Oito pessoas foram indiciadas pela Polícia Civil de Vacaria pela suspeita de crimes como estelionato e fraudes bancárias, conforme divulgado nesta quinta-feira (27). Os investigados fariam parte de uma mesma organização criminosa que movimentou mais de R$ 11,1 milhões em pelo menos dois anos, período em que os golpes foram praticados.
Conforme a polícia, embora a base de atuação dos criminosos fique em Vacaria, as fraudes atingiam pessoas e empresas em todo o país.
Segundo o delegado Gustavo Costa do Amaral, os valores circulariam por diversas contas até o saque ou conversão em criptomoedas. Além disso, os suspeitos teriam ligação com criminosos de diversos estados.
A chamada Operação Haridade, conduzida pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), aponta que o líder dessa quadrilha seria um hacker profissional.
As autoridades não divulgam a identidade do investigado, mas o Pioneiro apurou que o suspeito é identificado como Victor Ravier da Silva Bueno, o Brandão, 26 anos. Os advogados Renan Kramer Boeira e Ueslei Natã Dias Boeira afirmam que o esclarecimento dos fatos e apresentação de provas devem acontecer em momento oportuno.
Relatório aponta 86 condutas criminais
Segundo o relatório final da investigação, os oito suspeitos foram indiciados por 86 condutas criminais. O crime mais recorrente era o de furto mediante fraude eletrônica, aquele em que se utiliza de dispositivos eletrônicos, como celular ou computador, para furtar bens ou dinheiro das vítimas.
Outros crimes listados foram os de estelionato, receptação, associação criminosa, tráfico e associação ao tráfico de drogas, crime de posse, porte, ocultação e comércio ilegal de armas de fogo, corrupção ativa, corrupção de menores, crime de favorecimento pessoal e supressão de documentos.
De acordo com a Polícia Civil, sete investigados estão presos preventivamente. Uma idosa que teria participação no esquema, com a suspeita de ceder contas bancárias e servir de laranja, responderá em liberdade em razão da condição de saúde e da idade.
Como atuavam
Segundo a investigação, iniciada em outubro do ano passado, a organização criminosa gerava limites fictícios em contas bancárias para burlar o sistema financeiro e furtar valores disponíveis.
O grupo adquiria dados de cartões de crédito na internet, em contato com outros fraudadores, e lesava pessoas físicas, operadoras de cartão e comerciantes. Com os valores obtidos, os criminosos liquidavam boletos; compravam produtos de luxo, como celulares, e os revendiam; e viviam em hotéis e resorts de alto padrão.
A polícia também registrou prejuízos a agências e plataformas de viagem. Nesse caso, eram comprados serviços com cartões fraudados e, na sequência, revendidos nas redes sociais.
Os lucros eram pulverizados para contas de terceiros. Ainda conforme a polícia, a maioria dos investigados é familiar da liderança do grupo. Eles eram responsáveis por dar apoio operacional para a concretização das fraudes eletrônicas repassando valores para a compra de dados vazados, aliciando vítimas, transportando e ocultando armas e gerenciando contas bancárias.
O que diz a defesa de cinco indiciados
Os advogados Renan Kramer Boeira e Ueslei Natã Dias Boeira afirmam que o esclarecimento dos fatos e apresentação de provas devem acontecer em momento oportuno. Eles representam outros quatro investigados:
"A defesa de cinco dos investigados da chamada Operação Haridade, vem, por meio deste, manifestar-se sobre o indiciamento dos mesmos, relatando que somente teve acesso aos autos do inquérito policial na data de ontem (27/08/2026), e aguarda a remessa ao Ministério Público para nova manifestação.
A defesa, através de seus advogados Renan Kramer Boeira e Ueslei Natã Dias Boeira, reitera que o inquérito foi encerrado sem a oitiva de seus clientes, mas o devido esclarecimento dos fatos e apresentações de provas irá acontecer em momento oportuno no presente processo".



