
Natural de Patos, na Paraíba, Ianca Diniz Soares, 29 anos, vítima de feminicídio em São Francisco de Paula, trabalhava em uma lavoura de batata na região e era mãe de seis filhos.
— Era uma guerreira que batalhava muito pelos filhos — conta uma colega de trabalho.
A vítima foi encontrada morta dentro da casa onde vivia com o companheiro, no último sábado (7), no bairro Campo do Meio. O homem é o principal suspeito do crime e está desaparecido. Ele tem 29 anos e também é natural da Paraíba.
De acordo com o boletim de ocorrência, Ianca foi encontrada sobre a cama, com múltiplas perfurações. No local, a polícia apreendeu uma faca com vestígios de sangue. A Brigada Militar foi acionada após informações repassadas por terceiros e precisou arrombar a porta da residência para acessar o imóvel.
Imagens de uma câmera de monitoramento instalada em frente à casa flagraram o momento em que o suspeito deixa o local logo após o crime. O Instituto-Geral de Perícias (IGP) realizou os trabalhos periciais, e o corpo foi encaminhado ao Departamento Médico-Legal (DML).
Segundo nota divulgada pela delegada Fernanda Aranha, não havia registro de boletim de ocorrência nem pedido de medidas protetivas envolvendo a vítima. Questionado sobre a eventual expedição de mandado de prisão preventiva, o delegado regional Gustavo Barcellos afirmou que a informação não pode ser divulgada neste momento.
— Estamos tentando localizar o suspeito, que se encontra em local incerto e não sabido.
Este é o 12º feminicídio registrado no Rio Grande do Sul em 2026. Até o momento, não há informações sobre a cerimônia de despedida da vítima.
Segundo caso na Serra em 2026
O crime em São Francisco de Paula é o segundo feminicídio registrado na Serra em 2026. O primeiro aconteceu em Muitos Capões, no dia 20 de janeiro, quando Uliana Teresinha Fagundes, de 59 anos, foi morta a tiros dentro da casa onde morava antes da separação.
O principal suspeito é o ex-companheiro da vítima, Lazaro Tschoepke Pinto, que também segue desaparecido, segundo o delegado Vitor Fernando Boff. O casal havia assinado o divórcio no mesmo dia do crime.
Violência contra a mulher
Como pedir ajuda
Brigada Militar – 190
- Se a violência estiver acontecendo, a vítima ou qualquer outra pessoa deve ligar imediatamente para o 190. O atendimento é 24 horas em todo o Estado.
Polícia Civil
- Se a violência já aconteceu, a vítima deverá ir, preferencialmente, à Delegacia da Mulher, onde houver, ou a qualquer Delegacia de Polícia para fazer o boletim de ocorrência e solicitar as medidas protetivas.
- Em Porto Alegre, há duas Delegacias da Mulher. Uma fica na Rua Professor Freitas e Castro, junto ao Palácio da Polícia, no bairro Azenha. Os telefones são (51) 3288-2173 ou 3288-2327 ou 3288-2172 ou 197 (emergências).
- A outra foi inaugurada em 2024. O espaço fica entre as zonas Leste e Norte, na Rua Tenente Ary Tarrago, 685, no Morro Santana. A repartição conta com uma equipe de sete policiais e funciona de segunda a sexta, das 8h30min ao meio-dia e das 13h30min às 18h.
- As ocorrências também podem ser registradas em outras delegacias. Há DPs especializadas no Estado. Confira a lista neste link.
Delegacia Online
- É possível registrar o fato pela Delegacia Online, sem ter que ir até a delegacia, o que também facilita a solicitação de medidas protetivas de urgência.
Central de Atendimento à Mulher 24 Horas – Disque 180
- Recebe denúncias ou relatos de violência contra a mulher, reclamações sobre os serviços de rede, orienta sobre direitos e acerca dos locais onde a vítima pode receber atendimento. A denúncia será investigada e a vítima receberá atendimento necessário, inclusive medidas protetivas, se for o caso. A denúncia pode ser anônima. A Central funciona diariamente, 24 horas, e pode ser acionada de qualquer lugar do Brasil.
Ministério Público
- O Ministério Público do Rio Grande do Sul atende em qualquer uma de suas Promotorias de Justiça pelo Interior, com telefones que podem ser encontrados no site da instituição.
- Neste espaço é possível acessar o atendimento virtual, fazer denúncias e outros tantos procedimentos de atendimento à vítima. Acesse o site.
Defensoria Pública - Disque 0800-644-5556
- A vítima pode procurar a Defensoria Pública, na sua cidade ou, se for o caso, consultar advogado(a).
Disque 100 - Direitos Humanos
- Serviço gratuito e confidencial do Governo Federal, disponível 24 horas por dia, para proteção e denúncias de violações de direitos humanos










