
Em reunião com as bancadas do PT na Câmara e no Senado, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, nesta quarta-feira (13), que vai lutar para defender a sua inocência e pediu que os petistas "ergam a cabeça para vencer a batalha" diante das acusações contra ele e o partido.
Em discurso que durou aproximadamente 30 minutos, Lula disse que há uma tentativa de impedir que o PT volte ao poder.
— Não quero ser candidato por ser candidato. E não quero ser candidato se for culpado. Eles (acusadores) que apresentem à sociedade uma única culpa. O máximo que conseguem dizer é que "Lula sabia" — disse o ex-presidente.
Lula disse que não quer que os petistas tenham um candidato "escondido" na sua candidatura, ou seja, um candidato que participa do pleito para não ser preso. Ele ressaltou que tudo que não quer é ser condenado sendo inocente.
— Se apresentarem provas contra mim de todas as acusações, terei a satisfação de vir aqui e dizer que não posso ser candidato.
O ex-presidente pediu para que os petistas leiam todo o processo contra ele e que desmoralizem "o power point" do Ministério Público Federal de Curitiba.
— Neste momento, acho que só temos uma saída: enfrentar a situação de cabeça erguida — disse.
Lula também reclamou que tem "algo além do jurídico" no processo.
— O golpe precedeu da ação dos agentes políticos — afirmou.
Ainda na linha de rebater as acusações que pesam contra ele, Lula reclamou que não tem nada pior para desmoralização de uma "alma honesta do que a acusação de desonestidade". Em sua avaliação, houve uma "pactuação diabólica" entre a Polícia Federal, imprensa, Ministério Público e o Judiciário.
— Se esse país não voltar à normalidade e as instituições não voltarem a funcionar, esse país não tem jeito — discursou.
— É com muita tristeza que vejo hoje o comportamento de setores da PF, do Ministério Público e do Judiciário, que estão totalmente subordinados à opinião pública — disse.
Para Lula, os investigadores só deveriam agir diante da mais verdadeira prova apurada no processo. Ele também reclamou de uma suposta ação política mais forte do que o aspecto jurídico. Ainda assim, Lula disse que continua respeitando as instituições e que quer um Ministério Público forte.
— A gente não pode dar a impressão de que é contra a apuração. Ninguém apurou mais que o PT — declarou.
O ex-presidente disse que o país vive um momento muito especial e que o PT tem de ter orgulho.
— Não abro mão da minha defesa. Caráter a gente tem ou não tem. Estão lidando com um cidadão que tem muito caráter — afirmou. — Faço minha resistência não por mim, mas pelo PT — disse.
Em diversas situações, o ex-presidente pediu que os petistas acompanhem a investigação para que não façam sua "defesa no escuro". Ele reclamou também que a imprensa vem antecipando a campanha presidencial e que tentam destruir a sua candidatura. Lula recomendou que os petistas reajam às acusações.
— Se acharem que vão sobreviver ficando quietos, podem ficar certos de que não vão sobreviver — finalizou.
