
A Brigada Militar (BM) vai reforçar o policiamento na região após o registro de dois assassinatos no intervalo de um dia em Garibaldi, nesta semana. A operação busca ampliar a sensação de segurança dos moradores.
O comandante do 43° Batalhão de Polícia Militar (BPM), tenente-coronel Flori Chesani, explica que a medida abrange também Bento Gonçalves e Carlos Barbosa. O motivo é que além das duas mortes violentas em Garibaldi, houve outras três ocorrências dessa natureza em Bento nessas primeiras semanas de 2026 — a última delas na madrugada de segunda (12). Barbosa não registrou assassinatos.
Embora a BM intensifique as ações preventivas e repressivas após os casos, Chesani considera o início desse ano como estável nos indicadores.
— Esse reforço é nos três municípios que acreditamos que precisam de um olhar mais incisivo da polícia para a manutenção dos números da criminalidade — afirma.
O primeiro protocolo executado é o de saturação de área, conforme o tenente-coronel, que consiste em uma pressão operacional para que as pessoas sintam a presença da BM. Nessa esteira, ocorrem prisões e apreensões de armas e drogas, como na noite desta quinta (15), quando uma mulher de 21 anos foi presa em Bento com uma submetralhadora 9mm, munições e porções de crack.
Chesani acredita que os assassinatos estejam relacionados a disputas de organizações criminosas por espaços para o tráfico de drogas.
— As cidades são muito próximas, então é normal uma flutuação dos autores criminais. Não há um limite geográfico para o cometimento do crime. O foco principal da nossa instituição é fazer uma pressão operacional para que as pessoas que estejam cometendo ou pensem em cometer um crime saibam que terão uma resposta — detalha.
A operação se baseia em informações produzidas pelo setor de inteligência da BM, que orienta a definição de horários e pontos estratégicos de atuação. O efetivo do batalhão ganhou apoio da equipe de Força Tática do 12° BPM, que tem sede em Caxias do Sul.
70% dos casos envolvem tráfico de drogas
Garibaldi terminou 2025 com 10 mortes violentas, uma a mais em relação ao ano anterior. Conforme o delegado Clóvis Rodrigues de Souza, em 70% dos casos o contexto foi o tráfico de drogas e a dependência química. Entram nesse número, também, um feminicídio e duas mortes de suspeitos em confronto com a BM.
Souza avalia as mortes recentes como um cenário de preocupação. Ainda assim, cita que a Polícia Civil tem trabalhado no combate e desarticulação de pontos de venda de drogas com o cumprimento de mandados de busca e apreensão, por exemplo.
— Qualquer crime grave numa cidade desperta preocupação, ainda mais esses homicídios, pelo pouco tempo de ocorrência entre crime ou outro, mas mesmo que fosse um só, já desperta a atenção das forças de segurança. Por isso, fazemos reuniões com planejamentos estratégicos para desenvolvimento de ações, buscando frear a ocorrência de crimes e apurar a autoria — aponta o delegado responsável por Garibaldi.
Em Bento, por sua vez, as forças de segurança comemoraram uma redução de 30% nas mortes violentas: foram 28 no ano passado contra 40 em 2024.
Primeiras mortes do ano em Garibaldi
No caso mais recente, na noite de quarta-feira (14), Julio César Zago Leal, 46 anos, foi morto a tiros dentro de casa no bairro São Francisco. O crime aconteceu por volta das 19h50min.
Na noite anterior, de terça (13), Paulo Henrique da Silva Pereira, 26, foi vítima em uma dinâmica semelhante. Ele teve a casa invadida, no mesmo bairro, e foi baleado, por volta das 20h10min. Segundo a Polícia Civil, também estavam na residência a esposa gestante de Pereira, além de três crianças. Não houve outros feridos.
A motivação de ambos os homicídios, que são os primeiros do ano, é investigada. Nenhum suspeito foi localizado até o momento.





