Os dois principais candidatos à Presidência da República enfrentam dificuldades nos arranjos políticos estaduais.
A 80 dias do primeiro turno das eleições de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ainda não tem definido o nome que apoiará ao governo em três Estados. Por sua vez, o senador Flávio Bolsonaro (PL) está sem palanque em seis unidades da federação. (veja o mapa, abaixo).
O principal problema dos presidenciáveis reside em Minas Gerais. O Estado é considerado o mais estratégico nas disputas nacionais tanto pelo número de eleitores — é o segundo maior colégio eleitoral do país, com 16,2 milhões de eleitores, quase o dobro do Rio Grande do Sul) — quanto pelo perfil ideologicamente diverso entre seus 853 municípios.

Desde a eleição de 1989, o candidato que venceu em Minas Gerais se elegeu presidente da República.
Após duas tentativas frustradas, Lula sacramentou seu candidato na última quinta-feira, em reunião com o deputado federal Patrus Ananias (PT). Antes, o presidente tentou convencer o senador Rodrigo Pacheco (PSB) e a ex-prefeita de Contagem Marília Campos (PT) a concorrer, que refutaram a investida.
Marília deve concorrer ao Senado, e Pacheco anunciou que não concorrerá a reeleição.
Aos 74 anos, Patrus se preparava para uma reeleição tida como tranquila. Ele assentiu às primeiras sondagens de lideranças petistas, mas condicionou a candidatura a uma conversa pessoal com Lula. Um dos argumentos para seduzi-lo foi a boa pontuação obtida em pesquisa feita pelo PT na semana passada, na qual alcançou índices semelhantes aos de Marília.
O anúncio oficial da candidatura, porém, só deverá ocorrer nos próximos dias, após uma reunião de líderes petistas mineiros.
Na direita, a situação é semelhante. Líder nas pesquisas, o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) é preferido de Flávio, mas resiste a confirmar a candidatura. A demora na definição tem irritado o comando do PL, que considera Cleitinho inconfiável. Em meio de mandato, ele não precisaria renunciar para concorrer a governador.
Outro motivo de irritação é o comportamento do deputado federal Nikolas Ferreira (PL), um dos mais influentes do país e alvo de reclamações por não se empenhar na campanha de Flávio nem ajudar na construção de um palanque no Estado. Como alternativa a Cleitinho, o PL trabalha com os nomes do presidente licenciado da Federação das Indústrias de Minas Gerais, Flávio Roscoe, filiado em março, e do empresário e ex-prefeito de Betim Vittorio Medioli.
Definições em 10 dias
Coordenador político da campanha de Flávio, o senador Rogério Marinho (PL-RN) tenta acelerar as costuras políticas para entregar todas as alianças regionais até a convenção nacional do PL, marcada para 25 de julho. Os maiores entraves são no Nordeste, onde ainda não há candidatura aliada nos dois maiores colégios eleitorais, Bahia e Pernambuco, além do Maranhão.
Na Bahia, Flávio busca atrair ACM Neto (União Brasil), mas o ex-prefeito de Salvador evita colar sua imagem ao bolsonarismo em um território governado pelo PT há 16 anos. O sentimento se repete em Pernambuco e Maranhão, Estados em que o senador ainda não tem candidato e são tidos como fortalezas eleitorais de Lula, ambos oferecendo dois palanques ao presidente.
Palanques duplos
Em Pernambuco, o apoio de Lula é disputado pela governadora Raquel Lyra (PSD) e pelo prefeito de Recife, João Campos (PSB). No Maranhão, o governador Carlos Brandão (MDB) ignorou a pretensão do vice Felipe Camarão (PT) de sucedê-lo e lançou a candidatura do sobrinho Orleans Brandão (MDB).
Pragmático, Lula não brigou com Carlos nem obrigou o PT a recuar, mantendo dois aliados na disputa estadual, além de flertar com o líder nas pesquisas, Eduardo Braide (PSD), que se manterá neutro na eleição presidencial. O petista também terá palanques duplos na Paraíba, com Lucas Ribeiro (PP) e Cícero Lucena (MDB), e no Distrito Federal, com Leandro Grass (PT) e Ricardo Cappelli (PSB).
Lula ainda carece de palanque em Roraima e Goiás. Em Roraima, o PT mantém Antônia Pedrosa como candidata, mas Lula busca aproximação com o ex-governador Edilson Damião (União Brasil). Em Goiás, Lula convidou a deputada federal Delegada Adriana Accorsi (PT), mas, por enquanto, o partido manteve a indicação no ex-deputado estadual Luís César Bueno.
Flávio, por sua vez, ainda não selou aliança em Alagoas, onde negocia com o ex-prefeito de Maceió João Henrique Caldas (PSDB), o JHC, e no Amapá, Estado em que conduz tratativas com o ex-prefeito de Macapá Antônio Furlan (PSD). A costura dos arranjos políticos tem desafiado o presidenciável, principalmente após a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro criticar o acerto com Ciro Gomes (PSDB) no Ceará.
Para chancelar as escolhas do filho, o ex-presidente Jair Bolsonaro escreveu uma carta salientando que Flávio é seu porta-voz e tem autonomia para fechar acordos estaduais. A leitura dela nas redes sociais levou o STF a proibir visitas de Flávio ao pai por 90 dias.
Aliados ideológicos do bolsonarismo, como Republicanos e a federação PP-União Brasil, relutam em integrar uma coligação nacional com o PL. A federação tem sido pressionada no sentido contrário pelos diretórios do Norte e Nordeste, por conta de alianças locais com o PT. Já o Republicanos exige apoio do PL a seus candidatos em Minas Gerais, Mato Grosso, Acre e Espírito Santo, este último o mais próximo de ser oficializado.
No cômputo geral, até agora Flávio tem 13 palanques do PL, dois do PP, dois do Republicanos, um do PSDB, um do Podemos, um do União Brasil e um palanque duplo (PSDB e Republicanos).
Lula tem oito palanques do PT, cinco do PSD, dois do PDT, dois do PSB, dois do MDB e um do União Brasil, bem como quatro palanques duplos (PT e PSB, PT e MDB, PSB e PSD, e PP e MDB).
Os palanques
Acre
- Lula: Thor Dantas (PSB)
- Flávio: Alan Rick (Republicanos) e Tião Bocalom (PSDB)
Alagoas
- Lula: Renan Filho (MDB)
- Flávio: indefinido
Amapá
- Lula: Clécio Luis (União Brasil)
- Flávio: indefinido
Amazonas
- Lula: Omar Aziz (PSD)
- Flávio: Maria do Carmo Seffair (PL)
Bahia
- Lula: Jerônimo Rodrigues (PT)
- Flávio: indefinido
Ceará
- Lula: Elmano de Freitas (PT)
- Flávio: Ciro Gomes (PSDB)
Distrito Federal
- Lula: Leandro Grass (PT) e Ricardo Capelli (PSB)
- Flávio: Celina Leão (PP)
Espírito Santo
- Lula: Helder Salomão (PT)
- Flávio: Lorenzo Pazolini (Republicanos)
Goiás
- Lula: indefinido
- Flávio: Wilder Morais (PL)
Maranhão
- Lula: Felipe Camarão (PT) e Orleans Brandão (MDB)
- Flávio: indefinido
Mato Grosso
- Lula: Natasha Slhessarenko (PSD)
- Flávio: Wellington Fagundes (PL)
Mato Grosso do Sul
- Lula: Fábio Trad (PT)
- Flávio: Eduardo Riedel (PP)
Minas Gerais
- Lula: indefinido
- Flávio: indefinido
Pará
- Lula: Hana Ghassan (MDB)
- Flávio: Daniel Santos (Podemos)
Paraíba:
- Lula: Lucas Ribeiro (PP) e Cícero Lucena (MDB)
- Flávio: Efraim Filho (PL)
Paraná
- Lula: Requião Filho (PDT)
- Flávio: Sergio Moro (PL)
Pernambuco
- Lula: João Campos (PSB) e Raquel Lyra (PSD)
- Flávio: indefinido
Piauí
- Lula: Rafael Fonteles (PT)
- Flávio: Toni Rodrigues (PL)
Rio de Janeiro
- Lula: Eduardo Paes (PSD)
- Flávio: Douglas Ruas (PL)
Rio Grande do Norte
- Lula: Cadu Xavier (PT)
- Flávio: Álvaro Dias (PL)
Rio Grande do Sul
- Lula: Juliana Brizola (PDT)
- Flávio: Luciano Zucco (PL)
Rondônia
- Lula: Expedito Neto (PT)
- Flávio: Marcos Rogério (PL)
Roraima
- Lula: indefinido
- Flávio: Arthur Henrique (PL)
Santa Catarina
- Lula: Gelson Merísio (PSB)
- Flávio: Jorginho Melo (PL)
São Paulo
- Lula: Fernando Haddad (PT)
- Flávio: Tarcísio de Freitas (Republicanos)
Sergipe
- Lula: Fábio Mitidieri (PSD)
- Flávio: Ricardo Marques (PL)
Tocantins
- Lula: Laurez Moreira (PSD)
- Flávio: Dorinha Seabra (União brasil)

