
Sete pessoas foram presas em Caxias do Sul na manhã desta quarta-feira (5) durante a Operação Envelope Vazio, que investiga uma quadrilha por fraudes na compra e venda de veículos no Estado. A investigação da Polícia Civil se iniciou há meses após a prisão em flagrante de um homem em Vacaria.
No curso das investigações foram identificados oito integrantes do grupo criminoso, o que resultou no cumprimento de mandados de prisão preventiva de cinco mulheres e dois homens nesta quarta em Caxias, cidade base da organização. O oitavo integrante não foi localizado e é considerado foragido.
Entre os presos está uma advogada, que não teve o nome divulgado pela polícia, mas a reportagem apurou que trata-se de Josene Mazzochi Berti, que atua na área especializada de família, sucessões, inventário e direito civil. Ela é suspeita de orientar os demais integrantes da quadrilha para os golpes.
A defesa de Josene, representada pela advogada Rachel Cassini, afirma, por meio de nota, que não teve acesso aos autos investigativos para se manifestar em relação ao teor das acusações, mas aponta que "reafirma sua confiança nas instituições" e que "será comprovada a inocência da investigada".
Já a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) do RS informou que solicitou acesso aos autos do inquérito "a fim de analisar os fatos apurados e adotar, com a celeridade necessária, as providências institucionais cabíveis".
Os suspeitos são investigados pelos crimes de estelionato, falsidade ideológica e formação de quadrilha.
A operação foi batizada de Envelope Vazio em referência à forma como os criminosos atuavam. Segundo o delegado regional de Vacaria, Carlos Alberto Defaveri, eles compravam os carros em plataformas de anúncio e depositavam um envelope vazio em um caixa eletrônico, simulando o pagamento. Depois, mandavam o comprovante do falso depósito para a vítima.
Após a compra fraudulenta e com uma procuração do veículo em mãos, os integrantes do grupo revendiam os automóveis:
— Eles "compravam" da vítima e depois anunciavam rapidamente. Um veículo avaliado em R$ 50 mil pela tabela Fipe, por exemplo, eles vendiam por R$ 35 mil. O comprador pensava que estava fazendo um grande negócio, mas ele era na verdade mais uma vítima.
Defaveri aponta que dezenas de pessoas foram vítimas da fraude e acredita que possam surgir novos lesados por se tratar de um golpe que se tornou comum.
A ofensiva policial apreendeu documentos, computadores e celulares. Participaram 21 agentes de Vacaria e outros 27 de Caxias.




