
Familiares de Leonardo da Silva Correa, de 24 anos, protestaram na tarde desta quarta-feira(12) em frente ao fórum de Caxias do Sul. Com apitos e cartazes, os manifestantes cobravam explicações sobre a morte de Correa. O homem morreu no dia 5 na UPA Zona Norte, para onde foi levado pela Brigada Militar. Antes disso, havia sido abordado na casa onde morava na Avenida dos Metalúrgicos, no bairro Belo Horizonte.
Segundo a mãe, Jocemara da Silva, 45, Leonardo fazia um churrasco quando foi abordado por seis policiais militares e teria sido agredido. Ela conta que o filho estava em liberdade há sete meses após cumprir pena de quatro anos por tráfico de drogas. Jocemara pede que as causas da morte sejam apuradas.
— Foi uma covardia o que a polícia fez, ele não estava fazendo nada de errado, invadiram minha casa e apareceram com ele morto. Ele não usava drogas e não tinha problemas de saúde. A tornozeleira eletrônica que ele usava foi rompida. No velório, a Susepe me ligava dizendo que ele estava fora da rota. Não vou deixar que amanhã ou depois outra mãe esteja chorando — disse.
O que diz a Brigada Militar
Em nota divulgada na semana passada, a BM informou que, na noite do dia 05, atendeu uma ocorrência após receber informações sobre um homem que estaria ostentando uma arma de fogo e causando perturbação no local. Houve a abordagem e foram apreendidos um revólver calibre .38, 23 munições, três porções de cocaína, quatro câmeras de vídeo e dinheiro em espécie.
Ainda segundo a nota:
"Após a abordagem, o homem apresentou alteração em seu estado de saúde, sendo imediatamente socorrido pelos policiais militares, que iniciaram manobras de reanimação cardiopulmonar e realizaram o encaminhamento à unidade de saúde. Apesar dos atendimentos prestados pelos policiais e equipe médica, o óbito foi constatado.
Durante o atendimento, surgiram informações que indicam a possibilidade de intoxicação exógena relacionada ao consumo de entorpecentes. A causa da morte será determinada pelos exames periciais e pelo laudo necroscópico, a cargo dos órgãos competentes."
Nesta quarta-feira (12), em nova nota, a Brigada Militar acrescentou que "durante o atendimento médico, também foi localizada uma porção de substância com características semelhantes à cocaína nas vestes do homem. A possibilidade de intoxicação exógena foi considerada entre as hipóteses."
A respeito da tornozeleira eletrônica, a BM afirmou que não realizou qualquer procedimento de retirada do equipamento.
O que diz a Polícia Civil
A Delegacia de Polícia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DPHPP) instaurou inquérito para investigar as circunstâncias da ocorrência registrada na Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA) como "morte em decorrência de oposição à intervenção policial". Segundo o registro policial, o suspeito teria "resistido à ordem de prisão em flagrante, sendo necessário o uso de força moderada para contê-lo e algemá-lo".
Segundo a DPHPP, o médico responsável pelo atendimento de Correa apontou, preliminarmente, parada cardiorrespiratória como causa provável da morte. A confirmação, assim como a presença ou não de ferimentos no corpo, dependem de laudos periciais e necroscópicos que serão analisados pela investigação.



