
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, atendeu a pedido do Partido Liberal (PL) e suspendeu nesta segunda-feira (8) a divulgação da pesquisa eleitoral da AtlasIntel. Com a determinação, o instituto de pesquisa não poderá mais manter os dados em seus canais oficiais.
O levantamento mostrava a queda da intenção de voto no senador Flávio Bolsonaro (PL) em seis pontos percentuais caso ele disputasse um eventual segundo turno com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de 2026.
O Instituto AtlasIntel entrevistou 5.032 eleitores brasileiros entre os dias 13 e 18 de maio. A margem de erro era de 1% e o nível de confiança de 95%. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-06939/2026.
A sondagem foi divulgada em 19 de maio, após vir à tona um áudio de Flávio Bolsonaro pedindo dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme Dark Horse, que retrata a vida de Jair Bolsonaro.
O presidente do TSE entendeu haver "suspeitas de indução ao eleitor" nas perguntas formuladas pelo instituto. A decisão é liminar e será submetida ao referendo do plenário da Corte.
Na decisão, o ministro citou entrevista concedida pelo CEO do instituto de pesquisa em 19 de maio à CNN Brasil. Na entrevista, o CEO afirma que o áudio de Flávio seria "muito problemático para a imagem" do pré-candidato e revelaria "fatos extremamente graves", capazes de comprometer "a viabilidade dele neste ciclo eleitoral e a permanência dele na corrida".
"O CEO da AtlasIntel (...) reconheceu o viés político do conteúdo submetido aos entrevistados e externou juízo valorativo acerca do potencial de desgaste eleitoral do pré-candidato mencionado na representação", afirmou Nunes Marques.
Como a pesquisa já foi divulgada, no despacho, o presidente do TSE determina que o instituto de pesquisa não promova mais a divulgação desse levantamento.
"Ante o exposto, defiro parcialmente o pedido liminar para determinar à representada que se abstenha de promover nova divulgação, impulsionamento, republicação ou manutenção da pesquisa registrada sob o n. BR-06939/2026 em seus canais oficiais de comunicação, até ulterior deliberação deste Tribunal Superior."
O pedido do PL
O PL argumentou ao TSE, em nota obtida pela CNN Brasil (veja abaixo), que a pesquisa eleitoral da AtlasIntel teria sido estruturada para induzir o público a responder contra Flávio Bolsonaro, já que, das 49 perguntas, 8 envolviam o caso do Banco Master e eram apresentadas em sequência.
Além disso, após as perguntas, os entrevistados ouviam um áudio enviado por Flávio Bolsonaro a Vorcaro, no qual o senador pedia dinheiro ao banqueiro para financiar Dark Horse.
Em sua decisão, Nunes Marques destacou que outras 27 pesquisas da AtlasIntel não apresentaram perguntas semelhantes e também não tiveram áudios veiculados.
Agora, o instituto deverá enviar ao TSE a documentação técnica que indique a regularidade da metodologia aplicada para elaboração da pesquisa, esclarecendo o uso do áudio. O Ministério Público Eleitoral também deve se manifestar no processo.
Veja a nota do PL
"A ação questiona a metodologia adotada no levantamento e sustenta que o questionário teria sido estruturado de forma a induzir gravemente uma percepção negativa sobre Flávio Bolsonaro. Segundo a representação, a sequência das perguntas, a forma de apresentação dos temas e o uso de associações entre o pré-candidato, Daniel Vorcaro e o Banco Master contaminam e induzem as respostas dos entrevistados, comprometendo a integridade dos resultados. Para a coordenação jurídica, a pesquisa revela precedente manipulativo grave e deixou de observar a neutralidade esperada em levantamentos eleitorais destinados à divulgação pública. O pedido afirma que o instrumento não apenas mediu a opinião dos eleitores, mas apresentou estímulos capazes de influenciar a percepção do entrevistado antes de perguntas sobre imagem, rejeição e viabilidade eleitoral. A pré-campanha defende que pesquisas eleitorais devem seguir critérios técnicos rigorosos, com transparência, equilíbrio e imparcialidade, para não serem utilizadas como instrumento de direcionamento da opinião pública".
