
Quatro pessoas serão julgadas pela morte de Luciano Boeira Melos, 27 anos, caminhoneiro de Bom Jesus que desapareceu em julho de 2023. De acordo com a Justiça, o julgamento foi marcado para 28 de julho, praticamente três anos depois do caso.
A previsão é que o julgamento dure três dias. A audiência ocorre em Bom Jesus e deve ser presidida pela juíza Luciana Rech Slaviero Porath.
Os réus Fabiana Ramos Saraiva, Felipe Silveira Noronha, Flávio Silveira Noronha e José Balduíno Saraiva respondem pelos crimes de homicídio duplamente qualificado (motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima), além de ocultação de cadáver e fraude processual.
Inicialmente, o julgamento estava marcado para março deste ano, mas foi adiado. Os acusados respondem em liberdade. Em novembro do ano passado foram soltos depois de cumprirem prisão preventiva na penitenciária de Vacaria.
De acordo com o Ministério Público (MP), que faz a acusação, a morte do caminhoneiro teria acontecido entre os dias 26 e 27 de julho de 2023, em uma área rural de Bom Jesus. A denúncia relata que os três homens teriam atraído a vítima até o local sob o suposto pretexto de se encontrar com a ré, com quem o caminhoneiro teria uma relação extraconjugal.
Ali, Melos teria sido surpreendido e morto. O corpo nunca foi localizado. Já a motocicleta da vítima foi encontrada cinco dias após o desaparecimento, em local próximo ao ponto em que havia marcado encontro com a mulher.
Relembre detalhes do caso
No dia 26 de julho de 2023, Luciano Boeira Melos teria arrumado a casa onde morava, na localidade de Hortêncio Dutra, ao lado da residência da mãe, Elisete Boeira. Com a faxina, o caminhoneiro parecia estar esperando alguém. Conforme a família, um comerciante revelou que, naquele dia, ele teria comprado um edredom e dois travesseiros e feito questão de que os itens fossem entregues naquela quarta.
No fim do dia, o caminhoneiro teria pedido para a mãe preparar o jantar e já havia guardado a moto na garagem. Enquanto Elisete dobrava roupas e aguardava o jantar ficar pronto, ouviu o filho sair de moto, sem dizer para onde ia. A mãe diz ter sentido um aperto no peito na mesma hora e começado a enviar mensagens e fazer ligações para o filho, pedindo que ele voltasse para casa.
Às 19h40min, o caminhoneiro enviou uma mensagem para a mãe dizendo que tinha ido à cidade. Para o irmão, Lucas Silva, Luciano revelou ter ido encontrar com a mulher, na localidade de Caraúno. Esses foram os últimos contatos feitos com a família. Desde então, ele nunca mais foi visto.
Segundo a investigação da Polícia Civil e a denúncia do Ministério Público, a morte do caminhoneiro teria sido previamente combinada em 25 de julho, um dia antes do desaparecimento. Após descobrirem o relacionamento extraconjugal com Luciano, Felipe e José Balduíno, respectivamente marido e pai de Fabiana, teriam combinado com a mulher que ela seria perdoada, desde que o caminhoneiro fosse morto.
No dia 26, Fabiana, que teria concordado com o plano, teria enviado uma mensagem para Luciano pelo Facebook marcando o encontro para resolver o futuro do relacionamento. No local, ela estaria acompanhada de Felipe, Flávio e José. Conforme a denúncia, Luciano teria sido morto por motivo torpe (a traição) e sem poder se defender.
A reportagem tenta localizar a defesa dos réus. O espaço está aberto para manifestação.





