O empresário Ari Glock Junior, de 43 anos, foi encontrado morto na cela que ocupava no Presídio Estadual de Bento Gonçalves na noite desta sexta-feira (13). Ele estava cumprindo pena por tentativa de homicídio triplamente qualificado, tortura, sequestro, roubo e estupro, praticados contra um funcionário dele em Farroupilha. O crime aconteceu em agosto de 2021, na zona rural do município.
Conforme a delegada Maria Izabel Zerman, a Polícia Civil foi acionada por volta das 21h30min para o atendimento da ocorrência. Ele foi encontrado sozinho na cela e o corpo foi encaminhado para necropsia. As causas da morte ainda serão investigadas e ficarão a cargo da 2ª Delegacia de Polícia de Bento Gonçalves.
Ari está sendo velado neste sábado (14), em Bento Gonçalves. Sua cremação ocorre neste domingo (15).
Relembre o caso
Ari Glock Júnior, proprietário de um haras em Farroupilha, suspeitava que o funcionário havia furtado R$ 20 mil. Segundo a denúncia do Ministério Público, no dia 9 de agosto de 2021, o homem iniciou uma série de agressões, com o objetivo de obter uma confissão da vítima, no próprio local.
Conforme a acusação, o funcionário foi imobilizado no chão, com as mãos e o pescoço amarrados por uma corda. Ele também foi submetido a coronhadas, choques elétricos, golpes de facão e a um disparo de arma de fogo que atingiu um dos dedos do pé direito. Também foi vítima de estupro no local. O celular dele foi retirado pelo proprietário do haras, que buscava informações sobre o suposto furto.
Após ser abandonado em via pública, o homem foi socorrido por pessoas que passavam pelo local. No dia seguinte, depois de receber alta hospitalar, ele foi sequestrado novamente e mantido em cárcere privado, sofrendo uma nova série de agressões para que revelasse o paradeiro do dinheiro.
Durante esse período, teve a orelha queimada com cigarro, álcool jogado sobre a queimadura, dedos apertados com alicate, agulhas inseridas sob as unhas, cinco dentes arrancados e os cabelos cortados com uma máquina de tosquiar animais. Foi levado até um penhasco, na Linha Boêmios, onde foi forçado a pular. Após a queda, conseguiu recobrar a consciência e pedir socorro. Glock ainda teria ordenado o roubo de roupas, documentos e objetos pessoais da vítima.
Em outubro, o empresário também foi sentenciado pela Justiça do Trabalho a pagar R$ 350 mil por danos morais coletivos. A decisão se baseou na série de crimes praticados contra o funcionário, em 2021.
Em junho de 2025, o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJ-RS) condenou Ari a 42 anos e 10 meses de reclusão, em regime inicialmente fechado, por tentativa de homicídio triplamente qualificado, tortura, sequestro, roubo e estupro. Em dezembro do mesmo ano, o TJ-RS elevou a pena para 45 anos, oito meses e 20 dias de reclusão, que estava cumprindo no Presídio Estadual de Bento Gonçalves.

