
A primeira etapa do julgamento de um homem acusado de torturar gatos e ameaçar testemunhas em 2023 movimentou o entorno do Fórum de Caxias do Sul na tarde desta sexta-feira (15).
Um grupo formado por cerca de cem pessoas segurava cartazes e pedia justiça para os animais, que teriam sofrido maus-tratos a partir de 2023, quando o Ministério Público ofereceu denúncia após a constatação de um cenário que considerou "de extrema crueldade" na residência do acusado, em Caxias.
A sessão desta sexta-feira reúne dois processos. O primeiro pela prática de atos de abuso, mutilação e morte de felinos e outro por ameaças no curso do processo.
Depois de ser preso em flagrante, o homem foi solto e passou a ameaçar testemunhas ligadas ao processo. Segundo denúncia do MP, ele enviou mensagens com imagens perturbadoras, áudios com sons de animais em sofrimento e até a fotografia de uma arma de fogo, com o objetivo de intimidar as testemunhas e interferir na produção de provas. Diante disso, o Ministério Público pediu nova prisão preventiva, que foi decretada.
Ao todo, o acusado permaneceu cerca de quatro meses detido em momentos distintos. Atualmente, e segundo o MP, ele está internado em uma comunidade terapêutica no Paraná.
Atualmente, o réu responde aos processos em liberdade, mas precisa manter endereço atualizado, comparecer aos atos processuais e não manter qualquer animal sob sua guarda até a sentença, sob pena de nova decretação de prisão.
Ao todo, o processo conta com nove testemunhas. Caso todas sejam ouvidas nesta etapa, o réu será interrogado na sequência, por videoconferência.
A promotora de Justiça Janaina De Carli dos Santos atua desde o início no caso e disse que irá buscar a responsabilização máxima do acusado, que obtinha os gatos em programas de adoção:
— Entendemos que este é um caso em que deve ser aplicada a pena mais severa prevista em lei, tendo em vista que o acusado agiu por motivo torpe. Ele demonstrava prazer com a prática, filmava os animais feridos e agonizando, inclusive com falas em tom de deboche, empregava métodos cruéis para o abate e também agiu com abuso de confiança, pois mentia para que as pessoas doassem gatos para ele.
