
Amanda Maria Souza de Oliveira, a mulher de 37 anos que foi presa nesta semana em Santa Catarina após confessar ter fingido ser uma adolescente de 12 anos, já havia sido detida em Pinto Bandeira, na Serra gaúcha, em 2024. A informação foi confirmada pelo delegado André Mocciaro, diretor da Divisão Especial da Criança e Adolescente da Polícia Civil, em entrevista ao G+ da Rádio Gaúcha.
Os casos envolvendo Amanda ganharam repercussão nesta semana após ela ser presa em Joinville e confessar ter passado 14 meses vivendo com uma família enquanto fingia ser uma adolescente.
O primeiro caso registrado no Rio Grande do Sul ocorreu entre o fim de 2021 e o início de 2022, em Cachoeirinha, e resultou em prisão preventiva. Dois anos depois, em 2024, Amanda tentou aplicar um golpe semelhante em Pinto Bandeira. Na ocasião, o crime foi descoberto logo no início e a mulher foi autuada em flagrante por falsidade ideológica. No entanto, por se tratar de um delito de menor potencial ofensivo, ela assinou um termo de compromisso e foi colocada em liberdade.
De acordo com Mocciaro, a estratégia consistia em procurar órgãos públicos, unidades de saúde, conselhos tutelares e até delegacias para obter documentos com identidade falsa. Por se dizer menor de idade, a rede de proteção era obrigada a acolhê-la com base no princípio da proteção integral. Com os documentos, ela procurava as vítimas alegando ser perseguida e ter sofrido abusos, o que levava famílias a acolhê-la.
— Aqui no Rio Grande do Sul, o que podemos perceber é que dentro dessa engenharia que ela criou, ela responde como adulta a partir do momento em que foi desvelada a identidade dela, como aconteceu no segundo caso (em Pinto Bandeira) que se tratava dela, por já ter sido presa, já ter entrado no sistema prisional, e a identificação se tornou mais fácil. No primeiro caso foi noticiado, investigado e apurado, culminando em uma prisão preventiva por ordem do Poder Judiciário — detalhou o delegado em entrevista ao G+.
Neste caso, a mulher é investigada pelo crime de estelionato. Segundo o delegado, a vantagem indevida que Amanda buscava era ter “um lar, conforto e comida”.
— A vantagem econômica indevida não necessariamente se traduz em dinheiro. Ela pode permanecer, como permaneceu neste caso de Santa Catarina, 14 meses morando em uma residência com comida, atenção, carinho, roupas, com tudo disponibilizado, e esta vantagem indevida caracteriza o crime de estelionato — explica.
Mocciaro afirma que os processos no Rio Grande do Sul correram em segredo de Justiça e que, por isso, não pode fornecer mais detalhes. Segundo GZH, no primeiro caso registrado no Estado, em Cachoeirinha, Amanda procurou uma unidade de pronto atendimento se identificando como Gabrielle da Silva Ferreira, de 11 anos. Conforme a investigação, ela apresentava lesões pelo corpo e alegava ter sido vítima de abuso sexual. Posteriormente, foi encaminhada para um abrigo. A pedido do Ministério Público, foi aberta uma investigação por estelionato. Ela acabou sendo presa na ala psiquiátrica do Hospital Presidente Vargas.
De acordo com o G1, a suspeita também passou por cidades gaúchas como Porto Alegre, Caxias do Sul e Passo Fundo.
Como foi a descoberta recente?
Amanda foi presa nesta semana em Joinville por supostamente ter aplicado um golpe em uma família, ao se passar por uma adolescente vítima de abusos para obter abrigo, sustento e outros benefícios por mais de um ano. Ela teve a prisão convertida em preventiva após solicitação do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC).
Conforme o documento do MPSC, a suspeita teria se infiltrado, desde fevereiro de 2025, na casa de uma família de Joinville, utilizando o nome falso de “Gabriele”. Durante cerca de 14 meses, ela teria simulado ser uma criança de 11 e depois 12 anos, alegando ter autismo e histórico de abusos, comportamento que incluía atitudes infantilizadas, como uso de mamadeira e chupeta.
A farsa veio à tona em maio de 2026, após parentes das vítimas reconhecerem padrões semelhantes em reportagens sobre golpes aplicados em outros estados. Segundo o inquérito policial, a mulher além do RS e SC, ela teria praticado o crime em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Goiás.


