
Nenhum roubo de veículo foi registrado em Caxias do Sul no mês de junho. Os dados são da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), da Polícia Civil, e essa é a primeira vez que o número fica zerado desde o início da contabilização em 2010. Nos primeiros seis meses de 2026 foram 12 crimes do gênero no município (confira mais abaixo). Para efeito de comparação, o maior índice foi em setembro de 2016, com 108 casos.
Quando comparados os primeiros seis meses de 2026 com o mesmo período de 2025, houve uma queda de 72,09% no número de roubos de veículos — no ano passado foram registrados 43 crimes do gênero entre janeiro de junho. Já em relação a 2024, a redução foi de 82,35% — foram 68 no primeiro semestre daquele ano.
Os roubos de veículos recebem atenção especial uma vez que podem evoluir para outros crimes, como o latrocínio, que é o roubo seguido de morte. De acordo com Luciano Righes Pereira, titular da delegacia especializada, o aprofundamento das investigações é um dos fatores que tem auxiliado nesta redução. Soma-se a isso o cercamento eletrônico na cidade, bem como a integração com outros órgãos de segurança, como Brigada Militar, Polícia Penal e Instituto Geral de Perícias.
— Essa troca de informações é para a verificação dos principais indivíduos que estão atuando nesse tipo de delito e se há controle de dentro do presídio para a parte de fora desses grupos. E aí nós entramos com outro tipo de investigação, também feita pela Draco, que é a questão da investigação de organizações criminosas especializadas em roubos de veículos, e nós tivemos várias operações ao longo dos anos — detalha Pereira, que ainda complementa:
— O IGP, em algumas investigações que nós tivemos nesse ano, através da perícia papiloscópica (por impressões digitais), permitiu a identificação e a confirmação de um autor de um roubo de veículo.
No primeiro semestre de 2026 foram efetuadas 15 prisões pela delegacia em investigações de roubos de veículos.

Fraudes estão em elevação
Por outro lado, estão em elevação os casos de fraudes na comunicação de roubos de veículos. Conforme o delegado, esses casos começaram a ser notados há pelo menos dois anos. Em 2026, das 28 comunicações desse crime, 16 foram identificadas ao longo das investigações que se tratava de fraudes. Para efeito de comparação, no primeiro semestre de 2024 foram 12 fraudes, enquanto em 2025 o número ficou em 9.
O delegado explica que, em alguns casos, as fraudes estão relacionadas a questões econômicas. Quando identificada a fraude, a pessoa responderá por estelionato e, conforme Pereira, a pena varia de um a cinco anos de reclusão.
— A pessoa que já vai com essa intenção de fazer um registro fraudulento, (acreditando) que não vai dar nada, vai dar. Então a gente está conseguindo elucidar as fraudes ao seguro, a pessoa vai responder criminalmente por estelionato e, em paralelo a isso, vai sofrer as sanções cíveis, que é a restituição dos valores recebidos indevidamente do seguro.
Vale lembrar que roubos e furtos de veículos são crimes diferentes. No primeiro caso, segundo o delegado, há violência ou grave ameaça contra a vítima, enquanto no furto, geralmente a vítima não está presente.


