
A denúncia de uma família e o trabalho intenso de investigação da Polícia Civil de Caxias do Sul levaram a prisão de um abusador sexual infantil no interior do Pará. O homem de 41 anos foi detido preventivamente na terça-feira (11), no município de Oriximiná, distante 1,5 mil quilômetros de Belém e próximo à divisa do Pará com o Amazonas. Ele é investigado por trocar mensagens e compartilhar material pornográfico com uma criança de 11 anos do município da Serra.
A investigação da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) de Caxias do Sul começou a partir de um boletim de ocorrência registrado por familiares da vítima há algumas semanas. No celular que a criança tinha acesso, os pais encontraram conversas com o homem em um aplicativo de redes sociais. Dentre os diálogos, ele compartilhava conteúdos envolvendo abusos e solicitava imagens da vítima.
Segundo a delegada Aline Martinelli, a criança não chegou a enviar materiais para o abusador. A partir de técnicas e ferramentas digitais especializadas, bem como a cooperação de órgãos federais e do Pará, a investigação chegou ao homem no outro extremo do país.

A delegada ressalta que inquéritos policiais como este são complexos, porque demandam decisões judiciais, quebra de dados e o monitoramento até a identificação do criminoso.
— Hoje, os crimes não têm fronteiras. As crianças e os adolescentes estão cada vez mais vulneráveis. É como se as famílias deixassem abertas as portas de suas casas para que um predador sexual infantil entre. O potencial lesivo, com o uso da internet, é muito maior. Quando uma prisão assim ocorre, centenas de pessoas são atingidas, pois o abusador nunca faz uma vítima apenas — diz a titular da DPCA.
Como os criminosos agem
O modo de ação dos abusadores na internet é similar, segundo a delegada Aline Martinelli. A aproximação das vítimas geralmente começas pelas redes sociais e plataformas online de jogos.
Em muitos dos casos, os criminosos se utilizam de técnicas de inteligência artificial para se passarem por crianças e adolescentes e ganharem a confiança do "alvo".
— Eles se aproveitam deste período da vida em que muitos deles estão em busca de pertencimento, de acolhimento, de aceitação. Num primeiro momento, é um amigo. É aquela pessoa que está ali, que escuta. E aí, geralmente, em um segundo momento, ele começa a cometer os crimes. A vítima cede e faz o que ele pede. Depois, começam as chantagens, as extorsões e as ameaças de divulgação — detalha Aline.
Atenção, pais!
Para a delegada, a prevenção deste tipo de crime passa especialmente pelo diálogo e o monitoramento dos filhos na internet:
— Nós não temos que proibir o uso das mídias sociais. Nós temos é que controlá-las. Sempre a melhor forma, na minha opinião, será a fiscalização dos pais e a restrição quanto ao tempo de uso — orienta, acrescentando:
— O diálogo também é muito importante, ainda mais nesta fase, que é de descobertas — opina.
Em caso de suspeita, a denúncia é fundamental. Segundo a delegada, muitas famílias não buscam a ajuda da Polícia Civil por vergonha ou por medo das chantagens praticadas pelos criminosos. Ela reforça que o caso é tratado sob sigilo.
— Precisamos reforçar que a denúncia funciona e rompe, sim, o ciclo da violência, especialmente a violência sexual — finaliza.
Denúncias sobre pedofilia e pornografia infantil podem ser feitas presencialmente junto à Polícia Civil, online ou anonimamente pelos telefones Disque 100 e Disque 180.
Prisão em Brasília
Em outubro, a DPCA de Caxias do Sul chegou em outro homem investigado por armazenar e produzir conteúdos pornográficos envolvendo crianças e adolescentes, em Brasília.
A apuração começou a partir da denúncia de uma mulher de Caxias do Sul que recebeu os materiais, sem consentimento. Com a verificação de dados e outros processos da investigação, os policiais localizaram o suspeito e encontraram mais de cem imagens e vídeos armazenados por ele.

