar do Rio Grande. A burocracia não pode vencer as pessoas — disse Maranata.
— Não dá pra usar a dor das pessoas para fazer proselitismo político e vídeo na internet. Um prédio de 10 andares demora cinco anos para ser construído. O governo tem o Plano Rio Grande, com mais de 200 projetos na sua carteira — rebateu Gabriel.
No segundo bloco, Gabriel usou uma pergunta sobre desenvolvimento econômico para rebater Zucco sobre a afirmação de que o resultado do Ideb estaria sendo maquiado.
— Me parece que tu tens habilidade de confundir convicção com equívoco. Se tu estás desinformado no debate da Gaúcha, imagina com a caneta de governador — provocou o emedebista, dizendo que não há aprovação automática.
Autora de um projeto de lei que destinaria parte da receita do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para investimentos em hospitais, Juliana Brizola disse que a saúde é o tema que mais preocupa os gaúchos, com mais de 800 mil pessoas na fila da rede pública. Na resposta, Maranata disse que a iniciativa de Juliana "não dá certo".
— Esse projeto não dá para executar — pontuou.
— Eu acho que tu não leste o projeto — rebateu Juliana.
— Tu falas com a experiência de deputada. Eu falo com a experiência de prefeito. As pessoas batem na minha porta, nunca bateram na tua porta — devolveu o tucano.
— Eu não desprestigio quem é prefeito, espero que tu não desprestigies quem é deputado. Tu não leste o projeto — concluiu a trabalhista.
Juliana e Maranata voltaram a se enfrentar ao debaterem acerca de propostas para quem vive em favelas e em comunidades humildes, desprovidas de maior infraestrutura.
— A gente fez em Guaíba uma capacitação em economia popular solidária. A gente quer fazer 2 mil escolas empreendedoras. Vamos formar essa juventude para que seja empreendedora de verdade —afirmou Maranata.
— Falta Estado nas nossas comunidades. Muitas vezes o posto de saúde está fechado quando a mãe volta do trabalho. Quero muito que elas sejam empreendedoras, mas está faltando educação. Não tem nem creche — disse Juliana.
Zucco e Gabriel foram os que mais se confrontaram no palco. Na segunda vez em que debateram, incitados a responder sobre a abertura de mercados para produção gaúcha, houve nova troca de provocações. Zucco criticou os gastos com publicidade no atual governo, citando uma licitação vencida pela empresa do publicitário que coordena o marketing da campanha de Gabriel.
— Temos grande parcela do povo gaúcho preocupada com a publicidade. Foi tentado agora, o teu marqueteiro, em julho, fechar um contrato. Isso é imoral. Digo mais, R$ 170 milhões em publicidade — pontuou Zucco.
— Estou ávido para saber a tua capacidade de conhecimento do Estado porque parece que tu não a tens. Para ser governador tem que ter muito mais do que tu apresentaste. Tu não respondeste a pergunta sobre fortalecer o produto gaúcho no Exterior.
Na última rodada, com os pré-candidatos se questionando entre si sobre tema livre, Maranata e Zucco compartilharam suas visões sobre segurança e prevenção a enchentes, ambos com críticas ao governo do Estado.
— Eu queria sair daqui e ir a uma obra do governo do Estado para enxergar uma obra, uma obra só. Eu saio daqui com o Gabriel, de mão dada, para ele me mostrar uma obra com o dinheiro de R$ 6,6 bilhões que está no caixa — disse Maranata.
— Não pode mais um governo vir a público dizer que não vai ter inundação e, de madrugada, centenas de famílias serem pegas de surpresa. Vamos ter um sistema de proteção efetivo. O Estado estará preparado e não será reativo — disse Zucco.
Na rodada seguinte, Gabriel lembrou da presença do PDT nos últimos governos, inclusive na atual gestão, e perguntou quais programas ela pretende manter se eleita. Juliana citou o RS Seguro, com ressalvas a supostas falhas no combate a feminicídios.
— O RS Seguro é um bom programa, mas esqueceu de tratar dos feminicídios. É dever do Estado proteger as nossas mulheres. Tudo que é bom a gente vai manter. Não tem terra arrasada — salientou.
No último embate, debatendo sobre saúde e articulação nacional, Gabriel disse que vai ampliar os investimentos e cobrar ações do governo federal.
— A tabela SUS está inviabilizando o atendimentos dos hospitais, pagar pouco mais de R$ 10 por uma consulta com especialistas. Eu vou zerar a fila do SUS, a partir do SUS Gaúcho, um programa que nós criamos — disse Gabriel.
Transmitido ao vivo direto do Teatro 40 da PUCRS e mediado pela jornalista Andressa Xavier, o debate contou com cerca de cem pessoas na plateia, entre ouvintes da Gaúcha, assinantes de GZH e representantes de entidades e diferentes setores da sociedade gaúcha.
Zucco foi o primeiro a chegar, às 7h16min, seguido de Maranata, Gabriel e Juliana. Antes do programa, eles ficaram no foyer do Teatro, conversando com assessores, mas sem interagir entre si. Dos pré- candidatos a vice, apenas Cláudio Diaz (PSDB), de Maranata, não compareceu.
Também pré-candidatos ao Piratini, Cesar Pontes (PCO), Priscila Voigt (UP) e Rejane Oliveira (PSTU) não participaram porque seus partidos não têm representação no Congresso.












