
"Uma mulher simples, do interior e muito trabalhadora". É assim que Iloide Jannke Grüger é descrita por uma antiga vizinha. Morta pelo então companheiro no sábado (6), em Carlos Barbosa, Iloide residia há 14 anos na Serra, contudo era natural de Novo Machado, no noroeste do Estado, próximo a Santa Rosa.
— Ela nasceu e se criou na comunidade de Barra Funda. Era uma mulher muito trabalhadora, que vivia da roça. Minhas irmãs foram no casamento dela, há 30 anos. Eles vieram para Carlos Barbosa, porque uma das filhas estava morando aqui — conta Simone Hirsch.
Em Carlos Barbosa, elas voltaram a ser vizinhas por um período, quando Iloide e, o então companheiro, alugaram uma casa no bairro Ponte Seca, próximo de onde mora Simone. Depois, os Grüger se mudaram para o bairro Planalto, onde o crime aconteceu.
— Eles estavam separados há alguns meses, porque ela tinha pedido o divórcio e então aconteceu isso... É muito triste — lamenta Simone.
Nas redes sociais, uma série de moradores lamentou o caso e pediu justiça pelo crime violento contra Iloide. A despedida dela vai ser neste domingo (7), às 16h, na Sala A, do Memorial Caravaggio, com posterior sepultamento no Cemitério Público de Carlos Barbosa. Ela deixa duas filhas e um neto.
Relembre o caso
Segundo o relato da Brigada Militar, Iloide teria se desentendido com o então companheiro Nilson Adilar Grüger, 56 anos, suspeito de ter cometido o feminicídio. A identidade dele foi confirmada pelo delegado Ederson Bilhan.
Por volta das 9h, Iloide deixou o local em que estavam em um Ford Ka. Na sequência Nilson teria seguido ela em seu próprio carro, um Nissan Kicks. Eles percorriam a Rua Borges de Medeiros, no bairro Planalto, quando ele colidiu o carro contra o dela.
Na sequência, segundo o delegado Fernando Vargas de Castro, Nilson teria esfaqueado Iloide, pelo menos, quatro vezes no peito. Apesar de ter sido socorrida no Hospital São Roque, ela não resistiu aos ferimentos e morreu.
Após cometer o crime, Nilson teria fugido e acabou sendo encontrado em uma área de mata. De acordo com os Bombeiros Voluntários de Carlos Barbosa, ele apresentava duas perfurações no tórax e uma no abdômen e foi encaminhado para atendimento médico em estado grave.
Nilson está sob custódia da Polícia Penal. Contatada, a comunicação do órgão de segurança não informou se ele permanece ou não no hospital para onde havia sido encaminhado.
Este é o 37º feminicídio registrado no Rio Grande do Sul em 2026. Somente na Serra é o quinto crime do tipo no ano. Os outros casos foram registrados em Caxias do Sul, Nova Prata, São Francisco de Paula e Muitos Capões.




