
CORREÇÃO: Segundo o presidente Anderson Zanella, a emenda nº 10/2026 foi arquivada, sendo assim, segue proibida a liberação de boates e casas de shows. A informação ficou incorreta das 8h do dia 26 de julho até as 9h30min do dia 27 de julho. O texto foi corrigido.
As discussões sobre o Plano de Gestão e Desenvolvimento da Paisagem do Vale dos Vinhedos (Plan-Vale) seguem em andamento, mas as emendas ao projeto, apresentadas pela Câmara de Vereadores de Bento Gonçalves, têm movimentado os setores envolvidos. A principal polêmica gira em torno de uma proposta que prevê a liberação da instalação na região de parques temáticos e de diversões. Nenhuma proposição foi aprovada até o momento.
Ao todo, foram apresentadas quatro emendas pela Comissão de Infraestrutura, Desenvolvimento e Bem-Estar Social e pela Mesa Diretora, presidida por Anderson Zanella (PP). São elas:
- Emenda nº 9/2026: de autoria da Comissão, altera de oito para até 12 hectares a área destinada à implantação de condomínios vitivinícolas.
- Emenda nº 10/2026: de autoria da Comissão, propõe a liberação de parques temáticos e de diversões permanentes de grande porte, além de boates, casas de shows e eventos ao ar livre. Esta foi arquivada.
- Emenda nº 11/2026: de autoria da Mesa Diretora, proíbe boates e casas de shows permanentes.
- Emenda nº 12/2026: de autoria da Mesa Diretora, propõe apenas a liberação de parques vocacionados, ou seja, empreendimentos relacionados à cultura local.
Segundo o presidente da Câmara, Anderson Zanella (PP), durante a audiência pública sobre o projeto, realizada em 10 de julho, as proposições foram alinhadas com as equipes técnicas e com representantes dos Executivos dos três municípios.
No entanto, três das quatro emendas tratam do mesmo tema: a liberação de empreendimentos classificados como proibidos no texto original, mais especificamente no artigo que define as "atividades incompatíveis com a ambiência paisagística, de alto potencial poluidor ou que representem risco à integridade cultural e ambiental".
Zanella defendeu que as emendas nº 11 e nº 12 buscam preservar eventos já tradicionais no Vale dos Vinhedos, como o Natal nos Vinhedos, além da realização de casamentos e shows pontuais, que poderiam ser impedidos caso o plano original seja aprovado sem alterações.
Em relação aos parques, o presidente explicou que a proposta colocou a opção no item de condicionados no projeto, ou seja, "atividades compatíveis desde que observem controle de impacto visual, fluxos e porte construtivo, sendo algumas delas condicionadas a aprovação de Estudo de Impacto Visual e Paisagístico (EIVP)", e que contemplaria apenas empreendimentos relacionados à identidade cultural da região, como a imigração italiana.
Entidades locais são contrárias às emendas
No entanto, o entendimento da Associação dos Moradores do Vale dos Vinhedos, representada por Matheus Valduga no dia da audiência, é de que atrações temporárias são diferentes de empreendimentos permanentes, como uma boate.
— Acho que tem uma diferença entre o que é boate e o que é evento, como esses que já ocorrem hoje no Vale dos Vinhedos. Então, acho que a gente não pode comparar uma coisa com a outra — pontuou.
Outras entidades representativas da região também se manifestaram contrárias às emendas, entre elas a Associação dos Produtores de Vinhos Finos do Vale dos Vinhedos (Aprovale). O presidente da entidade, André Larentis, participou da audiência e também divulgou uma nota oficial sobre o tema.
No documento, a Aprovale avaliou que "substituir atividades hoje classificadas como proibidas por atividades condicionadas amplia a margem para interpretações futuras e cria precedentes que podem comprometer, gradativamente, a preservação da paisagem cultural e da vocação do Vale dos Vinhedos. Essa condição se torna ainda mais preocupante diante da ausência, no documento, de diretrizes técnicas específicas para empreendimentos de grande porte. Na prática, essa lacuna poderá permitir a aprovação de projetos de dimensões significativamente superiores, sem critérios objetivos quanto ao porte máximo e aos impactos sobre a mobilidade e o meio ambiente, mesmo que sejam 'vocacionados'".
A entidade também alerta para "possíveis impactos sobre a autenticidade da Indicação Geográfica Vale dos Vinhedos, cuja credibilidade está diretamente associada à preservação da paisagem, da tradição vitivinícola e da identidade territorial".
O arquiteto Vinícius de Tomasi Ribeiro, responsável pela condução do processo de elaboração do Plan-Vale, preferiu não comentar cada emenda individualmente, mas reafirmou seu apoio ao texto original.
— Respeito novas sugestões, mas a minha defesa sempre foi, e continuará sendo, pelo projeto que construímos junto com a comunidade e que foi encaminhado pelos três municípios às Câmaras de Vereadores. Temos uma oportunidade única de transformar o futuro sem apagar a nossa identidade, valorizando as características locais, respeitando a história de cada território e potencializando aquilo que a região tem de melhor. O projeto regional é claro, objetivo, tangível e mensurável ao longo do tempo, com o uso de indicadores territoriais que visam garantir novos investimentos — frisou.
Próximos passos
Apesar da discussão em torno das emendas, nenhuma delas foi aprovada até o momento. Conforme a assessoria da Câmara de Bento, os relatores já foram definidos e têm prazo de até 14 dias para emitir os pareceres. Depois disso, o projeto será incluído na ordem do dia para votação.
No entanto, para entrar em vigor, o Plan-Vale também precisa ser aprovado pelas Câmaras de Vereadores de Garibaldi e Monte Belo do Sul antes de seguir para sanção.




