
O partido Missão antecipou sua convenção nacional e oficializou, na manhã desta segunda-feira (20), a candidatura de Renan Santos à Presidência da República.
A convenção estava inicialmente marcada para 1º de agosto, mas foi antecipada, segundo a legenda, para que o candidato pudesse contar com o apoio da Polícia Federal durante o evento público de lançamento da campanha, mantido para 1º de agosto.
Por meio de sua assessoria de imprensa, o presidenciável afirmou que a decisão foi tomada por orientação da equipe de segurança após novos episódios de intimidação atribuídos a facções criminosas.
Renan disse ter retornado do Ceará após ameaças de duas organizações criminosas e afirmou ter sido alvo de novas intimidações em São Paulo, onde reside. Também relatou que, durante agenda no Rio de Janeiro, voltou a ser ameaçado pelo Comando Vermelho (CV).
A convenção também oficializou o gaúcho Aroldo Medina, 62 anos, como candidato à vice. Natural de Santana do Livramento, na Fronteira Oeste, ele é tenente-coronel da reserva da Brigada Militar do Rio Grande do Sul.
O evento de 1º de agosto reunirá lideranças, filiados e apoiadores e marcará a apresentação pública da candidatura de Renan.
Na ocasião, também será apresentado o Livro Amarelo, documento que reúne as principais propostas da campanha para áreas como segurança pública, economia, educação, infraestrutura e reforma do Estado.
Quem é Renan Santos
Nascido em 14 de fevereiro de 1984, Renan Antônio Ferreira dos Santos cresceu no bairro da Mooca, zona leste de São Paulo, filho de um advogado e de uma psicóloga. Ingressou no curso de Direito da Universidade de São Paulo (USP). Deixou a faculdade para trabalhar com o pai em um grupo voltado à restruturação de empresas.
Em 2014, após a reeleição de Dilma Rousseff (PT), Renan reuniu um grupo de amigos, entre eles Kim Kataguiri (Missão-SP) e Rubinho Nunes (União Brasil-SP), para fundar o Movimento Brasil Livre (MBL).
Em março de 2015, o movimento ajudou a organizar o que estimativas da época apontam como uma das maiores manifestações da história recente do Brasil. O foco era defesa da Operação Lava-Jato e contra o governo Dilma. Renan liderou o ato na Avenida Paulista.
Por anos, o MBL apoiou candidaturas em diferentes partidos, sem possuir legenda própria. Em 2023, Renan liderou o projeto de criação de uma sigla independente.
Em 4 de novembro de 2025, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovou o Partido Missão como 30º partido registrado no Brasil.
Renan Santos construiu sua trajetória pública em torno do liberalismo econômico, da redução da intervenção estatal e do incentivo ao empreendedorismo.
Na área de segurança pública, defende postura mais dura do Estado contra o crime organizado. Fala em aplicar o conceito de "direito penal do inimigo" a membros de facções criminosas e não descarta debater a prisão perpétua e a pena de morte para crimes não militares.
Sua candidatura adota discurso de oposição tanto ao PT quanto ao bolsonarismo, posicionamento que define como uma direita "altamente pragmática".
Em pesquisas divulgadas no fim de 2025, Santos registrou índices mais expressivos entre jovens da geração Z, público que declarou querer priorizar na campanha.
Quem é Aroldo Medina
Aroldo Medina concorreu, em 2002, ao governo do Rio Grande do Sul pelo Partido Liberal (PL). Dois anos depois, tentou prefeitura de Canoas pelo extinto PFL (atual União Brasil).
Em 2010, concorreu mais uma vez ao governo gaúcho pelo extinto Partido Republicano Progressista (PRP), incorporado ao Patriota em 2019, o qual, por sua vez, fundiu-se ao Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) para formar o Partido Renovação Democrática (PRD).
Quatro anos depois, candidatou-se a deputado estadual pelo PSD. Ele voltou a disputar o cargo em 2018 pelo PV.
Em 2024, Medina candidatou-se a vereador de Porto Alegre pelo PL. Na ocasião, declarou um patrimônio de R$ 1,3 milhão à Justiça Eleitoral.




