
Condenado pela morte da então companheira, Eleci Rejane Faleiro, Adair Leonir Rommel tenta reverter no Superior Tribunal de Justiça (STJ) a decisão que anulou o júri realizado em Garibaldi. A defesa dele protocolou o recurso na última segunda-feira (13), último dia do prazo processual.
Com isso, caberá ao STJ analisar se a anulação do júri, determinada pelos desembargadores do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul deve ser mantida. A decisão foi tomada no mês passado, em uma audiência em Porto Alegre.
Na avaliação do advogado Bruno Furlanetto, que representa a filha da vítima, o recurso pode fazer com que o caso seja analisado apenas no fim deste ano, adiando a realização de um eventual novo júri para 2027.
Relembre o caso
Eleci foi morta em 29 de julho de 2025 na casa em que morava com Rommel. O crime aconteceu em uma moradia na Rua Saldanha Marinho, no bairro São Francisco, em Garibaldi.
Conforme o delegado Clóvis Rodrigues de Souza, que conduziu as investigações, o corpo de Eleci foi encontrado no box de um dos banheiros da casa, com marcas no pescoço. No entanto, as agressões teriam começado no lado de fora.
— Ela se trancou no banheiro, mas ele arrombou a porta. A vítima foi morta por esganadura, conforme laudo do Instituto Geral de Perícias. Então, não tem como ser um crime culposo, ou seja, sem intenção de matar. Para nós não restam dúvidas que foi um feminicídio — disse na época do crime.
O júri popular que analisou o crime aconteceu em janeiro deste ano. Contudo, a maioria dos jurados acolheu a tese da defesa de Rommel, que alegou que a agressão cometida contra Eleci não teve a intenção de matar.
Com isso, o caso passou a ser tratado como lesão corporal dolosa seguida de morte. A pena do réu foi anunciada pelo juiz Antônio Luiz Pereira Rosa. A decisão dele foi de condenação a nove anos, oito meses e quatro dias de reclusão em regime fechado.
Após o desfecho, Larissa, filha de Eleci, mobilizou a comunidade com manifestações e pedidos de que o júri fosse anulado e outro realizado. Ela entende que a mãe foi vítima de feminicídio e Rommel deve ter a pena ampliada, de acordo com o crime.
O Ministério Público recorreu da decisão no Fórum de Garibaldi. No mês passado o TJ-RS anulou o júri, abrindo a possibilidade de Rommel voltar a ser julgado por feminicídio.


