
O plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) adiou, nesta terça-feira (9), a análise da decisão liminar do ministro Nunes Marques que suspende a divulgação da última pesquisa presidencial do instituto AtlasIntel. A ministra Estela Aranha pediu vista, ou seja, mais tempo para julgar a decisão.
O levantamento mostrava uma queda do pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL) nas intenções de voto frente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) — que deve disputar a reeleição.
Antes do pedido de vista, Nunes Marques votou para manter sua decisão. O magistrado havia atendido a um pedido do partido de Flávio Bolsonaro. O PL alegou que a pesquisa teria sido estruturada para induzir o público a responder contra o pré-candidato, já que, das 49 perguntas, oito envolviam o caso do Banco Master e eram apresentadas em sequência.
A sondagem foi divulgada em 19 de maio, após vir à tona um áudio de Flávio Bolsonaro pedindo dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme Dark Horse, que retrata a vida de Jair Bolsonaro.
O ministro, que preside o TSE, entendeu haver "suspeitas de indução ao eleitor" nas perguntas formuladas pelo instituto. Como a pesquisa já havia sido publicada, Nunes Marques determinou que a AtlasIntel não promovesse mais a divulgação do levantamento.
O instituto AtlasIntel afirmou que iria respeitar a decisão, mas recorrer da determinação de Nunes Marques.
"A avaliação do áudio pelos respondentes foi feita depois da submissão da pesquisa eleitoral, em uma página separada. Não houve absolutamente nenhum contágio", escreveu o CEO do instituto, Andrei Roman, em uma rede social.
O plenário do TSE é composto, além de Nunes Marques, pelos ministros André Mendonça, Dias Toffoli, Antonio Carlos Ferreira, Ricardo Villas Bôas Cueva, Floriano Azevedo Marques Neto e Estela Aranha.
A pesquisa
A pesquisa entrevistou 5.032 eleitores brasileiros entre os dias 13 e 18 de maio. A margem de erro era de 1% e o nível de confiança de 95%. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-06939/2026.
Na decisão, Nunes Marques citou entrevista concedida pelo CEO do instituto de pesquisa em 19 de maio à CNN Brasil, em que afirma que o áudio de Flávio seria "muito problemático para a imagem" do pré-candidato e revelaria "fatos extremamente graves", capazes de comprometer "a viabilidade dele neste ciclo eleitoral e a permanência dele na corrida".
"O CEO da AtlasIntel (...) reconheceu o viés político do conteúdo submetido aos entrevistados e externou juízo valorativo acerca do potencial de desgaste eleitoral do pré-candidato mencionado na representação", afirmou Nunes Marques.



