
O dono de uma construtora de Canela foi preso preventivamente na manhã desta quinta-feira (11) durante uma operação da Polícia Civil. Ele é apontado como o principal responsável por um esquema de fraudes imobiliárias, estelionato e crimes financeiros que teria prejudicado dezenas de clientes. A ação mobilizou 70 policiais e ocorreu em quatro cidades da região.
A identidade do detido não foi revelada pela Polícia Civil, entretanto, a reportagem apurou que trata-se de Marcio Vandir Colombo, proprietário da MWC Construtora e Incorporadora. O espaço está aberto para a manifestação da defesa do investigado.
De acordo com a Polícia Civil, a investigação mostra que a construtora usava várias empresas diferentes, mas controladas pelo mesmo grupo, para desviar dinheiro, esconder bens e dificultar cobranças na Justiça. Advogados também são investigados por suposta participação no esquema, inclusive apresentando documentos falsificados e atuando em processos de imóveis vendidos irregularmente.
Como funcionava o golpe
Segundo a investigação, o esquema tinha quatro etapas:
- Inicialmente, eram oferecidos empreendimentos imobiliários com preços atrativos e marketing diversificado, visando captar grande número de interessados.
- Posteriormente, as obras eram iniciadas, mas paralisadas, com os valores arrecadados sendo desviados para a aquisição de novos terrenos, perpetuando o ciclo fraudulento.
- Na terceira fase, as vítimas eram evitadas, ameaçadas e coagidas a não buscarem seus direitos, permitindo que os recursos fossem apropriados.
- Por fim, através de assessoria jurídica, a empresa realizava a negativação indevida de clientes em órgãos de proteção ao crédito, mesmo os adimplentes, e comercializava títulos de crédito supostamente falsos a bancos digitais, além de confeccionar distratos com a cobrança de multas por rescisão, alegando inadimplência dos clientes.
A Polícia Civil também identificou abandono de obras — inclusive públicas —, venda de imóveis em duplicidade, documentos falsificados e tentativas de tomar posse de terrenos vizinhos. Há ainda indícios de uma tentativa de recuperação judicial fraudulenta para proteger o patrimônio do grupo.
Os prejuízos financeiros diretos decorrentes das atividades investigadas superam o valor de R$ 6,4 milhões, segundo a polícia.
Buscas, prisões e bloqueio de bens
Durante a operação, foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão em Canela, Gramado, São Francisco de Paula e Capão da Canoa. A polícia apreendeu documentos em casas e empresas ligadas ao grupo, incluindo um escritório de advocacia.
Também foram bloqueados imóveis do empresário, da companheira dele e das empresas envolvidas, além do sequestro de veículos, entre eles um carro de luxo.
De acordo com o delegado Vladimir Medeiros, a Polícia Civil segue as investigações para identificar outros envolvidos e confirmar o total de prejuízos causados aos clientes.



