A Polícia Civil prendeu nesta segunda-feira (23) dois responsáveis pela Casa Lar de Canela, espaço de acolhimento para crianças e adolescentes vítimas de negligência, abandono ou abuso. Uma profissional técnica foi afastada das atividades por 180 dias.
Conforme a investigação, os diretores teriam desviado R$ 140 mil de uma adolescente que esteve acolhida na instituição. A apropriação dos valores teria ocorrido durante 10 anos. A jovem, que possui deficiências, recebia o Benefício de Prestação Continuada (BPC), pago pelo governo federal.
Durante as buscas, os policiais comprovaram que os diretores ainda estavam em posse de valores que seriam pertencentes à adolescente. Ela já não está mais na Casa Lar e não reside mais em Canela.
Além da sede da casa de passagem, os policiais cumpriram mandado de busca e apreensão em outros cinco endereços. Entre eles estão as residências de investigados e profissionais da instituição, bem como na sede da entidade mantenedora, a Associação Evangélica Beneficente Rosa de Sarom. Documentos, dispositivos eletrônicos e valores em espécie foram apreendidos.
A reportagem apurou que o espaço físico da casa de acolhimento pertence à prefeitura de Canela, que tem a responsabilidade de administrar o espaço. Contudo, a gestão foi concedida à associação Rosa de Sarom via processo licitatório. O grupo estava à frente da casa há cerca de sete anos.
A procuradora da prefeitura de Canela, Anne Grahl Müller, afirmou que a administração está "trabalhando juridicamente para a manutenção das atividades, cumprindo a decisão judicial". Porém, não informou se irá encerrar a concessão do espaço à entidade.
Procurada, a Rosa de Sarom não quis se manifestar. A investigação da Polícia Civil segue sob sigilo.



