
Com duas vagas em disputa na eleição de outubro, os principais postulantes ao Senado ainda não têm as chapas montadas no Estado. Sem a oficialização dos suplentes, Frederico Antunes (PSD), Germano Rigotto (MDB), Manuela D’Ávila (PSOL), Marcel van Hattem (Novo), Milton Cardoso (PSDB), Paulo Pimenta (PT), Renato Jaguarão (Cidadania) e Ubiratan Sanderson (PL) trabalham na concepção das campanhas e tem a agenda atrelada aos respectivos pré-candidatos a governador.
Por enquanto, apenas Van Hattem anunciou seu primeiro suplente: será o ex-deputado estadual Sérgio Turra (PP). A escolha ainda precisa ser homologada pelo PP, mas já há consenso interno pela indicação. A segunda suplência segue em aberto.
Deputado federal em segundo mandato, Van Hattem concilia os compromissos eleitorais com a rotina parlamentar. Com apenas uma falta — justificada — nos últimos quatro anos, ele coordena uma comissão externa da Câmara que percorre o Estado avaliando os danos da enchente de 2024.
Disposto a abrir mão dos recursos do fundo eleitoral, o deputado já angariou R$ 250 mil em doações e vai estruturar o discurso sob três eixos: defesa do equilíbrio entre os poderes, melhoria econômica e social do RS e o debate de temas nacionais alinhados ao bolsonarismo.
— Essa vai ser uma eleição muito ideológica e as pessoas sabem de que lado eu estou — afirma Van Hattem.
Na esquerda, Pimenta oficializa nos próximos dias o ex-deputado Vieira da Cunha (PDT) como o primeiro suplente. A segunda vaga deve ficar entre a vereadora Isabel Santos e a servidora pública Tamyres Filgueira, ambas do PT.
Líder do governo na Câmara, o deputado federal em sexto mandato tem se desdobrado entre a coordenação das votações estratégicas para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a pré-campanha. Pimenta quer fazer do posto um ativo eleitoral, mostrando aos eleitores que é um político com trânsito em todos os partidos, tem portas abertas no Palácio do Planalto e teria força num eventual segundo governo Lula.
Mesmo combativo na defesa do ideário petista, Pimenta aposta na interlocução pluripartidária e com diferentes segmentos da sociedade:
— Quero ser advogado das causas gaúchas. Trabalhei com muitos prefeitos no Ministério da Reconstrução e nunca perguntei o partido de ninguém.
A capacidade de conciliação é um predicado que Frederico Antunes também pretende explorar na campanha. Responsável pela aprovação de 435 projetos nos dois mandatos em que foi líder do governo na Assembleia Legislativa, ele busca quebrar a polarização entre esquerda e direita na disputa pelo Senado.
— Quero mostrar como é importante um senador com o meu perfil, um articulador que tem posição, mas busca diálogo permanente com todos os espectros ideológicos — diz Antunes.
Ainda sem nenhum dos dois suplentes definidos, o deputado está montando a equipe de marketing com o desafio de esclarecer ao eleitorado que, pela primeira vez após sete mandatos sucessivos, vai disputar um cargo diferente. Para tanto, ele conta com a presença maciça na campanha do primeiro incentivador da sua candidatura, o governador Eduardo Leite, e a rede de apoio que construiu nas três décadas de vida pública.
Outro pré-candidato a trilhar o caminho do centro é Rigotto. O emedebista pretende conduzir a campanha com o mesmo espírito de 2002, quando chegou ao Piratini superando uma rivalidade histórica no Estado entre o PT e o ex-governador Antônio Britto.
— Ganhei aquela eleição mostrando que o Rio Grande tinha que fazer um processo de pacificação. Respeito os dois lados, mas essa ideologização de tudo e o desrespeito com quem pensa diferente chegou ao limite — comenta Rigotto.
Além do discurso moderado, ele aposta na interlocução com segmentos influentes da sociedade, já que atua como conselheiro de entidades empresariais, e na lembrança dos eleitores. Embora afastado das urnas desde 2018, quando concorreu a vice-presidente na chapa de Henrique Meirelles, Rigotto mantém comentários semanais em rádios do Interior e está retomando a frequência nas redes sociais.
A presença constante na internet após seis anos sem disputar eleições é uma das chaves de Manuela. Agora no PSOL, a ex-deputada tem no ativismo digital um dos principais esteios da campanha. Por meio de uma plataforma online, ela cadastrou mais de mil voluntários, muitos dos quais organizaram a montagem do seu comitê na Cidade Baixa. No estúdio montado em casa, grava de quatro a cinco vídeos que publica todos os dias nas redes sociais.
Ciente de que a corrida ao Senado não tem segundo turno, Manuela não descuida da campanha de rua. Já percorreu 9 mil quilômetros pelo Estado, preocupada em comparecer a todos os eventos possíveis dos demais pré-candidatos da aliança. Em cada encontro, sempre dá atenção especial ao eleitorado feminino:
— Mulher não quer ficar ouvindo discurso de comício, ela quer debater os temas do seu interesse. Trabalhei essas pautas minha vida inteira e sou a única mulher concorrendo ao Senado.
Primeiro a se lançar pré-candidato ao Senado, em junho do ano passado, Sanderson vai atrelar a campanha à defesa de quem lhe deu a missão de concorrer, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Inserido na estratégia nacional do PL de eleger pelo menos um senador por Estado, formando maioria na Casa para enfrentar o Supremo Tribunal Federal, o deputado federal conta com a militância bolsonarista e a capilaridade do aliado PP, partido que comanda 164 prefeituras no RS.
Nos dois mandatos na Câmara, Sanderson teve como bandeiras políticas a segurança pública e o agronegócio. Agora, o parlamentar vai ampliar o raio de ação, defendendo uma renovação do Senado em busca de maior protagonismo do Rio Grande do Sul na discussão dos problemas nacionais.
— É preciso renovar a representação gaúcha no Senado. Chega de desânimo e pessimismo. Vou trabalhar pela renegociação da dívida do Estado — afirma.
Os outros dois pré-candidatos, o gestor público Renato Jaguarão (Cidadania) e o jornalista Milton Cardoso (PSDB), correm por fora, tentando suplantar o favoritismo dos adversários. De acordo com o presidente da federação que une os dois partidos, Moisés Barboza, Jaguarão vai apresentar um discurso mais interiorizado, voltado à pauta municipalista, enquanto Cardoso terá um discurso crítico, de combate à esquerda.
— Ambos têm posicionamento bem consolidado de centro-direita. São de oposição ao PT, mas não são bolsonaristas. Não estamos nessas bolhas. Os dois dois vão dizer que todos os demais candidatos já foram experimentados e só eles são a novidade nessa campanha — resume Barboza.





