
Caxias do Sul registrou queda expressiva de 46,6% no número de homicídios no primeiro semestre de 2026. Foram oito vítimas no período, contra 15 nos seis primeiros meses do ano passado. Se comparado a 2016, a diminuição é ainda mais impactante, alcançando 85%. Naquele ano, o maior município da Serra registrou uma morte a cada três dias de janeiro a junho.
Nenhum dos oito casos está relacionado diretamente ao conflito de facções ou ao tráfico de drogas, segundo o titular da Delegacia de Polícia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Caxias do Sul, delegado Raone Nogueira, que conduz as investigações.
— São situações relacionadas a vinganças particulares e desentendimentos momentâneos. Uma das ocorrências, por exemplo, foi basicamente uma situação envolvendo um crime de anos atrás em que o homicida foi preso e, quando foi solto agora, foi morto por conta desse homicídio passado. Claramente, então, uma situação de vingança particular que terminou ocasionando esta morte — exemplifica Nogueira.

Dos oitos crimes, sete tem autoria identificada, um índice de elucidação, portanto, de 87% por parte da equipe da DHPP. As investigações já resultaram em cinco prisões. Apenas um assassinato ainda não teve a motivação e a autoria determinadas. Além disso, duas das vítimas eram naturais da Venezuela.
Para o delegado, a queda nos assassinatos está relacionada a um trabalho desenvolvido fortemente há dois anos, com aplicação de medidas para combater os crimes relacionados a conflitos internos ou entre as organizações criminosas.
— É um protocolo de sete medidas. São direcionamentos para fazer quando ocorre um homicídio, desde a saturação de local, ou seja, fazer uma presença policial grande, até medidas processuais, como por exemplo, representar por mandado de busca e apreensão, e também questões relacionadas à lavagem de dinheiro — menciona Nogueira.
O trabalho integrado, com troca de informações com a Brigada Militar e o apoio de outros órgãos relacionados à segurança pública, também é mencionado como decisivo para o índice atual.
Homicídios em números
2026
- Janeiro: 0
- Fevereiro: 1
- Março: 3
- Abril: 1
- Maio: 1
- Junho: 2
- Total: 8
2025
- Janeiro: 1
- Fevereiro: 2
- Março: 4
- Abril: 3
- Maio: 4
- Junho: 1
- Total: 15
Reforço em áreas estratégicas

A queda nos homicídios no maior município da Serra é resultado de uma equação que envolve dois fatores: reforço no efetivo e incremento na frota. Esta é a opinião do tenente-coronel Márcio Borba Fernandes, comandante do 12º Batalhão de Polícia Militar (12º BPM), no que tange à atuação da Brigada Militar nos últimos meses.
Ele assinala que os índices estão relacionados a um trabalho desenvolvido desde o fim de 2024, quando o 12° BPM recebeu o reforço de cem novos militares. A chegada de novos veículos, nos meses seguintes, também permitiu uma ofensiva mais assertiva em regiões com potencial para assassinatos.
— Nós fizemos o que todo gestor público faz, que são escolhas. E uma das escolhas foi reforçar alguns pontos estratégicos do efetivo, como a força tática, que é o que nós costumamos chamar de tropa de primeiro recobrimento diário. É aquela tropa que não tem uma área exclusiva do batalhão para patrulhar, para atender o 190. São policiais que ficam mais liberados para agir nas áreas de tráfico, nas áreas em que costumeiramente ocorrem os crimes de porte ilegal de arma de fogo. Aliado a isso, reforçamos a equipe de inteligência do batalhão — enfatiza o tenente-coronel.
O esforço nas ruas se traduz em números que vão além da diminuição de mortes. No primeiro semestre, o 12º BPM apreendeu 121 armas de fogo e 407,6 quilos de drogas. Ao todo, foram 6.634 ocorrências atendidas no período.
Município volta a ter mortes em assaltos
Em contraste com o cenário de queda de homicídios, Caxias do Sul voltou a contabilizar latrocínios (roubo com morte) depois de um intervalo de 21 meses. O último crime deste tipo havia sido registrado em junho de 2024, quando um sargento da Brigada Militar foi morto durante o assalto ao Aeroporto Hugo Cantergiani.
Já em março deste ano, Jacira Carmelinda Faccin, 74 anos, foi encontrada morta em casa, com sinais de esganadura, no bairro Nossa Senhora das Graças. Em abril, um homem de 44 anos foi preso por suspeita de ser o autor do crime. Segundo a Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), ele teria matado a mulher e roubado o celular dela para vender e comprar drogas.
O outro caso investigado como latrocínio ocorreu em 25 de maio, no bairro Serrano. José Jacir Gabriel, 49, estava em um bar e saiu do local em uma motocicleta, acompanhado de uma mulher. Em seguida, ao parar às margens da via, foi abordado por criminosos, que atiraram. Nada foi roubado, mas, segundo testemunhas, os criminosos anunciaram o assalto. Por isso, o crime é tratado como latrocínio. O caso segue em investigação, sem a autoria identificada, segundo o titular da Draco, delegado Luciano Righes.
À frente da 8ª Delegacia de Polícia Regional, o delegado Augusto Cavalheiro Neto, compreende que, embora não tenham ligação entre si e tenham ocorrido em contextos pontuais, os dois casos são caracterizados como graves e causam preocupação às forças de segurança.
Cavalheiro enfatiza que o enfrentamento de latrocínios passa pela prevenção dos roubos, sejam a pedestres, a estabelecimento comercial ou residência, por exemplo.
— Uma das estratégias é o policiamento preventivo. Segundo, a integração das forças de segurança, especialmente em matéria de inteligência e informações. E, no que compete à Polícia Civil, a realização de uma forte técnica em investigação criminal, de forma a esclarecer esses crimes, produzir provas contra seus autores, as quais permitam retirar de circulação esses indivíduos o mais rápido possível — sinaliza.
Além dos oito homicídios e dos dois latrocínios, Caxias do Sul teve uma mulher vítima de feminicídio no primeiro semestre de 2026. Raiza Dutra Teixeira, 33 anos, foi morta a tiros em casa, no bairro De Zorzi, no dia 29 de abril. O índice se equipara ao mesmo período de 2025, quando uma mulher foi morta em razão do gênero, em janeiro.





