Em meio à maior ameaça sanitária dos últimos cem anos, os brasileiros foram às urnas neste domingo (15) e enviaram um recado eloquente aos detentores do poder: estão cansados da polarização radical que marcou as eleições recentes.
Aliados do presidente Jair Bolsonaro e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sofreram derrotas nos maiores colégios eleitorais do país. Nas capitais, o PT disputará o segundo turno em Vitória e Recife. Já Bolsonaro viu passar para a etapa seguinte da eleição Capitão Wagner (Pros), em Fortaleza, e Marcelo Crivella (Republicanos), no Rio de Janeiro.
O presidente chegou a apagar de suas redes sociais post em que pedia votos para 13 candidatos país afora. A maior derrota de Bolsonaro foi em São Paulo, onde apoiou Celso Russomano (Republicanos) desde o início da campanha. O candidato derreteu na reta final.
Foi na capital paulista, berço do PT, que Lula também amargou seu maior fracasso. Candidato do partido, Jilmar Tatto ficou em sexto lugar. Como Bolsonaro, Lula tentou compensar a performance desastrosa de Tatto – a pior de um petista na cidade desde 1985 – sugerindo voto útil em Guilherme Boulos (PSOL), que vai disputar o segundo turno contra Bruno Covas (PSDB).
Os brasileiros preferiram candidatos de centro, como Alexandre Kalil (PSD), em Belo Horizonte, e Álvaro Dias (PSDB), em Natal, que venceram a eleição no primeiro turno. Nas extremidades do espectro ideológico, os representantes de esquerda e direita que obtiveram êxito estão à margem do petismo e do bolsonarismo. Na direita, o DEM abriga três prefeitos de capital que venceram a eleição no primeiro turno: Gean Loureiro, em Florianópolis, Rafael Greca, em Curitiba, e Bruno Reis, em Salvador. O partido ainda vai disputar o segundo turno no Rio, com Eduardo Paes.
Na esquerda, o PSOL vai ao segundo turno em Belém, com Edmilson Rodrigues, que enfrentará Delegado Federal Eguchi (Patriota). E correndo à margem do petismo, chegaram ao segundo turno Manuela D’Ávila (PCdoB), em Porto Alegre, João Campos (PSB), no Recife, e José Sarto (PDT), em Fortaleza.
No RS, avançaram e ganharam conhecidos
Nas principais cidades gaúchas, os eleitores dedicaram seus votos a prefeitos bem avaliados e políticos com trajetória reconhecida em seus municípios. Quatro anos depois, parece ter refluído a onda antipolítica que teve origem em 2016 em todo o país, elegendo azarões e candidatos que pela primeira vez concorriam numa eleição majoritária.
– Essa foi uma eleição bem difícil para o eleitor. A pandemia trouxe medo, preocupação. Então, a escolha foi por quem já era mais próximo, ou por prefeitos que vinham entregando serviços considerados razoáveis – comenta a cientista política Elis Radmann, diretora do Instituto de Pesquisas de Opinião.
Haverá segundo turno disputado por velhos conhecidos da população local nas cinco maiores cidades. Além de Porto Alegre, com a disputa entre Manuela D’Ávila (PCdoB) e Sebastião Melo (MDB), Caxias do Sul terá Pepe Vargas (PT) e Adiló Didomenico (PSDB). Em Canoas, o atual prefeito Luiz Carlos Busato (PTB) tentará a reeleição contra Jairo Jorge (PSD), que por duas vezes administrou o município. Em Pelotas, Paula Mascarenhas (PSDB) enfrentará Ivan Duarte (PT), vereador há sete mandatos. Em Santa Maria, o prefeito Jorge Pozzobom (PSDB) duelará com seu atual vice, Sérgio Cechin (PP).
Os eleitores também premiaram com a reeleição Divaldo Lara (PTB), em Bagé, Ary Vanazzi (PT), em São Leopoldo, e Fátima Daudt (PSDB), em Novo Hamburgo. Em Rio Grande, Fábio Branco (MDB) retorna à prefeitura, marcando a quinta vez que a família irá administrar o município.




