
A Unidade Popular (UP) oficializou neste domingo (26), em São Paulo, a candidatura da cirurgiã-dentista Samara Martins à Presidência da República. Aos 38 anos, a servidora do Sistema Único de Saúde (SUS) encabeçará uma chapa inteiramente feminina, ao lado da sindicalista e guarda portuária paraense Raquel Brício, escolhida para vice.
Samara é, até agora, a única mulher confirmada na disputa pelo Planalto.
Durante a convenção, realizada na Universidade Zumbi dos Palmares, a política apresentou as linhas centrais do programa partidário. Entre as propostas estão a reestatização de empresas privatizadas, a nacionalização de setores considerados estratégicos, a auditoria da dívida pública e o redirecionamento de recursos federais para políticas sociais. Na área trabalhista, ela defende o fim da escala 6x1, a redução da jornada para seis horas diárias e o aumento geral dos salários.
A campanha também promete dobrar o salário mínimo em 2027. Pela projeção divulgada pela UP, o piso passaria de R$ 1.621 para R$ 3.242. Samara ainda defende a criminalização da misoginia, a responsabilização das plataformas digitais por conteúdos de ódio contra mulheres e mecanismos legais para ampliar a presença feminina e negra nos espaços de poder.
Esta será sua segunda participação em uma eleição presidencial. Em 2022, concorreu como vice de Léo Péricles, presidente nacional da UP. A chapa recebeu 53.519 votos, equivalentes a 0,05% do total.
Quem é Samara Martins
Nascida em Belo Horizonte, Samara vive no Rio Grande do Norte e é formada em Odontologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Trabalha como servidora municipal no SUS e ocupa a vice-presidência nacional da Unidade Popular. Mãe de dois filhos, iniciou a militância em 2005, ainda no movimento estudantil secundarista.
Depois de se mudar para Natal, em 2010, presidiu a União dos Estudantes Secundaristas Potiguares e, durante a graduação, comandou o centro acadêmico de Odontologia da UFRN. Entre 2015 e 2017, foi diretora de mulheres da União Nacional dos Estudantes (UNE). Em 2019, passou a integrar a direção nacional da UP. Também disputou uma vaga na Câmara de Vereadores de Natal em 2020.
Samara atua ainda no Movimento de Lutas nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB), na Frente Negra Revolucionária e no Movimento de Mulheres Olga Benário. A organização ficou conhecida no Rio Grande do Sul pelas ocupações Mulheres Mirabal e da antiga Casa Violeta, em Porto Alegre, destinadas ao acolhimento de mulheres em situação de violência e vulnerabilidade.
