
Quatro pessoas foram presas por suspeita de agiotagem, extorsão e outros delitos durante operação da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) de Caxias do Sul na manhã desta sexta-feira (11). A ação contou com o cumprimento de 20 mandados de busca e apreensão, incluindo o gabinete do vereador e presidente da Câmara, Wagner Petrini (PSB). Embora o parlamentar não seja investigado, seu ex-assessor, Emerson Zanardi, está entre os suspeitos.
A ação contou com o apoio de várias delegacias da região e do 12º Batalhão da Polícia Militar (12º BPM), resultando no cumprimento de 20 mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados, um deles o gabinete de Petrini. Emerson trabalhou como assessor do vereador em 2024, mas foi exonerado no mesmo período após ser preso por descumprir medida protetiva baseada na Lei Maria da Penha.
— Fui incluído nessa busca, no meu gabinete, porque eu tinha um ex-assessor, faz mais de dois anos e meio, que ele não está no nosso gabinete, ele foi desligado. Hoje teve essa operação para buscar algum tipo de documento no gabinete, alguma planilha, alguma anotação. Fiz meu papel, abri a Casa, acompanhei os investigadores, deixei à vontade. Não levaram nenhum documento, porque não tinha realmente nada — explicou Petrini em coletiva de imprensa na tarde desta sexta-feira.
Porém, o vereador confirmou que Emerson trabalhava, atualmente, em sua campanha para deputado estadual.
— Tenho uma campanha com diversas pessoas colaborando. Seja pessoa A, B ou C, vamos aos bairros, e ele (Emerson), por ter relação política e conhecimento, estava levando nosso pessoal para agendas políticas. Ele é amigo, mas não fará mais parte da campanha — pontuou.
O parlamentar ressaltou ainda que foi à delegacia prestar esclarecimentos sobre sua relação com Emerson e negou qualquer envolvimento com os crimes investigados.
— Esclareci qual era minha relação com Emerson e deixei a Casa à disposição. Ando de peito aberto e estou à disposição para esclarecer qualquer fato. Não devo nada em relação a essa operação. Agiotagem, tráfico de drogas, extorsão, não tenho envolvimento algum, (juro) pelos meus filhos, nada, zero — destacou.
A operação também cumpriu sete mandados de prisão preventiva, resultando na captura de quatro homens, de 36, 43, 42 anos e Emerson, de 51 anos. Foram determinadas medidas cautelares de bloqueio de contas e veículos, totalizando R$ 500 mil. Durante as buscas, um dos suspeitos foi flagrado com munições de calibres 9mm, 12 e uma granada indoor. A defesa de Zanardi está sendo procurada pela reportagem, mas ainda não foi localizada.
Detalhes da operação
Segundo a Draco, a investigação começou em 2025 e foi ampliada após a primeira fase da operação, em abril daquele ano. O aprofundamento das diligências permitiu identificar novos suspeitos de participação e possíveis colaboradores, além de compreender a estrutura utilizada pelo grupo para concessão, administração e cobrança de empréstimos ilegais.
Os elementos reunidos apontam para uma organização estruturada, estável e permanente, atuando principalmente em Caxias do Sul. O grupo operava parte das atividades sob nome comercial relacionado a serviços financeiros, concedendo empréstimos com juros abusivos, inclusive na modalidade “gota a gota”, caracterizada pela cobrança diária de parcelas. Segundo a investigação da Draco, foram identificados indícios de ameaças, intimidação e outros meios coercitivos usados para pressionar devedores e garantir o pagamento
A estrutura contava com responsáveis pela administração dos empréstimos, captação de clientes, disponibilização de recursos e cobrança. Também foram identificados cobradores que atuavam diretamente junto aos devedores, dentro de uma dinâmica organizada de controle das dívidas e rotas de cobrança. Os elementos reunidos indicam divisão de tarefas e atuação coordenada entre os integrantes.



