
A propaganda eleitoral só começa em 16 de agosto, mas os principais postulantes ao governo do Rio Grande do Sul já imprimem uma intensa agenda à pré-campanha. Gabriel Souza (MDB), Juliana Brizola (PDT), Luciano Zucco (PL) e Marcelo Maranata (PSDB) têm circulado pelo Estado, participando de encontros, debates e entrevistas, num ritmo poucas vezes visto a quatro meses da eleição.
Há um entendimento unânime nos partidos: a campanha desse ano foi muito antecipada. Os movimentos começaram ainda em 2025, quando Zucco, Juliana e Gabriel anunciaram suas pré-candidaturas. A aceleração eleitoral serviu para demarcar território e desde então praticamente todo tempo disponível é dedicado à construção estratégica da corrida ao Palácio Piratini.
No MDB, Gabriel divide a posição de pré-candidato com os compromissos oficiais de vice-governador. A intersecção permite participação de destaque em eventos e festas regionais — como nesta quinta-feira (4), quando estará na ExpoBento e na Fenavinho, em Bento Gonçalves, e na Fenarroz, em Cachoeira do Sul.
Em contrapartida, ele fica mais preso à rotina do governo e não tem a mesma liberdade de ação dos adversários. A agenda é definida toda segunda-feira, em reuniões do comando de campanha, quando são analisados todos os convites e sugestões de roteiro pelo Estado.
— A gente busca conciliar as responsabilidades institucionais do vice-governador com as necessidades do pré-candidato. Estamos aceitando todos os pedidos possíveis para debates, entrevistas e sabatinas. É o momento de exibir conhecimento e preparo para governar — diz o coordenador-executivo da campanha, Janir Branco.
No PL, o pensamento é diferente. Com foco na formulação do plano de governo, Zucco tem evitado os debates, dando prioridade a viagens e encontros com entidades, associações de classe e líderes empresariais. O pré-candidato elegeu três temas centrais nessa largada da campanha: agronegócio, saúde e empreendedorismo.
Zucco também tem se debruçado sobre as finanças do Estado, ouvindo técnicos e economistas indicados pelo ex-ministro da Fazenda Paulo Guedes. A decisão de não comparecer a debates nessa fase de pré-campanha dividiu os aliados, sobretudo a ausência no evento da Federasul na próxima quarta-feira (10).
— Vai ter muito debate nessa campanha. Não vai ser por faltar a esse que o eleitor vai penalizar nossa candidatura. Zucco está com foco na securitização da dívida dos produtores rurais. O agro responde por 40% do nosso PIB — justifica o presidente do PP, Covatti Filho, um dos principais estrategistas da campanha.
No PDT, o trabalho é para manter a coesão da aliança com PT e PSOL. Representantes dos oito partidos da aliança se reúnem toda segunda-feira, cientes de que o discurso precisa conquistar o eleitor de centro. Para tanto, Juliana e o vice Edegar Pretto (PT) têm mostrado afinidade mesmo em temas polêmicos, como na recente manifestação favorável ao empreendimento de R$ 27 bilhões da CMPC Celulose em Barra do Ribeiro.
A resistência inicial à Juliana se esvaiu no comando petista. Para manter a base mobilizada, o enfoque mais à esquerda será empregado por Pretto na coordenação da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Estado.
— Dividimos o debate sobre a estratégia de campanha e estamos afinados. Temos consciência de que precisamos sensibilizar o eleitor mais ao centro para não só chegarmos ao segundo turno, mas também vencermos a eleição — comenta o coordenador-geral da campanha de Juliana, Vieira da Cunha.
No PSDB, os primeiros 90 dias de pré-campanha estão sendo usados para Maranata fazer uma imersão pelo Estado. Nos últimos meses, ele percorreu 17 mil quilômetros, sempre visitando jornais e rádios em cada município. A escolha do produtor rural Cláudio Diaz para vice também busca aproximar Maranata, de origem urbana, do agronegócio.
Ex-prefeito de Guaíba, o pré-candidato tem como principal desafio se tornar conhecido do eleitor. Ao mesmo tempo, Maranata também tem reorganizado o partido após a debandada causada pela saída do governador Eduardo Leite e de cinco deputados estaduais.
— É o único diferente, não representa nem é palanque de ninguém, Lula, Bolsonaro ou Leite. Também é o único que foi prefeito. Queremos ter mais debates para ele se tornar conhecido e mostrar que os outros candidatos estão distantes do dia a dia do gaúcho — diz o presidente do PSDB, Moisés Barboza.


