
Dos 35 vereadores da Câmara de Porto Alegre, pelo menos 22 irão concorrer ao cargo de deputado estadual ou federal na eleição de 2026. Com as candidaturas já definidas, 12 tentarão assento na Assembleia Legislativa e 10 na Câmara.
Enquanto o resultado das urnas não é conhecido, é possível afirmar que a quantidade de postulações mantém uma tendência de crescimento: em 2022, foram 20 vereadores da Capital concorrendo aos mesmos postos, dos quais sete foram eleitos, um recorde histórico. A maior marca anterior havia sido registrada em 2018, com cinco vereadores porto-alegrenses alçados a deputado.
Conforme análise dos partidos representados no Legislativo porto-alegrense, cerca de metade das candidaturas são consideradas competitivas. Ou seja, com chances reais de eleição.
Já as postulações restantes seriam estratégicas para preencher cotas (de gênero e raça) e puxar votos a correligionários em "dobradinhas" para os cargos de deputado federal e estadual em busca do quociente eleitoral — quantidade de votos que garante uma cadeira. Estimulando o eleitor a votar em dupla para candidatos de um mesmo partido, evita-se a migração para outras legendas.
Fenômeno recente
Servidor da Câmara de Vereadores de Porto Alegre há 47 anos, o diretor Legislativo Luiz Afonso Peres comenta que nunca houve tamanha força na Casa para alçar nomes aos cenários estadual e nacional.
— Sem dúvida, a Câmara e os vereadores cresceram em influência nas eleições a deputado. Tivemos alguns fenômenos antigamente, mas eram pontuais, não tinha esse empuxo todo — diz Peres.
Existem explicações para a mudança de patamar dos parlamentares da Capital, que estão contestando a antiga máxima de que é improvável se elegerem deputados pelo fato de não serem conhecidos nem terem voto fora das circunscrições de Porto Alegre. Em contrapartida, diversas lideranças estaduais consolidadas, com bases políticas no Interior, historicamente beliscam votos em Porto Alegre, dividindo ainda mais o bolo do eleitorado.
Entre as evidências para o fenômeno, são citadas as pautas ideológicas e a ampliação do alcance do discurso pelas redes sociais. O hastear de bandeiras temáticas — como antirracismo, direitos da mulher e liberdade econômica — também auxilia vereadores a romperem as barreiras da Região Metropolitana por meio do conceito da identificação.
O cientista político Daniel De Neque, pesquisador de relações de poder e dinâmica eleitoral, ajuda a explicar o fenômeno de um vereador "conseguir votos onde nunca pisou":
A polarização intensificada a partir de 2018 organiza parte da escolha eleitoral por pertencimentos ideológicos que atravessam fronteiras municipais, o que permite que uma pauta compartilhada crie conexão entre candidato e eleitor sem intermediação de uma liderança local
DANIEL DE NEQUE
Cientista político
Contudo, munido do mapa de votos dos sete vereadores de Porto Alegre eleitos deputados em 2022, De Neque faz ponderações.
— A distribuição territorial dos eleitores mostra que eles permaneceram dependentes de Porto Alegre e da Região Metropolitana. Os votos de fora desse núcleo aparecem como complemento disperso e polos secundários pontuais — diz De Neque.
Os parlamentares aglutinaram apoios na Capital e na Região Metropolitana e, a partir da ampliação do reconhecimento público, abriram a porta para somar alguns votos no Interior.
O cientista político acrescenta que a estrutura do mandato na Câmara — incluindo as emendas ao orçamento municipal — e o fato de os principais veículos de imprensa estadual ficarem em Porto Alegre “facilitam a incorporação do vereador ao debate estadual”.
— A Câmara de Porto Alegre se consolidou como plataforma de recrutamento e formação de carreiras, com vantagem competitiva sobre o Interior que nasce da densidade metropolitana, exposição midiática e estrutura partidária. Mas o resultado eleitoral continua dependendo da força individual do candidato, e não de uma força coletiva da Casa — diz De Neque.
Quais são os 22 vereadores de Porto Alegre que são pré-candidatos a deputado em 2026
Deputado estadual
- Alexandre Bublitz (PT)
- Cláudia Araújo (PSD)
- Comandante Nádia (PL)
- Erick Dênil (PCdoB)
- Giovane Byl (Podemos)
- Giovani Culau (PCdoB)
- Karen Santos (PSOL)
- Marcos Felipi (PP)
- Moisés Barboza (PSDB)
- Natasha Ferreira (PT)
- Professor Vitorino (MDB)
- Ramiro Rosário (Novo)
Deputado federal
- Atena Roveda (PSOL)
- Coronel Ustra (PL)
- Fernanda Barth (PL)
- Gilson Padeiro (PSDB)
- Jessé Sangalli (PL)
- Jonas Reis (PT)
- Márcio Bins Ely (PDT)
- Mariana Lescano (PP)
- Roberto Robaina (PSOL)
- Tiago Albrecht (Novo)
Bancadas de vereadores com mais candidatos em 2026
- PL (4)
- PT (3)
- PSOL (3)
Bancadas em que todos os vereadores concorrem em 2026
- PL (4)
- Novo (2)
- PCdoB (2)
- PDT (1)
- PSD (1)
Em 2022, 20 vereadores de Porto Alegre concorreram à Assembleia Legislativa e à Câmara Federal. Sete deles conquistaram cadeiras:
- Daiana Santos (PCdoB) se elegeu deputada federal
- Bruna Rodrigues (à época no PCdoB, hoje no PSB), Felipe Camozzato (Novo), Kaká D’Ávila (à época no PSDB, hoje no Podemos), Laura Sito (PT), Leonel Radde (PT) e Matheus Gomes (PSOL) se elegeram deputados estaduais
A eleição de 2022 representou um recorde na ascensão de vereadores da Capital para os parlamentos gaúcho e federal.


